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O Fundo Amazônia tem sido destaque recorrente na mídia nos últimos anos no Brasil e tem motivado um debate complexo a respeito de sustentabilidade, Amazônia, governança e disputas geopolíticas. O Fundo consiste em um montante de doações, sobretudo do governo norueguês, administradas pelo BNDES e destinadas para projetos de preservação e prevenção do desmatamento na Amazônia. Os temas acerca de sua criação, conformação e estrutura de governança já foram abordados em trabalhos anteriores (BARBOSA; PORTO; RENA, 2019), bem como o debate sobre o posicionamento do fundo no espectro da sustentabilidade. Assim, o que se pretende neste trabalho é uma atualização e aprofundamento da temática tanto em método quanto em análise. Para isso, pretende-se utilizar o método desenvolvido pelo grupo Indisciplinar, baseado na cartografia das controvérsias (BARBOSA, 2019), que identifica atores, narrativas e eventos para a composição de uma rede. Na sobreposição de relatos de atores, busca-se as controvérsias que aos poucos conectam a rede e compõem uma produção de conhecimento sobre o tema em questão. Nesse sentido, em Barbosa, Porto e Rena (2019), identificou-se a necessidade de aprofundamento dos conhecimento em relação à dimensão geopolítica da iniciativa do fundo, considerando a complexificação das relações internacionais entre Brasil e Noruega devido à mudança de governo de 2018 para 2019. Assim, pretende-se voltar atenção para a geopolítica como conceito (TOZI, 2018; BECKER, 1988; SANTOS, 2006) e pano de fundo de uma rede que se desdobra continuamente. Compreende-se que o recente afastamento da diretora do fundo, motivada por declarações do atual ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, tem uma implicação tanto nas relações políticas e comerciais entre Brasil e Noruega, quanto com o momento de alinhamento do governo Bolsonaro com a gestão Trump nos Estados Unidos. Da mesma forma, assume-se também que há um movimento de implicações geopolíticas do projeto do Fundo Amazônia ao longo de toda sua história, de acordo com as diferentes visões e projetos empreendidos em diferentes governos. Isto é, em cada gestão governamental o fundo figura como instrumento interno e externo, de sustentabilidade e desenvolvimento de acordo com os parâmetros políticos em voga. Identifica-se a Amazônia como território estratégico (BECKER, 2005) e, portanto, em disputa e o debate da sustentabilidade como ponto de tensão no cenário político internacional. Sendo assim, o Fundo Amazônia será abordado como termômetro do deslocamento do debate ambiental em diferentes escalas, temporalidades e territorialidades.
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