TECENDO REDES NA EJA: SABERES E CIBERARTESANIAS DOCENTES

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Resumo Expandido - Trabalho em Andamento
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Abstract
TECENDO REDES NA EJA: SABERES E CIBERARTESANIAS DOCENTES Introdução Diante da redução de matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) (INEP, 2024) e do avanço do neoconservadorismo, caracterizado por cortes em investimentos educacionais, restrições curriculares e desvalorização da formação docente (Lima e Hypolito, 2019), a incorporação de tecnologias digitais na EJA pode emergir como um ato de inclusão e resistência aos ataques à educação pública (Pretto, 2024). E a docência na modalidade EJA, que garante o direito à educação a estudantes historicamente marginalizados (Arroyo, 2007), deve ser vista como ativista para valorização dos direitos educacionais. Sob essa ótica, percebemos que, na contemporaneidade, as interações ocorrem tanto na cidade, como no ciberespaço (Santos, 2019), o que exige práticas pedagógicas que dialoguem com essa realidade. Neste estudo, parte de uma pesquisa de doutorado em andamento, buscamos compreender como as ciberartesanias docentes -entendidas como práticas colaborativas mediadas por tecnologias digitais- podem contribuir para a formação crítica de docentes da EJA. O conceito será desenvolvido na tese, inspirado em autores como Sennett (2008) e Mills (2009). Essas práticas podem potencializar a formação docente na cibercultura (Lévy, 1999; Santos, 2019), um ecossistema de produção de saberes, no qual emergem processos influenciados pelo digital em rede e pelos multiletramentos (Cope e Kalantzis, 2006; Rojo, 2013). Percursos Metodológicos O estudo é desenvolvido como uma ciberpesquisa-formação (Santos, 2019), diante da relevância do cenário e formação com os praticantes num processo de ‘aprenderensinar’[1]. Nele, mergulhamos com todos os sentidos, para descobrir as práticas educativas que emergem de interações sociais concretas e não apenas prescrições curriculares. A ideia de sociabilidades ‘docentesdiscentes’ (Alves, 2019), permite entender as articulações e criações de ‘práticasteorias’. Espaços para uma pedagogia crítica e libertadora (Freire, 2015) que enriqueça a formação na EJA. Nosso foco recai na análise das narrativas e dos recursos produzidos durante as oficinas, baseados na abordagem das noções subsunçoras de Ausubel (2003), para identificar os desafios e as possibilidades advindas da incorporação das tecnologias digitais na prática pedagógica, ampliando os recursos na EJA. Um processo relevante diante das violências do neoconservadorismo que cada vez mais oprime e limita oportunidades educacionais. Fundamentamos o estudo em conversas docentes e oficinas colaborativas/reflexivas. Nelas, o questionamento: "Trabalhar com tecnologias na EJA não é estar na contramão do pensamento dos docentes que atuam na modalidade?", impulsionou o levantamento realizado nos bancos de teses e dissertações sobre o uso das tecnologias digitais na EJA. Na última década, no Google Acadêmico, entre mais de 27000 trabalhos, 594 abordam o uso das tecnologias na EJA, sendo 426 nos últimos 5 anos, o que reforça a atualidade e a relevância do tema. E ampliamos as conversas, pois elas possibilitam acessar nuances e subtextos (Ribeiro, 2018), captar detalhes que enriquecem a análise. Por meio dos praticantes, os docentes da EJA na Rede de Nova Iguaçu/RJ, mergulhamos nos cotidianos ‘docentesdiscentes’ e, nos apropriamos das condições de trabalho, dos desafios e das práticas nessa modalidade. Dando continuidade às oficinas realizadas na Casa do Professor[2], mapearemos as habilidades dos docentes e discutir as possibilidades de uso das tecnologias digitais, de maneira que as narrativas não apenas evidenciem os desafios, mas também as possibilidades e o desenvolvimento de práticas contemporâneas. Primeiros Achados de Pesquisa Esses achados advêm de conversas com dois professores universitários da área e de uma oficina realizada com 32 docentes que atuam na EJA. Os dados revelam a dualidade de percepções entre docentes, evidenciando tanto possibilidade de transformação, quanto resistência ao uso das tecnologias digitais. Alguns dos docentes demonstram interesse e habilidade no manuseio dos recursos digitais; abertos a uma formação interdisciplinar, no qual a intencionalidade pedagógica pode ser ‘docentediscente’ (Santos, 2019). Narrativas como “É difícil achar materiais ou atividades adequadas para EJA” e “Os alunos não querem fazer coisas diferentes de copiar do quadro.” revelam lacunas nas práticas pedagógicas, ignoram a multiplicidade de linguagens e recursos contemporâneos e evidenciam a necessidade de considerar outros letramentos, além do escolar. Esses, por sua vez, podem colaborar na busca por transformações e na superação da constante progressão do neoconservadorismo (Pretto, 2024). Nesse sentido, práticas em contextos de cibercultura fundamentadas na compreensão e na produção de múltiplas linguagens, são essenciais para transcender abordagens tradicionais, num contexto social mais diversificado e inclusivo. Por outro lado, outros docentes expressam resistências, significativamente relacionadas à falta de formação e a precária infraestrutura nas escolas. Essa inadequação é ainda mais evidente na análise de Nóvoa (2019), que alerta sobre a desconexão entre a escola e o tempo vivido, marcado pela carência de articulação de ideias e práticas. No que se refere ao uso de dispositivos digitais em rede e ao letramento digital no âmbito da EJA, Vasconcelos, Silva e Silva (2018) atribuem à falta de financiamento público. Esses dados destacam a necessidade de aprofundar a investigação sobre os impactos das restrições ao uso de dispositivos digitais na Rede Pública de ensino. Algumas reflexões do estudo Percebemos a importância de fortalecer redes de formação docente que contribuam para superar resistências e expandir as práticas pedagógicas. Ações docentes assumindo um papel central na resistência ao neoconservadorismo e ampliam o debate sobre a formação na EJA. Destacamos os estudantes inseridos no mundo do trabalho e em situações de subalternidade provocadas pela pobreza e dinâmicas de poder. Há, ainda, casos que nos quais a falta de domínio das tecnologias os torna vulneráveis ​​às manipulações e à desinformação, dificultando o acesso aos direitos e enfrentamento de violências sociopolíticas e ambientais. A análise, na perspectiva das noções subsunçoras, que serão desenvolvidas na pesquisa, permitirá compreender como os docentes mobilizam conhecimentos prévios e estruturam novas aprendizagens, identificando lacunas e potencialidades neste processo de formação. Buscamos entender como a resistência ao uso do digital em rede pode ser superada por um ecossistema formativo crítico, transformando o ensino na EJA em uma prática que promova a liberdade, resistência e emancipação. Palavras-chave: Ciberartesanias docentes; EJA; Cibercultura Referências ALVES, Nilda, ANDRADE, Nívea; CALDAS, Alessandra. Os movimentos necessários às pesquisas com os cotidianos: após muitas ‘conversas’ acerca deles. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; PEIXOTO, L. F.; SUSSEKIND, Maria Luiza (Orgs). Estudos do cotidiano, currículo e formação docente: questões metodológicas, políticas e epistemológicas. Curitiba: CRV, 2019. p. 19 – 46 ARROYO, Miguel. Balanço da EJA: o que mudou nos modos de vida dos jovens-adultos populares?. REVEJ@ - Revista de Educação de Jovens e Adultos, v. 1, n. 0, p. 1-108, ago. 2007. Disponível em https://bit.ly/4irGb0D Acesso em: 04 set. 2024. AUSUBEL, David Paul. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano Ed. Técnicas, 2003. COPE, Bill; KALANTZIS, Mary (Orgs.). Multiliteracies: literacy learning and the design of social futures. New York: Routledge, 2006. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. 51ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Publicados resultados preliminares do Censo Escolar 2024. Brasília, 2024. Disponível em: https://encurtador.com.br/ZhFKA. Acesso em: 01 mar. 2025. LÉVY, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro. Editora 34. 1999. LIMA, Iana Gomes. HYPOLITO, Álvaro Moreira. A expansão do neoconservadorismo na educação brasileira. Educação e Pesquisa, [S. l.], v. 45, p. e 190901, 2019. Disponível em: https://bit.ly/4hy4WHi. Acesso em: 28 fev. 2025. MILLS, Charles Wright. Sobre o artesanato intelectual e outros ensaios. Seleção e introdução de Celso Castro. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Revisão técnica de Celso Castro. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. (Nova biblioteca de ciências sociais). NÓVOA, António. Os professores e a sua formação num tempo de metamorfose da escola: seção temática resistências e (re)existências em espaços sociais em tempos de neoconservadorismos. Educação e Realidade, v. 44, n. 3, 2019. Disponível em: https://bit.ly/4bTOmAm Acesso em: 15 jan. 2025. PRETTO, Nelson de Luca. Outras tecnologias e outros saberes para a educação. Formação de Professores: por uma agenda Política, Ética e Transformadora. Simone Bueno Borges da Silva; Juliana Alves Assis; Jakeline Semechechem (org.). 1ª ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2024. ROJO, Roxane (Org.). Escola conectada: os multiletramentos e as TICs. São Paulo: Parábola, 2013. SANTOS, Edméa. Pesquisa-formação na cibercultura. Teresina: Ed. UFPI, 2019. SENNETT, Richard. O artífice. São Paulo: Record, 2008. RIBEIRO, Tiago; SOUZA, Rafael de; SAMPAIO, Carmen Sanches. Conversa como metodologia de pesquisa: por que não? Rio de Janeiro: Ayvu, 2018. VASCONCELOS, Ana Paula Lemos, SILVA, Suelen Corrêa, SILVA, Cristiane Bernardo Freires. Perspectivas e desafios no uso das tecnologias digitais no ensino da EJA. Encontro Internacional de Formação de Professores e Fórum Permanente de Inovação Educacional, v. 11, n. 1, 2018. [1] Os termos grafados juntos, em itálico e entre aspas enfatizam a superação das divisões, refletem nossa crítica às dicotomias herdadas da Modernidade que impõem limites à produção de conhecimento em nossa corrente de pesquisa. (Alves, Andrade e Caldas, 2019, p. 19-20). [2] Espaço de atualização docente na Sec. M. de Educação/N. Iguaçu

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  • 1 FACULDADE DE EDUCAÇÃO
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  • GT16 - Educação e Comunicação