(RE)ENCANTAR CORPOS: PELAS FRESTAS DA EDUCAÇÃO

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Resumo Expandido - Trabalho em Andamento
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Abstract
(RE)ENCANTAR CORPOS: PELAS FRESTAS DA EDUCAÇÃO Existem práticas educacionais sem corpos? Como os corpos têm habitado as instituições educacionais? É possível, no contexto em que vivemos, uma educação que desconsidere o corpo, ou que considere o corpo somente como suporte? Iniciamos esse texto defendendo que NÃO! Somos corpo (Le Breton, 2013) e não apenas temos corpo. No entanto, ainda presenciamos que falta corpo na educação, pois mesmo em instituições educacionais voltadas aos bebês e crianças pequenas, lutas ainda são travadas em prol da defesa de um conteúdo que se mostra apartado do corpo e de suas dimensões sensoriais, emocionais, criadoras. Além disso, há muito que a educação tem travado duras batalhas contra políticas de morte, antidemocráticas e neoconservadoras, que intencionam retrocessos, principalmente ao ratificarem ideias e comportamentos racistas, sexistas, homofóbicos, religiosamente intolerantes, patriarcais e coloniais, que buscam exterminar a diversidade (Rufino, 2023). A pesquisa que está em andamento[1] e é aqui defendida, tem sua gestação no grupo pesquisador do qual as autoras fazem parte desde sua criação, em uma Universidade pública Federal do Rio de Janeiro, e é campo comum dos projetos de Doutorado de ambas, que têm a formação docente/discente e a educação (do) sensível como temáticas centrais. Seu germinário (Bemvenuto, 2022) é um conjunto de formações voltadas às/aos docentes da rede pública municipal do Rio de Janeiro, com um total de cerca de 15 encontros, realizados aos sábados, com carga horária de cerca de 4h. A primeira edição deste conjunto realizou-se de agosto a dezembro de 2024 e contou com a participação de 42 profissionais da Educação Básica, atuantes em dez, das onze Coordenadorias Regionais de Educação (CREs). Esta formação gestou um conjunto de registros narrativos sobre os quais temos nos debruçado a fim de investigar a relação entre encantamento/desencanto e adoecimento docente, a partir de uma formação que têm escuta e olhares atentos, o sonho (Freire, 2020a; Ribeiro, 2022; Limulja, 2022), o amor (hooks, 2021), o encantamento (Simas; Rufino, 2020; Rufino, 2023), a educação (do) sensível (Duarte Jr., 2000) e a arte como pilares no cultivo de relações e formações construídas como ethos do cuidado, tornando Inéditos-viáveis e esperançando (Freire, 2020b) educações outras, descolonizadas (Rufino, 2023), libertadoras, democráticas e críticas (Freire, 2020b; hooks, 2017). Somos professoras da Educação Básica há mais de quinze anos e temos percebido um aumento significativo no número de afastamentos docentes por doenças ligadas à saúde emocional, principalmente pós pandemia de Covid-19. Da mesma forma que, tem se tornado recorrente narrativas de cansaço e esgotamento, mesmo pouco tempo depois de um período destinado a férias escolares. Patzdorf (2021, p. 2) tem hipóteses a respeito disso, ao destacar que “na atual sociedade do desempenho, não há sono, folga ou férias que possam revitalizar nossos corpos esgotados porque a fadiga que sentimos não é apenas muscular”. Vivemos conectados a ferramentas externas – telefones, computadores, redes sociais –, que nos impelem respostas rápidas, constantemente alertas e produtivas/os, apartados de nossos sentidos. Comemos mal e de forma aligeirada; dormimos pouco e com baixa qualidade de descanso; nos relacionamos superficialmente com tudo e todos, buscando dar conta do maior número de afazeres possíveis; abdicamos das conversas “olho no olho”, do prazer na simplicidade que atravessa nossos dias, de comemorar as pequenas conquistas, do ócio, da contemplação, e tudo isto consome nossa energia, rouba nossa vitalidade e potência criadora e desemboca em nosso cotidiano. Enquanto profissionais da educação, escoamos nossas frustrações e esgotamento nas instituições educacionais nas quais atuamos, por meio de corpos desmotivados, desencantados, que propõem práticas formatadas, anseiam por corpos obedientes e docilizados (Foucault, 2014) e não conseguem perceber a beleza nas miudezas do cotidiano. Assim, seguimos despotencializadas/dos e despotencializando os corpos das crianças com as quais atuamos; afetando seus corpos, principalmente por meio das proposições que planejamos, da falta de escuta e atenção ao seu pensamento poético (Antonio, 2009) e aos seus desejos investigativos. Diante disso e partindo da premissa de que “[...] não é o indivíduo quem está doente, mas sim a atual sociedade em que vivemos é que nos adoece” (Patzdorf, 2021, p. 1), nossa pesquisa objetiva escutar/olhar para a docência com as/os docentes, buscando cartografar caminhos que nos ajudem a refletir, compreender e a transformar nossas relações corporais e educacionais, por meio de uma educação estética e com arte, que tenha como premissa o autocuidado (Patzdorf, 2021), a escuta atenta, o conhecimento como um processo individual e coletivo, o afeto como mobilizador, o esperançar, o sonho e o amor como pilares. Além disso, intenciona também mapear o percurso profissional de um grupo de docentes que cursaram as formações propostas por nós, buscando relacionar e compreender a relação – se é que existe – entre adoecimento docente e desencanto. Para isso, assumimos uma metodologia errante (Ostetto, 2019) e apontamos rotatórias, que carregam em si possibilidades de seguir circulando e experimentando diferentes percursos, de voltar aos inícios e reiniciar os contornos, transitando por outras vias. A primeira é a da pesquisa narrativa (Clandinin; Connelly, 2015), que permite ressignificar o vivido, dizendo de nós, em constante interrelação. A segunda, é a ideia de uma pesquisa inventiva, movente, atravessada pelos cotidianos. Uma pesquisa-experiência (Fernandes, 2011), permeada por uma pesquisa-formação (Longarezi; Silva, 2013), na qual o processo incorpora o vivido, ressignificando, reelaborando e reinventando tanto a pesquisa, quanto a formação. A terceira, traz a conversa como metodologia (Ribeiro; Souza; Sampaio, 2018); na pluralidade de vozes que comporão a pesquisa, nas narrativas costuradas e entremeadas aos referenciais, nas propostas que buscarão o vivido; que se expressará por/com diferentes linguagens; que convida à criação e à memória, que encoraja a subversão e permite invencionices. Uma pesquisa que trará uma multiplicidade de vozes, gestos, memórias e desejos; que pretende conversar por meio de palavras, imagens, sentidos, afetos, buscando a composição de uma cartografia subjetiva (Cintra; Oliveira, 2020), sentimental (Rolnik, 2016) e inventiva (Kastrup, 2019), que se apresentará não só como método, mas como experimentação artística e estésica. REFERÊNCIAS ANTONIO, Severino. Uma nova escuta poética da educação e do conhecimento: diálogos com Prigogine, Morin e outras vozes. São Paulo: Paulus, 2009. BEMVENUTO, Vitória da Silva. Esvaziar para preencher: experiências (trans)formativas de educadoras. 2022. 210 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2022. Disponível em: https://www.unirio.br/ppgedu/dissertacoes/repositorio-de-dissertacoes/1…. Acesso em: 02 jan. 2025. CINTRA, Raissa Helena Rodrigues; OLIVEIRA, Rayssa Roman Fleury de. Ateliê no cotidiano: convite, convívio, continuidade. São Paulo: [s.n], 2020. CLANDININ, D. Jean; CONNELLY, F. Michael. Pesquisa narrativa: experiências e história na pesquisa qualitativa. Tradução: Grupo de Pesquisa Narrativa e Educação de Professores ILEEL/UFU. Uberlândia: EDUFU, 2015. DUARTE JUNIOR, João Francisco. O sentido dos sentidos: a educação (do) sensível. 2000. 234f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2000. FERNANDES, Susana Beatriz. Como uma empirista cega: pesquisa-experiência. Revista Reflexão e Ação, Santa Cruz do Sul, v. 19, n. 2, p. 120-135, jul./dez. 2011. FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. FREIRE, Paulo. Pedagogia dos sonhos possíveis. 3. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2020a. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 73. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2020b. HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática de liberdade. 2. Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2017. HOOKS, Bell. Tudo sobre o amor: novas perspectivas. São Paulo: Elefante, 2021. KASTRUP, Virgínia. Abecedário Virgínia Kastrup: Cartografias da invenção. Canal do CINEAD LECAV no YouTube, 2019. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=mTWns8ACYDU. LE BRETON, David. Antropologia do corpo e a modernidade. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013. LIMULJA, Hanna. O desejo dos outros: uma etnografia dos sonhos Yanomami. São Paulo: Ubu Editora, 2022. LONGAREZI, Andrea Maturano; SILVA, Jorge Luiz da. Pesquisa-formação: um olhar para a sua constituição conceitual e política. Revista Contrapontos - Eletrônica, v. 13, n. 3, set-dez 2013, p. 214-225. OSTETTO, Luciana Esmeralda. A pesquisa em círculos tecida: ensaios de metodologia errante. In: GUEDES, Adrianne Ogêda; RIBEIRO, Tiago (Orgs.). Pesquisa, alteridade e experiência: metodologias minúsculas. Rio de Janeiro: AYVU, 2019, p. 47-72. PATZDORF, Danilo. Pequeno Manual de Autocuidado para corpos esgotados. In: Mover – Práticas Coreográficas de Escrita, SESC Pinheiros, SP, 2021. Disponível em: https://www.sescsp.org.br/files/artigo/729ef987/ec48/4f43/88eb/dd0068ad… RIBEIRO, Sidarta. Sonho manifesto. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. RIBEIRO, Tiago; SOUZA, Rafael; SAMPAIO, Carmen Sanches. Conversa como metodologia de pesquisa – por que não? Rio de Janeiro: Ayvu, 2018. ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. 2. ed. Porto Alegre: Sulina; Editora da UFRGS, 2016. RUFINO, Luiz. Ponta-cabeça: educação, jogo de corpo e outras mandigas. Rio de Janeiro: Mórula, 2023. SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Encantamento sobre política de vida. Rio de Janeiro: Mórula, 2020. [1] Esta pesquisa está vinculada à do Grupo de Pesquisa, que tem o financiamento da FAPERJ.

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  • 1 UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
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  • GE Corpo e Educação