Paulo Freire e as questões didáticas

- 213013
Paper-Thematic
Favorite this paper
How to cite this paper?
Abstract

Paulo Freire e as questões didáticas Resumo Nossa questão de pesquisa neste trabalho é: podemos falar de uma didática freireana? Como a perspectiva didática freireana gerada inicialmente em um contexto nacional influencia e é influenciada pelo contexto internacional? Existe a proposta de um método de ensino nos escritos de Paulo Freire? Como as questões curriculares e a seleção do conteúdo programático são vistos em Freire? Com base no que Freire propôs durante sua vida, quais elementos didático-pedagógicos podemos destacar para lidar com as recentes reformas neoliberais? O referencial teórico se baseia na perspectiva de história de vida de Ivor Goodson (2015). A metodologia da pesquisa é de natureza qualitativa e inclui análise bibliográfica e entrevistas com especialistas. As análises revelam que a pedagogia social de Paulo Freire pode ser um contraponto a uma pedagogia globalizada baseada em testes e currículos preestabelecidos. Paulo Freire usou pouco em seus escritos a palavra “didática” mas escreveu sempre sobre sua prática político-didática-pedagógica durante toda a sua vida. Como era formado em Direito e abandonou a profissão de advogado para ser educador sua formação didática deu-se a partir das experiências pedagógicas que teve em diferentes contextos: como professor de língua portuguesa em colégio no ensino médio em Recife; como organizador de atividades de extensão universitária na área de alfabetização de jovens e adultos enquanto professor na Universidade do Recife; organizador da experiência marcante na área de alfabetização de adultos em Angicos/ Rio Grande do Norte entre outros. Depois de exilado, desenvolveu como organizador e participante, uma experiência de alfabetização e pesquisa nos assentamentos em Santiago/ Chile. Essa experiência teve contornos didáticos bastante originais. Quando deixou o Chile, esteve nos Estados Unidos onde entrou em contato com padres que desenvolviam trabalhos comunitários com imigrantes e trabalhou como pesquisador em Harvard dando algumas aulas na universidade onde também aplicou seu método. Em seguida, mudou-se para Genebra e ao assumir cargo na área da educação no Conselho Mundial de Igrejas, Paulo e Elza Freire fundaram o Instituto de Ação Cultural com outros exilados e realizaram trabalhos de assessoria às ex-colônias na África destacando a experiência desenvolvida na Guiné Bissau que foi publicada em língua portuguesa e inglesa. Seus escritos foram fonte de inspiração para muitos outros educadores como fundamento para uma pedagogia crítica. Esse texto tenta recuperar algumas ideias em relação à didática, ao conhecimento, a seleção do conteúdo programático e do material para o ensino e indicações para avaliação. Nas conclusões, a partir da análise bibliográfica e das entrevistas realizadas com especialistas em Freire, são revelados princípios de uma pedagogia e didática freireana e essa perspectiva crítica pode inclusive oferecer subsídios para nos contrapormos a uma cultura educacional mundial comum e uma agenda globalmente estruturada para a educação. Assim, a pedagogia freireana nos ajuda a contribuir para oferecer respostas e propostas de formulação contra-hegemônicas. Segundo Scocuglia (2013) nossa busca de respostas e propostas inspiradas nos escritos de Freire deve estar alerta sobre a parte da cultura educacional que sofre completa redefinição, e, por isso mesmo, o ataque mais incisivo por parte da globalização e do neoliberalismo: o currículo. Referencias BEISIEGEL, Celso Rui. Estado e Educação popular. 2ª ed. Brasília: Líber Livro, 2004 BEISIEGEL, Celso Rui. Política e Educação popular. 2ª ed. Brasília: Líber Livro, 2008. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Método Paulo Freire. Editora Brasiliense.1ed, 1981. FREIRE, Paulo- Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987. FREIRE, Paulo- Ação Cultural para a liberdade e outros escritos. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1976. GOODSON, Ivor- Narrativas em educação: a vida e a voz dos professores. Porto: Porto Editora, 2015. MARCONDES, M. I. Freire as an International Author. In: MIHAESCU, Diana; ANDRON, Daniela. (Org.). Education Beyond the Crisis: New Skills, Children's Rights and Teaching Contexts. 1ed.Sibiu- Romenia: Lucian Blaga University Publishing House, 2019, v. 1, p. 198-203. MARCONDES, Maria Inês. Freire como autor internacional: Pedagogia do Oprimido em Língua inglesa publicada 50 anos atrás. Revista E-Curriculum (PUCSP), v. 16, p. 962-985, 2018. Disponível em: https://bit.ly/3Mf5Lab. Acesso em: 12 dez. 2022. MARCONDES, Maria Inês. Paulo Freire, da cena nacional para a internacional: diálogos sobre currículo e didática com Ira Shor. In: CANDAU, Vera M. (Org.). Didática: tecendo /reinventando saberes e práticas. Rio de Janeiro, 7 Letras, 2018, p.114-133. OLIVEIRA, Carlos César; MARCONDES, Maria Inês. Princípios Freireanos para pensar apesquisa: suscitando diálogos sobre a pesquisa-ação. Revista Cocar, [S. l.], v. 20, n. 38, 2024. Disponível em: https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/8697. Acesso em: 10 ago. 2024. SCOCUGLIA, Afonso Celso. A teoria só tem utilidade se melhorar a prática educativa: as propostas de Paulo Freire. 1ª ed. Petrópolis, RJ: de Petrus et Alii; Rio de Janeiro: FAPERJ, 2013.

Share your ideas or questions with the authors!

Did you know that the greatest stimulus in scientific and cultural development is curiosity? Leave your questions or suggestions to the author!

Sign in to interact

Have a question or suggestion? Share your feedback with the authors!

Track
  • Área Temática 1: Formação de Professores
Keywords
Paulo Freire
didática
pedagogia crítica