Arquitetura da Ponte: construções partilhadas com a comunidade da Nova República, Salvador/BA

Vol. 1, 2019. - 112254
Apresentação Oral
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Resúmenes

Esse texto aborda uma proposição, no âmbito da disciplina de trabalho final de graduação, construída de forma partilhada com a comunidade da Nova República, que está situada no bairro de Santa Cruz, no Nordeste de Amaralina, em Salvador. A proposta buscou estabelecer pontes entre saberes diversos, identificando outros modos de produção da cidade, vinculando-se com as demandas e os desejos de contextos socioespaciais, onde estão em intersecção desigualdades de classe, raça e gênero. Desse modo, pretendeu refletir sobre práticas extensionistas, ou de assessoria técnica, pensando uma atuação em campo possível em Salvador.
Na elaboração dessa proposição, decidiu-se por uma abordagem que foi denominada como Arquitetura da Ponte, estabelecendo relações com um processo de sensibilização do técnico quanto às dinâmicas cotidianas, articulando-se com a proposta de Ana Clara Torres Ribeiro a respeito de um planejamento sensível, conduzindo-o para a apreensão de gestos coletivos (RIBEIRO, 2005, 2009a, 2009b). Para tanto, foi considerado necessário o estudo de algumas experiências em Arquitetura e Urbanismo, com contribuições de outros campos disciplinares, deslocando o técnico da função autoral para colocar-se enquanto ponte entre conhecimentos e práticas diversas que, segundo Magaly Pulhez e Thaís Rosa, corresponderia também à compreensão de seu papel enquanto instrumento político (PULHEZ e ROSA, 2016).
Em Salvador, entre a década de 1960 e o momento presente, observam-se algumas experiências que partem da mobilização de moradores, grupos e associações comunitárias, para reivindicar intervenções públicas para a melhoria das condições de vida e de moradia, em espaços como a Nova República. Nesses locais, verificam-se a coexistência de duas escalas de organização da vida urbana – a macropolítica e a micropolítica –, sendo imperativo a criação de pontes entre elas. Ainda assim, compreende-se que a proposição indicada nesse texto está inserida no contexto da micropolítica, entendendo os limites de um trabalho acadêmico, ainda que correlacionado a demandas reais, e da própria universidade enquanto instituição.
O processo de aproximação, com o territórios e os moradores da Nova República, implicou na identificação dos projetos e parcerias da Associação de Moradores, além de incorporar contribuições de experiências anteriores, sejam da própria comunidade e/ou da academia. Durante o processo de interlocução com o campo, que se deu através de reuniões, percursos e oficinas, foi decidido, coletivamente, atuar a partir de três eixos: ações e demandas da Associação de Moradores, a construção de uma agenda urbana com crianças e adolescentes, e a questão do direito à moradia digna. Ressalta-se também o estabelecimento de pontes entre essas linhas, que possibilitam atravessamentos entre pessoas, espaços e reivindicações.
Como resultado, tem-se a produção de um dossiê, que será entregue à comunidade, e que consta questões apontadas pelos moradores e pelas lideranças comunitárias, expressando as principais demandas para a Nova República, e a construção, entre universidade e comunidade, de possibilidades de efetivação delas. Essa proposição também pretende contribuir na ampliação do debate acerca do pensamento crítico e propositivo sobre o espaço urbano, acreditando na construção de processos que envolvem diálogos, saberes e projetos a favor do direito à cidade e do fortalecimento de ações democráticas.

Instituciones
  • 1 Universidade Federal da Bahia
Eje Temático
  • La planificación urbana y regional en la producción de la ciudad sudamericana contemporánea
Palabras Clave
Arquitetura da Ponte
Nova República
Produção da Cidade