OS PROCESSOS DE LETRAMENTO DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL INDRODUÇÃO O ambiente escolar constitui-se como um espaço essencial para a construção do conhecimento, no qual se desenvolvem múltiplos processos de ensino e aprendizagem, fundamentais para a formação de sujeitos críticos em relação ao contexto histórico, social e espacial em que estão inseridos. Dentre os diversos temas relevantes no campo educacional, o presente estudo de mestrado, em andamento, dedica-se à investigação dos processos de letramento de estudantes com Deficiência Intelectual (DI), matriculados nos anos finais do ensino fundamental. Neste sentido, por meio desta temática, busca-se compreender nesta pesquisa como as práticas de letramento da escola incluem as pessoas com Deficiência Intelectual (DI), considerando as necessidades específicas dessas pessoas e as dinâmicas de exclusão às quais são submetidas. Ao abordar as práticas de letramento, busca-se compreender como as atividades de leitura e escrita são conduzidas no ambiente escolar, de modo a possibilitar o desenvolvimento desses alunos enquanto indivíduos capazes de interpretar a si mesmos, ao outro e ao mundo no qual estão inseridos. O termo letramento, segundo a pesquisadora Márcia Mendonça, “é um termo relativamente recente, visto que surgiu há cerca de 30 anos, e nomeia o conjunto de práticas sociais de uso da escrita em diversos contextos socioculturais”. (Mendonça, 2007, p. 46). Em vista disso, compreende-se que o letramento está para além de decifrar códigos, uma vez que estas práticas possibilitam ao sujeito autonomia para fazer uso da leitura e da escrita mediante seu interesse comunicativo, ou seja, letramento é como os sujeitos usam suas habilidades de leitura e escrita para interagir com os contextos os quais estão inseridos. A partir dessa perspectiva teórica, pretende-se neste estudo compreender a percepção dos alunos com Deficiência Intelectual sobre suas experiências com as práticas de letramento; investigar como as práticas pedagógicas inclusivas influenciam os processos de letramento desses alunos, e, identificar as metodologias adotadas pelos docentes para promover o letramento de estudantes com DI, considerando suas especificidades e características. Metodologicamente, trata-se de uma investigação de natureza qualitativa, fundamentada na epistemologia hermenêutica, uma vez que se busca interpretar e analisar os dados obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas. Os participantes da pesquisa serão estudantes com Deficiência Intelectual dos anos finais do ensino fundamental e seus respectivos professores. O estudo será realizado na Escola Centro Educacional Nilton Oliveira Santos, localizada no município de Santaluz, pertencente ao Território do Sisal, a aproximadamente 258 km de Salvador. Dessa forma, espera-se que este estudo contribua para a construção de um diálogo entre a academia e a comunidade escolar, de modo a gerar novos conhecimentos e incentivar práticas educacionais mais inclusivas no que se refere ao letramento de estudantes com Deficiência Intelectual. 2. PROCESSOS DE LETRAMENTOS COMO CAMINHOS POSSÍVEIS PARA A INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL O ambiente escolar constitui um universo de possibilidades e desafios, configurando-se como um espaço de convivência que reflete a diversidade humana. Nele, ocorrem encontros entre diferentes experiências, culturas, etnias, saberes e processos de aprendizagem, sendo essencial que as diferenças sejam valorizadas para que a inclusão se torne uma realidade efetiva. Nesse sentido, é imprescindível compreender que o ensino deve possuir uma abordagem abrangente e acessível, garantindo que a escola seja um espaço para todos aqueles que desejam dela participar. Neste sentido, é crucial refletir sobre o significado da inclusão, que não se resume à adaptação de atividades, à modificação de salas de aula ou à adequação de corredores. A verdadeira inclusão reside na construção de um ambiente educacional que reconheça e respeite as diferenças, promovendo oportunidades equitativas de aprendizagem e participação, reconhecendo, "as práticas de ensino adequadas às diferenças dos alunos em geral, oferecendo alternativas que contemplem a diversidade" (Mantoan, 2003, p.25) Assim, adentrando o campo das práticas de ensino e aprendizagem, destaca-se os processos de letramento escolar, sendo estes essenciais na formação dos sujeitos, uma vez que se trata das práticas de leitura e escrita, cujos são pilares fundamentais para o desenvolvimento humano, cultural e social dos sujeitos. A escola sempre foi vista como um dos principais espaços para aquisição da leitura e escrita, tendo em vista que exerce um papel central quanto aos processos de alfabetização, o qual, para Soares, configura-se como o processo de “aquisição da tecnologia da escrita, isto é, do conjunto de técnicas — procedimentos, habilidades — necessárias para a prática da leitura e da escrita” ( Soares, 2019, p. 11). Ou seja, neste processo, o que é cobrado dos sujeitos é o reconhecimento dos códigos linguísticos. O ensino da leitura volta-se para a aquisição dos fatores lexicais, gramaticais e semânticos, posto que ao sujeito cabe apenas identificar letras e atribuir significados às palavras. Para tanto, essa compreensão acerca dos processos de leitura e escrita foi ampliada no sentido de que ler e escrever iam muito mais além do que codificar e decodificar códigos. Compreende-se, diante neste sentido, a importância de se extrair dos textos seus significados, bem como os sentidos possíveis que possam apresentar. É nesse cenário de ampliação dos atos de ler e escrever que surge o termo letramento que, por muitas vezes, foi tomado como sinônimo de alfabetização. Porém apesar de ser dois termos ligados aos processos de leitura e escrita, constituem processos diferentes, uma vez que “letramento não é necessariamente o resultado de ensinar a ler e a escrever. É o estado ou a condição que se adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter se apropriado da escrita” (Rojo, 2019, p. 14). As práticas de letramento envolvem as situações que promovem o uso da leitura e da escrita de maneira funcional, critica e contextualizada. No nosso cotidiano, lidamos com diversos eventos de leitura e escrita essenciais no que diz respeito a comunicação. Utilizamos a leitura com diversos objetivos, dentre eles, “para informar ou informar-se, para interagir com outros, para imergir no imaginário, no estético, para ampliar conhecimentos, para seduzir ou induzir, para divertir-se, para orientar-se, para apoio à memória, para catarse” (Soares, 2019, p. 12), ou seja, a capacidade de ler e escrever nos coloca diante de um universo cheio de possibilidades, nos permite interagir com o mundo. Desse modo, é possível notar como as práticas de letramentos realizadas na escola são fundamentais para o desenvolvimento dos sujeitos que precisam atuar em um mundo cheio de demandas, o qual exige competências diversas; habilidade comunicacional, tomadas de decisões, superação de desafios, pensamento crítico, compreensão de si e do outro, consciência social, política e econômica, entre outras possibilidades. Nesta perspectiva, percebe-se a importância dos processos de letramentos na vida das pessoas com deficiência, visto que estas práticas oportunizam aos estudantes com e sem deficiência o desenvolvimento de várias habilidades cognitivas, emocionais e sociais, como, por exemplo, a capacidade de ler e escrever para atingir vários objetivos, tal como, aprimorar o conhecimento, informar, desenvolver o pensamento crítico, para interagir com o outro, ampliar a imaginação, expressar sentimentos, ter autonomia, entre tantos outros objetivos. Diante dos aspectos expostos, compreendemos a relevância da equidade no ambiente escolar e como a falta desta impacta diretamente a formação dos sujeitos envolvidos. Sendo assim, resta claro que é salutar (re)pensar e agir no que diz respeito primeiro a Pessoa, ao ser que está neste processo formativo, e consequentemente, pensa-se acerca das estruturas do currículo, o processo avaliativo, os materiais didáticos, as metodologias de ensino, bem como os recursos necessários a serem utilizados, todos estes aspectos quando realizados de forma que atenda às necessidades do alunado, possibilita aprendizagens significativas para todos os estudantes. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo, em andamento, destaca a importância dos processos de letramento como caminhos essenciais para a inclusão de estudantes com deficiência intelectual, haja vista que as práticas de letramentos permitem que os sujeitos desenvolva autonomia, bem como suas possibilidades de comunicação e compreensão do mundo, visto que oportunizam aos estudantes com e sem deficiência o desenvolvimento de várias habilidades cognitivas, emocionais e sociais, como, por exemplo, a capacidade de ler e escrever para atingir vários objetivos, tal como, aprimorar o conhecimento, informar, desenvolver o pensamento crítico, para interagir com o outro, ampliar a imaginação, expressar sentimentos, entre tantos outros objetivos. Neste sentido, a escola desempenha um papel fundamental na promoção de práticas pedagógicas inclusivas que garantam a participação plena e o desenvolvimento de todos os estudantes. Para que a inclusão escolar seja efetivada é essencial que sejam asseguradas oportunidades reais de aprendizagem a cada estudante, respeitando suas particularidades e necessidades educacionais, pois o ambiente escolar precisa ter sentido para todos e este só pode ser alcançado quando os envolvidos se sentem parte dos processos de ensino/aprendizagem. REFERÊNCIAS: GONÇALVES, Adriana Garcia; CAMPOS, Juliana Ap de Paula; CIA, Fabiana. Formação de professores para inclusão escolar: perfil de cursistas de um curso de aperfeiçoamento em letramento para o estudante com deficiência intelectual. In (org) Letramento para o estudante com deficiência. São Paulo: EDUFScar, 2018 p. 10-27. MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por que? Como fazer? 1. Ed. Editora Moderna . São Paulo, 2003. ROJO, Roxane; MOURA, Eduardo. Letramentos. In.: Letramentos, mídias e linguagens. São Paulo: Parábola Editorial, 2019. p. 11-27 SOARES, Magda. Letramento e escolarização. Disponível em:
https://www.construirnoticias.com.br/letramento-e-escolarizacao/. Acesso em: 04 março. 2024.