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Paulo Freire e as questões didáticas Resumo Nossa questão de pesquisa neste trabalho é: podemos falar de uma didática freireana? Como a perspectiva didática freireana gerada inicialmente em um contexto nacional influencia e é influenciada pelo contexto internacional? Existe a proposta de um método de ensino nos escritos de Paulo Freire? Como as questões curriculares e a seleção do conteúdo programático são vistos em Freire? Com base no que Freire propôs durante sua vida, quais elementos didático-pedagógicos podemos destacar para lidar com as recentes reformas neoliberais? O referencial teórico se baseia na perspectiva de história de vida de Ivor Goodson (2015). A metodologia da pesquisa é de natureza qualitativa e inclui análise bibliográfica e entrevistas com especialistas. As análises revelam que a pedagogia social de Paulo Freire pode ser um contraponto a uma pedagogia globalizada baseada em testes e currículos preestabelecidos. Paulo Freire usou pouco em seus escritos a palavra “didática” mas escreveu sempre sobre sua prática político-didática-pedagógica durante toda a sua vida. Como era formado em Direito e abandonou a profissão de advogado para ser educador sua formação didática deu-se a partir das experiências pedagógicas que teve em diferentes contextos: como professor de língua portuguesa em colégio no ensino médio em Recife; como organizador de atividades de extensão universitária na área de alfabetização de jovens e adultos enquanto professor na Universidade do Recife; organizador da experiência marcante na área de alfabetização de adultos em Angicos/ Rio Grande do Norte entre outros. Depois de exilado, desenvolveu como organizador e participante, uma experiência de alfabetização e pesquisa nos assentamentos em Santiago/ Chile. Essa experiência teve contornos didáticos bastante originais. Quando deixou o Chile, esteve nos Estados Unidos onde entrou em contato com padres que desenvolviam trabalhos comunitários com imigrantes e trabalhou como pesquisador em Harvard dando algumas aulas na universidade onde também aplicou seu método. Em seguida, mudou-se para Genebra e ao assumir cargo na área da educação no Conselho Mundial de Igrejas, Paulo e Elza Freire fundaram o Instituto de Ação Cultural com outros exilados e realizaram trabalhos de assessoria às ex-colônias na África destacando a experiência desenvolvida na Guiné Bissau que foi publicada em língua portuguesa e inglesa. Seus escritos foram fonte de inspiração para muitos outros educadores como fundamento para uma pedagogia crítica. Esse texto tenta recuperar algumas ideias em relação à didática, ao conhecimento, a seleção do conteúdo programático e do material para o ensino e indicações para avaliação. Nas conclusões, a partir da análise bibliográfica e das entrevistas realizadas com especialistas em Freire, são revelados princípios de uma pedagogia e didática freireana e essa perspectiva crítica pode inclusive oferecer subsídios para nos contrapormos a uma cultura educacional mundial comum e uma agenda globalmente estruturada para a educação. Assim, a pedagogia freireana nos ajuda a contribuir para oferecer respostas e propostas de formulação contra-hegemônicas. Segundo Scocuglia (2013) nossa busca de respostas e propostas inspiradas nos escritos de Freire deve estar alerta sobre a parte da cultura educacional que sofre completa redefinição, e, por isso mesmo, o ataque mais incisivo por parte da globalização e do neoliberalismo: o currículo. Referencias BEISIEGEL, Celso Rui. Estado e Educação popular. 2ª ed. Brasília: Líber Livro, 2004 BEISIEGEL, Celso Rui. Política e Educação popular. 2ª ed. Brasília: Líber Livro, 2008. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Método Paulo Freire. 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