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A oficina "Arquivo, imagem, narrativa" propõe trabalhar a criação de narrativas de dimensão histórica a partir do arquivo do Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos (EA-UFMG), no qual empreendemos uma pesquisa pós-doutoral ao longo do ano de 2019. Com isso, objetivamos explorar este arquivo enquanto fonte principal para estudar modos de narrar a história da cidade, tendo como foco experimentar processos de aproximação de documentos, entre os quais estão imagens, correspondências e objetos, a fim de criar outras configurações possíveis de entendimento dos conteúdos ali disponibilizados.
O Serviço de Fotodocumentação, que dá origem ao arquivo em estudo, foi criado em 1954 sob direção de Sylvio de Vasconcellos e contava com o cinotécnico Marcos Mazzoni, o fotógrafo Gui Tarciso Mazzoni e a laboratorista Efigênia Chaves. Até 1969 o SFD esteve sob a direção de Sylvio de Vasconcellos, professor da Escola de Arquitetura, e dedicou-se majoritariamente ao registro e à divulgação (Mello 1959 [carta]) de bens históricos no estado de Minas Gerais, uma vez que Vasconcellos ocupou o cargo de superintendente do Departamento do IPHAN em Minas Gerais de 1939 a 1969, completando duas pontas de uma cadeia de produção. Mas não só de memória patrimonial vive este acervo: o SFD dava apoio à atividade docente (Pogany 1959 [carta]), registrava a vida institucional da escola, ritos acadêmicos da universidade, insurreições estudantis - desde os cartazes políticos de 1965 à depredação de uma sala de aula, como consta na legenda da fotografia, evento datado de 1968, mesmo ano do AI-5. Além disso, o SFD também prestava serviços de ampliação para a comunidade em geral.
As câmeras fotográficas, o maquinário para realização de revelações e ampliações (Tofot 1959 [impresso]), além dos registros de cursos de formação sugerem que a excelência técnica era fundamental ao SFD. O regime de visibilidades era aquele de um campo profissional da fotografia. Campo esse que ao construir uma narrativa de memória (Costa 2018), seja para a nação como para a própria universidade, o fazia por meio de pesquisas (Mazzoni 1972 [carta]) e experimentações do fotográfico - uma máquina (Veiga 2008) de fazer histórias sobre a qual pesa o anátema de uma reprodução sempre mais próxima do real até o exagero de concebê-la como um acesso direto à verdade.
Com a oficina, pretendemos apresentar esse arquivo aos participantes, situando-o dentro de uma discussão mais ampla em torno de arquivos e imagem, e propor aos interessados a experimentação de processos de aproximação com esses documentos, a fim de elaborar possibilidades de narrativas artísticas-históricas sobre cidade, arquitetura e urbanismo.
A proposta de distribuição das atividades, totalizando uma carga-horária de 15 horas, se dará como a seguir:
Dia 1 (02/10 - 6h): Apresentação do arquivo do Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos, apresentação de conceitos e discussão crítica em torno de arquivos e imagem.
Dia 2 (03/10 - 7h): investigação no arquivo e elaboração de proposta/montagem-desmontagem-remontagem
Dia 3 (04/10 - 2h): apresentação final
O público alvo desta oficina são estudantes de graduação e pós-graduação, de arquitetura, história ou artes e outros interessados.
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