Memória, natureza e cidade

Vol. 1, 2019. - 112795
Apresentação Oral
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Resúmenes

O objetivo do trabalho apresentado é relacionar humanos e não humanos (LATOUR 1994) ligados por um conceito abrangente de natureza na formação do espaço da cidade de Belo Horizonte. Será também apresentada uma abordagem do conceito de sustentabilidade construída a partir da memória dos lugares inscrita nos jardins da cidade. Tal conceito de sustentabilidade ampliado constitui uma possibilidade de pensar cidades sustentáveis.
Como método de análise serão apresentados alguns jardins da cidade de Belo Horizonte. Os jardins apresentados são entendidos como elementos naturais culturais presentes no território de forte conexão entre humanos e não-humanos – terminologia baseada em Latour (1994).
De Burle Marx a Gilles Clément os jardins são mutáveis e incorporam homem e natureza segundo suas características não só humanas ou só naturais, mas um híbrido das duas possibilidades. Jardins são microecologias sujeitas ao tempo, um híbrido natural-cultural presente no território. (LATOUR 1994) Para Foucault (1984) os jardins são heterotopias capazes de justapor em um único lugar real vários espaços que, por suas especificidades, seriam incompatíveis. O jardim seria, para o autor, o exemplo mais antigo de heterotopia e são esses outros espaços diferentes que funcionam como a contestação dos espaços onde vivemos. A cidade representaria a saída do homem da natureza, e o jardim seria o espaço outro da natureza na cidade.
Segundo Herzog (2013) percorreu-se um longo caminho nas cidades no qual a crença na tecnologia reinou como forma planejar acreditando-se poder controlar a natureza através da especialização do conhecimento. A essa situação ela propõe uma cidade regenerativa integrativa onde seria primordial construir cidades como parte dos ciclos naturais numa ação integrada de vários campos.
A partir desses jardins será construída uma abordagem que enfatiza a memória dos locais e a natureza como memória abrangente que integra humanos e não humanos inscrita no território. A singularidade dos espaços dos jardins serão apresentadas como possibilidade dos locais tornarem-se sujeitos portadores de recordações e dotados de uma memória que ultrapassa a dos humanos. ( ASSMANN 2011)
Tal memória mesmo que marcada por uma descontinuidade temporal e espacial reaviva e significa o termo sustentabilidade como elemento que articula a cidade e natureza para além dos aparatos espaciais tecnológicos. Assim a construção do espaço abstrato como elemento modernizador importante na geopolítica colonial se depara com a memória da natureza inscrita nos jardins que traz para a sustentabilidade significado cotidiano.
Partindo do entendimento de que as narrativas hegemônicas da produção capitalista do espaço dominam as narrativas espaciais, pretende-se infiltrar a memória dos jardins como resistência e de afetos no contexto das cidades ligada a memória dos locais como ferramenta sustentável de se pensar a cidade.

Instituciones
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais
Eje Temático
  • Tecnologías y sustentabilidad en la producción de la ciudad sudamericana contemporánea
Palabras Clave
jardins
Memória
Sustentabilidade