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Este trabalho tem objetivo de apresentar resultados preliminares e parciais de pesquisa em desenvolvimento sob o título “Museu da Criança como espaço educativo e de circulação de conhecimentos sobre a cultura das infâncias”, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (FAPEMIG). A pesquisa foi iniciada em meados de 2021, encontra-se em sua segunda fase em que se concentra em compreender como os dados documentais do acervo Museu Helena Antipoff, localizado em Ibirité, Minas Gerais, podem subsidiar a reinstalação do Museu da Criança. A origem do Museu da Criança remete aos estudos da psicóloga e educadora russa, naturalizada brasileira na década de 1950, Helena Antipoff (1892-1974), realizados em Belo Horizonte entre 1930 e 1940 (Antipoff, 1930; Antipoff, Castro, 1935; Lustosa et al, 1951). O Museu da Criança foi instalado em outubro de 1929 na Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte desenvolvendo pesquisas sobre e com a criança mineira para compreender o cenário da educação primária da época e propor intervenções pedagógicas. A ideia era tornar o Museu da Criança um centro de referência sobre o desenvolvimento infantil, divulgando à comunidade os resultados das pesquisas empreendidas no Laboratório de Psicologia Experimental comparando-os com dados de pesquisas realizadas em outros estados no Brasil e em outros países (Antipoff, 1929/1992; Antipoff, 1930/1992). As atividades do Museu da Criança foram encerradas em 1945, quando Helena Antipoff transferiu-se para a então capital brasileira, Rio de Janeiro, para trabalhar no Departamento Nacional da Criança (DNCr). Atualmente, ao propormos a retomada do projeto do Museu da Criança, objetiva-se dar continuidade aos estudos da criança iniciados por Helena Antipoff em 1929. Ao mesmo tempo, visamos colaborar com a atualização de dados que possam mapear as características da criança mineira e brasileira. Consideramos que existe atualmente produção científica bastante consistente e bem documentada, produzida por pesquisadores brasileiros vinculados a diversas instituições universitárias e educacionais, no Brasil e no exterior, sobre o desenvolvimento psicológico, psicossocial, social, econômico e cultural do universo infantil. Constituir um centro de documentação com base nos estudos pioneiros de Helena Antipoff e na produção científica atual sobre a criança brasileira, agregando inclusive dados comparativos obtidos em estudos sobre a criança feitos em outros países, é o nosso propósito. Identificar instituições e centros de documentação e pesquisa dedicados à criança no Brasil e em outros países que possam dialogar com a proposta do projeto museológico do Museu da Criança contribuirá futuramente para constituir uma rede interativa de estudiosos do universo infantil. Os resultados certamente poderão contribuir para avançar na compreensão dessa fase da vida humana com base na pesquisa científica, propondo alternativas educacionais dirigidas a esse público nas diversas áreas do conhecimento. A pesquisa documental no acervo Antipoff tem embasado as ações e o design museológico da reinstalação do Museu da Criança, procurando dialogar com o passado e se atualizar diante das necessidades do presente. Esses documentos são entendidos na perspectiva de Godoy (1995) como materiais de tipologias diversas, como jornais, revistas científicas, diários, cartas e relatórios etc. que produzem um registro de aspectos variados da vida de determinado grupo e sociedade. Poucos são os registros iconográficos que identificam o Museu da Criança de 1929, no entanto, os dados contextuais, e a relevância dos estudos sobre a criança daquela e desta época, nos ajudam a balizar nossas análises e imaginar cenários possíveis de interação e identificação das culturas das infâncias para constituir o Museu da Criança na perspectiva contemporânea. Os resultados das análises dos documentos do acervo Fundo Helena Antipoff demonstram que se mantém relevantes os propósitos da educadora russo-brasileira no sentido de promover a pesquisa, documentação e divulgação científica sobre a infância. Ao mesmo tempo, demonstram necessidades de uma visão atualizada sobre o espaço museal como território (Lody, 2003) a ser ocupado pelos sujeitos que representa, neste caso, a criança. O museu que propomos deverá priorizar a criança como protagonista e a ocupação dos espaços abertos às pluralidades culturais das infâncias, às novas experiências e às linguagens de comunicação e informação. REFERÊNCIAS ANTIPOFF, Helena,1929. A instalação do Museu da Criança como recurso pedagógico. In: Coletânea das Obras Escritas de Helena Antipoff. Fundamentos da Educação. Vol. II. Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff (CDPHA), Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1992. p. 11-14. ANTIPOFF, Helena. Ideaes e interesses das creanças de Bello Horizonte e algumas sugestões pedagógicas. Boletim 6, Secretaria de Educação e Saúde Pública de Minas Geraes, 1930. ANTIPOFF, Helena,1930. O nosso Museu da Criança. In: Coletânea das Obras Escritas de Helena Antipoff. Fundamentos da Educação. Vol. II. Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff (CDPHA), Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1992. p. 15-18. ANTIPOFF, Helena; CASTRO, Maria Angélica. Ideaes e interesses das creanças de Bello Horizonte no intervalo de cinco annos. Boletim 17, Secretaria de Educação e Saúde Pública de Minas Geraes, 1935. GODOY, Arlida Schmidt. Pesquisa Qualitativa: tipos fundamentais. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, SP, v.26, n.2, 1995. LODY, Raul. Museu - espaço multidisciplinar - território das identidades. Multitemas, Campo Grande-MS, n. 30, p. 25-37, out. 2003. LUSTOSA, Irene et al. Os ideais e interesses das crianças de Belo Horizonte de 1929 a 1944. Revista do Ensino, v. 200, Belo Horizonte, jul-dez. de 1951. p. 151-188.
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