A Engenharia Republicana: poder político e conhecimento técnico na concepção de Belo Horizonte

Vol. 1, 2019. - 112518
Apresentação Oral
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A proclamação da República em 1889 foi elemento chave na articulação da mudança da capital mineira, pretendida desde a Inconfidência, cem anos antes. E essa mudança se materializou na construção de um novo centro regional, em torno da qual se forja um consenso entre forças políticas tradicionais, sediadas em Ouro Preto, e forças políticas emergentes, principalmente da Zona da Mata e do Sul de Minas, ao mesmo tempo em que se busca reorganizar a economia mineira face a nova ordem nacional. Entre os principais agentes dessa reorganização, estava um grupo com pretensão modernizante e já economicamente forte. A essa nova elite, cujo intuito era garantir poder político correspondente à sua expressão econômica (LE VEN, 1977), interessava desalojar de Ouro Preto as forças políticas tradicionais, ali instaladas desde o auge da exploração do ouro. Era primordial, portanto, a criação de um marco zero, que acabou resultando na construção de Belo Horizonte. Mas tal fato constituiu também uma grande oportunidade para o igualmente emergente grupo profissional dos engenheiros, formados nas escolas politécnicas e organizados no Club de Engenharia do Rio de Janeiro. A eles interessava tanto se aproximar do poder político por meio da oferta de conhecimento técnico, quanto se legitimar socialmente, adquirindo status e prestígio na recente república brasileira, tal como já o tinham feito na Europa (PICON, 1992). O ideário da racionalidade técnico-científica orientou os trabalhos tanto da comissão encarregada de selecionar o sítio de implantação, quanto da comissão encarregada de conceber e construir a Nova Capital a partir de 1894. O arrojo do traçado urbano inspirado na Paris de Haussmann e das teorias e tecnologias desenvolvidas na École Polytechnique foram ingredientes fundamentais na legitimação da mudança e na construção da imagem de modernidade como um símbolo do novo arranjo político. Fato é que aí se engendra um modelo (ANGOTTI-SALGUEIRO, 2001) de planejamento e gestão urbanos ainda hoje praticados apesar de muito desrespeitoso com as características do sítio natural de implantação da cidade (BOTELHO ALMEIDA, 2018). Este artigo tem o intuito de descrever tal modelo e discutir as razões de sua permanência a partir da reconstituição da História da construção da cidade, com foco nas obras públicas.

Instituciones
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais
Eje Temático
  • La construcción de la ciudad sudamericana contemporánea: historia e historiografías
Palabras Clave
engenharia
República
Belo Horizonte