SOBERANIA DIGITAL E ALIMENTAR NA EDUCAÇÃO: CAMINHOS POSSÍVEIS?

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Resumo Expandido - Trabalho em Andamento
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Abstract
SOBERANIA DIGITAL E ALIMENTAR NA EDUCAÇÃO: CAMINHOS POSSÍVEIS? Introdução O presente trabalho organiza os primeiros passos da pesquisa em desenvolvimento no doutorado, que tem como tema central a investigação sobre as possibilidades de integração dos debates emergentes de soberania digital e soberania alimentar na educação pública brasileira. Trata-se de uma etapa inicial, de caráter exploratório, dedicada ao mapeamento das discussões mais recentes relacionadas ao tema que mobiliza esta investigação. Assim, destacamos que a delimitação da problemática específica ainda está em processo de refinamento e apresentaremos as discussões e pesquisas que consideramos até aqui em nossa busca. O objetivo geral desta investigação é compreender as articulações possíveis, no campo educacional, entre as soberanias digital e alimentar. Como objetivo específico desta etapa, busca-se mapear lacunas e possibilidades de integração dessas temáticas na formulação e implementação de políticas públicas educacionais. A soberania alimentar, concebida no interior de movimentos sociais camponeses internacionais a partir da década de 1990 — com destaque para a Via Campesina —, enfatiza a autodeterminação dos povos no que se refere à produção e ao consumo de alimentos, vinculando-se à defesa da soberania política e cultural dos Estados e comunidades (MARCHETTI et al., 2023). Já a soberania digital está relacionada ao controle autônomo sobre dados e infraestruturas digitais, chamando atenção para a necessidade de proteção das informações produzidas pela população frente à apropriação por parte de corporações transnacionais (SILVEIRA et al., 2023). A pesquisa ancora-se em fundamentos teóricos que denunciam as atualizações do colonialismo contemporâneo (FAUSTINO et al., 2023; BOMBARDI, 2023) e busca identificar caminhos para o fortalecimento da qualidade do debate público educacional, considerando, em especial, a contribuição epistemológica e as experiências históricas acumuladas pelos movimentos sociais (GOMES, 2017). Nesse sentido, as noções de soberania alimentar e soberania digital ganham centralidade na análise. Metodologia A principio realizamos nossa busca nas plataformas SciELO e Portal de Periódicos CAPES, utilizando os descritores “soberania digital”, “soberania alimentar”, “educação”', combinados por um dos operadores booleanos (AND). Foram aplicados filtros por período (2021–2024), idiomas (português, espanhol, inglês) e artigos revisados por pares. A revisão foi conduzida entre setembro de 2023 a dezembro de 2024, com intervalos de tempo. Ao não encontrarmos essa articulação, optamos por mudar a busca com os conceitos de soberania (alimentar ou digital) separados para uma compreensão qualitativa dos debates e resultados. Selecionados os artigos com base nos seguintes critérios: 1) pertinência ao debate político-educacional – priorizando estudos que relacionam as soberanias a questões de direitos humanos e desigualdades estruturais. 2) Abordagem teórica crítica – com ênfase em perspectivas decoloniais, estudos sobre colonialidade e análises vinculadas a movimentos sociais. 3) Relevância para a educação pública – selecionando trabalhos que discutam implicações pedagógicas, curriculares ou de políticas educacionais. Na tabela 1 ao fim do texto apresentamos os trabalhos selecionados. Após esse processo decidimos incorporar também uma busca mais ampla e exploratória, em veículos de jornalismo investigativo e com ensaios de intelectuais e pesquisadores da atualidade. Resultados parciais e discussão Identificamos até aqui que a articulação entre soberania alimentar e digital na educação pública ainda não foi realizada, uma vez que estes debates ainda se encontram isolados, mesmo que às vezes discutidos interdisciplinarmente. As experiências e epistemológicas trazidas pelos movimentos sociais demonstram que é possível integrar uma apropriação crítica das tecnologias em ações coletivas locais, que sejam motivadas para superar ou mitigar efeitos do colonialismo histórico e a sua interseccionalidade (MARCHETTI et. al., 2023; SALVAGNI, 2024). A partir das pesquisas realizadas com as perspectivas agroecológicas em projetos pedagógicos, compreendemos que são criadas alternativas às lógicas coloniais, com a sugestão de uma capacidade comunitária para proteger a vida coletiva e os dados de sujeitos coletivizados (CARVALHO et. al., 2022; GONZÁLEZ, 2022; MARCHETTI et. al., 2023; SALVAGNI, et. al., 2024). Considerações finais Os resultados preliminares apontam que os desafios para articular soberania digital e alimentar na educação pública brasileira são significativos, mas não intransponíveis. Desconfiamos que o campo de educação e comunicação pode ser o local para traçar esse elo de amadurecimento. Levantamos a hipótese de que há caminhos promissores nesta integração, embora existam desafios para integrar agendas intersetoriais nas políticas educacionais – como a fragmentação dos currículos da educação básica e dos Programas e políticas públicas educacionais. A literatura recente reforça que o conceito de soberania não se restringe a questões econômicas ou tecnológicas, mas configura-se como um instrumento político fundamental para a garantia de justiça social e direitos humanos básicos (CARVALHO, 2022; FAUSTINO, et. al., 2023; CARRILO, 2023; MARCHETTI et. al., 2023). Nesse contexto, os movimentos sociais emergem como atores centrais ao produzirem epistemologias alternativas que desafiam o modelo neoliberal e suas implicações para a educação pública (GONZÁLEZ, 2022; MELLO et al., 2023). Experiências locais vinculadas à agroecologia e às tecnologias, assim como políticas públicas intersetoriais já existentes como o Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), demonstram a viabilidade de uma educação pública comprometida com a autonomia e a justiça socioambiental (BRASIL, 2023). A articulação entre essas frentes nos parecem ter potenciais de enfrentamento ao colonialismo, mas também de reafirmar a educação pública como espaço de resistência, sentido de cidadania e, posteriormente, emancipação. Referências bibliográficas BOMBARDI, Larissa Mies. Agrotóxicos e colonialismo químico. São Paulo: Editora Elefante, 2023. 108 p. ISBN 978-65-60080-22-5. 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