A Qualidade de Vida (QV) é um constructo mutável, e com as mudanças de hábitos ocorridas durante o período da pandemia da COVID-19, pode ter sofrido alterações na forma de perceber a QV, e isso afetou todo o sistema de ensino com a suspensão das aulas presenciais, por conta do isolamento social, o que exigiu que o docente adaptasse suas aulas para o formato online sem qualquer preparação (Saraiva; Traversini; Lockmann, 2020). Sabe-se que a QV é algo subjetivo, para Nahas (2017), pode ser fácil de entender e difícil de mesurá-la, além de poder ser percebida como bem-estar. Neste sentido, objetivou-se descrever a qualidade de vida de docentes do município de Guanambi, Bahia durante a pandemia de COVID-19. O local do estudo foi Guanambi, situado a 796 km da capital Salvador, teve como público-alvo os docentes lotados nas escolas e universidades, particulares e públicas (municipal, estadual e federal). Foram incluídos na pesquisa: professores (efetivos ou temporários); e aceitaram participar voluntariamente da pesquisa. Foram excluídos aqueles que: não preencheram o questionário, ou que deixaram pendentes informações referentes à QV ou pandemia. Trata-se de uma pesquisa descritiva, transversal, do tipo Survey, realizada por meio de aplicação de questionário. Na coleta de dados foram utilizados os questionários: Whooqol versão longa (para QV); questões sobre COVID-19; e sociodemográficas (Castro Neta, 2020 inspirada em Pereira Junior, 2017). Considerando-se a não possibilidade de aplicação do instrumento de forma presencial, optou-se por disponibilizá-lo por meio de link, via formulário único no Google forms. O link foi para o e-mail das instituições em que os docentes estavam vinculados, e só poderia ser preenchido após a concordância prévia com o termo de consentimento livre e esclarecido que aparecia antes do início do formulário. Em 15 dias após o envio foi reenviado outro e-mail. O período para preenchimento do formulário foi de maio a agosto de 2021. As análises realizadas foram a estatística descritiva, com distribuição de frequências (absolutas e relativas), utilizou-se o programa estatístico IBM-SPSS. Esta pesquisa foi aprovada via parecer nº. 3.698.290 do CEP/UNEB. De 54 docentes, 48 foram incluídos no estudo, duas pessoas foram excluídas por ocuparem cargos de coordenação, e quatro por não terem respondido algumas questões sobre QV. Nas questões sociodemográficas prevaleceram: sexo feminino (62,5%); possuem companheiro (a) (64,6%); sem filhos (41,7%); mora com quatro ou mais pessoas (37,5%); eram mestres (37,5%); atuavam no ensino superior (54,2%); e eram efetivos(as) (58,3%). Sobre os comportamentos relacionados à pandemia da COVID-19, encontrou-se que: reconheciam sintomas (95,8%); não tiveram diagnóstico (87,5%); não apresentaram sintomas (66,7%); não tiveram alguém em casa com diagnóstico (77,1%) e nem com sintomas (58,3%); tiveram contato com alguém com diagnóstico positivo (43,8%); todos tinham acesso à internet antes da pandemia; relataram dominar as tecnologias para ministrarem aulas online, mas tiveram dificuldades (52,1%); consideravam o retorno às aulas presenciais após a vacinação da população (72,9%); tiveram boa adaptação para ministrar aulas online (35,4%); pior qualidade de vida durante a pandemia (75,0%); e se perceberam mais ansiosos durante a pandemia (93,8%). Em relação a QV, obtida por meio do WHOQOL, os docentes do afirmaram que a QV era boa ou muito boa (68,7%). Em estudo realizado com professores da Região Sul do Brasil, as análises da QV no trabalho mostraram elevado índice de professores com alto nível de bem-estar (Both et al., 2017). Neste sentido, uma revisão de literatura sobre bem-estar docente realizada no período de 2000 a 2010, encontrou que o nível de satisfação aumentou com o tempo de profissão, as condições de saúde não favoráveis acabam afetando a saúde dos docentes, e destacaram a importância da QV para o trabalhador docente (Neves Neto et al., 2020). Deve-se atentar ao alto nível de docentes ansiosos, Medeiros e Souza (2020) colocam a pandemia e as faltas de políticas de saúde e sociais como responsáveis pelo sofrimento docente. A principal dificuldade do presente estudo foi a baixa adesão dos docentes a participarem da pesquisa, mesmo sendo feita uma ampla divulgação nas instituições e em redes sociais mostrando a importância desta pesquisa. Desta forma, as análises mais robustas ficaram comprometidas. Entretanto, as análises mostraram-se coerentes com o que vem sendo discutido na literatura científica. Conclui-se que: os docentes de Guanambi, Bahia mostraram um bom conhecimento sobre a COVID-19 e uma boa adaptação às mudanças impostas pelo período pandêmico; e que, apesar dos relatos da QV ter piorado durante a pandemia da COVID-19, a avaliação deste constructo foi classificada de forma positiva de forma geral.