OS DISCURSOS DAS CRIANÇAS NO PROCESSO DE APROPRIAÇÃO DA ESCRITA NO CONTEXTO DAS PRÁTICAS DOCENTES EM SANTA CATARINA

- 215502
Resumo Expandido - Trabalho em Andamento
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Abstract
OS DISCURSOS DAS CRIANÇAS NO PROCESSO DE APROPRIAÇÃO DA ESCRITA NO CONTEXTO DAS PRÁTICAS DOCENTES EM SANTA CATARINA INTRODUÇÃO Esta pesquisa de doutoramento objetiva investigar os desafios enfrentados pelas crianças de escolas da rede pública estadual catarinense no período de 2020 a 2022, momento da pandemia de COVID-19, causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. A discussão versará sobre as mudanças socioculturais que impactaram a infância no ensino e aprendizado da linguagem escrita durante a pandemia, concebendo o diálogo e a mediação pilares essenciais para a área da Didática. Em Santa Catarina, aproximadamente 540 mil estudantes foram afetados, levando a Secretaria de Estado da Educação a adotar medidas como plataformas digitais para assegurar o acesso e a continuidade do ensino. Assim, torna-se fundamental analisar se as crianças alfabetizadas durante a pandemia, em Santa Catarina, atingiram os objetivos de aprendizagem previstos. As crianças realmente aprenderam a escrever? O que elas dizem e produzem sobre esse período? Isto posto, os objetivos deste trabalho são: investigar os discursos das crianças sobre seu processo de aprendizagem da escrita no período da pandemia da COVID-19; aprofundar o debate acerca da apropriação da linguagem escrita no ensino remoto em escolas públicas do estado de SC, com e sem a mediação do/a professor/a. Segundo Libâneo (2023), a aprendizagem é concebida como um processo mediado por instrumentos culturais e sociais, que resulta na internalização de significados, como saberes científicos e valorativos. A mediação não é uma simples transmissão de conteúdo, mas um processo ativo e dinâmico, que envolve a participação de todos os interlocutores na construção do conhecimento. Vigotsky (1999) e Bakhtin (1999) enfatizam que a aprendizagem ocorre em um espaço de interação, onde o conhecimento não é apenas imposto ao aluno, mas é co-construído por meio de um diálogo contínuo e reflexivo. O diálogo desempenha um papel fundamental nas interações e nas dinâmicas que envolvem as crianças e a prática da escrita no ambiente escolar. A palavra, nesse contexto, é como um recurso simbólico que estabelece a conexão entre o eu e o outro e ultrapassa a compreensão de ser mero código escrito que combina sons ou grafemas; deve ser entendida como um signo repleto de significados, unido ao contexto e à situação social em que é utilizada. Em resumo, a interação verbal é essencial para o desenvolvimento das habilidades de escrita e para a construção colaborativa e significativa do conhecimento, além de ser fundamental para socializar ideias, sentimentos e experiências, especialmente na alfabetização. (Amaral, 2010; Soares, 2020; Alessi e Garanhani, 2024). METODOLOGIA A pesquisa adota uma abordagem teórica e metodológica histórico-cultural e interacional, da linguagem e da infância, visando compreender a escrita não apenas como uma habilidade técnica, mas como uma prática cultural e social, essencial para uma formação crítica e integral. A pesquisa qualitativa, proposta por Bogdan e Biklen (1994), é adequada para compreender as dinâmicas e os significados atribuídos pelos participantes, explorando as subjetividades e interações sociais de forma profunda. Souza e Kramer (1996) enfatizam que a pesquisa com crianças deve reconhecê-las como sujeitos históricos e culturais, valorizando sua capacidade de narrar suas experiências humanas e reflexões. Abordagens qualitativas promovem a escuta sensível das crianças e valorizam seu papel ativo na construção do conhecimento. Alessi e Garanhani (2024) sugerem integrar a teoria de Bakhtin, destacando a importância das interações sociais na formação do conhecimento, especialmente no contexto de práticas de linguagem colaborativas entre as crianças. A pesquisa de campo tem predileção pela roda de conversa e o desenho como ferramentas essenciais para a coleta de dados, promovendo flexibilidade e diálogo. A roda de conversa, quando combinada com o desenho, é um importante instrumento interacional que permite coletar informações diretas das crianças sobre suas experiências e desafios no processo de aprendizagem. O desenho é valioso em estudos com crianças, pois permite a elas expressarem suas percepções e sentimentos visualmente, revelando aspectos muitas vezes difíceis de verbalizar. (Natividade, Coutinho, Zanella, 2008) A pesquisa será realizada em uma escola da rede estadual de Florianópolis, que oferece ensino desde o Fundamental até o Médio. A escolha da instituição se baseia em seu destacado histórico de excelência educacional e na importância que possui na formação de diversas gerações de estudantes na cidade. Com décadas de atuação, a escola é amplamente reconhecida por sua qualidade de ensino e pelo impacto significativo na educação básica. Seu compromisso contínuo com a formação de professores e alunos a torna um local privilegiado para investigar o processo de alfabetização, assim como para refletir sobre os desafios e a diversidade educacional da região. Além disso, a escola se consolidou como uma referência para a comunidade escolar e um elo entre a educação pública e a cidadania. RESULTADOS PARCIAIS E DISCUSSÃO As crianças participantes da pesquisa ingressaram no 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental em 2020, durante o ciclo de alfabetização. Hoje, elas estão no 6º, 7º e 8º ano, com trajetórias distintas a depender do ingresso. Esse cenário diversifica a análise das interações dialógicas sobre os aprendizados adquiridos e as maneiras como escrevem. O diálogo suscita questões sobre se as crianças realmente aprenderam a escrever e o que elas expressam sobre esse período desafiador. Reconhecendo a importância da mediação na alfabetização, surgem as questões: quais diálogos estão estabelecendo com seus professores atualmente? Sobre o que escrevem e como escrevem? Tais questionamentos movem a pesquisa no sentido de compreender o processo de alfabetização no período pandêmico e seus efeitos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os dados ainda preliminares indicam que o debate sobre a aprendizagem da escrita como um processo de interação verbal, influenciado pelo contexto social em que a criança está inserida, é de suma importância para a formação do(a) pedagogo(a) alfabetizador(a), especialmente no contexto das tecnologias digitais. Em um cenário educacional cada vez mais mediado por dispositivos tecnológicos, a capacidade de dialogar, explicar e interagir verbalmente com as crianças se torna crucial para promover um aprendizado significativo. Para os pedagogos alfabetizadores, a interação verbal é um processo dialógico para mediar, orientar e acolher as crianças, com vistas a criar estratégias de ensino para a produção do conhecimento e o aprendizado da escrita para que se configure como uma prática integrada ao contexto social e dotada de significado. Considerando as complexidades da educação atual, a formação dos pedagogos é chamada a contemplar tanto o desenvolvimento de competências comunicativas que possibilitem uma alfabetização inclusiva quanto o domínio das ferramentas digitais, capazes de acompanhar as necessidades e os desafios do mundo contemporâneo. E o que dizem as crianças sobre o seu processo de aprendizado da escrita realizado durante a pandemia? Eis que essa “aventura pensada” (Sidnei, 2016, p. 62) está apenas iniciada. Palavras-chave: Didática. Infância. Alfabetização. Leitura e escrita. Interação Verbal. REFERÊNCIAS ALESSI, Viviane Maria, GARANHANI, Marynelma Camargo. Pesquisa com crianças: um olhar na perspectiva do Círculo de Bakhtin. São Paulo: Hucitec, 2024. BAKHTIN, M. (Voloshinov). Marxismo e filosofia da linguagem. Tradução de Michel Lahud e Yara F. Vieira. São Paulo: Hucitec, 1999. BOGDAN, R.; BIKLEN, S.. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à Teoria e aos Métodos. Porto: Porto Editora, 1994 SOUZA, S. J.; KRAMER, S. Experiência humana, história de vida e pesquisa: um estudo da narrativa, leitura e escrita de professores. In: KRAMER, S.; SOUZA, S. J. (org). Histórias de professores: leitura, escrita e pesquisa em educação. São Paulo: Ática, 1996, p. 13-43. LIBÂNEO, J. C.. Da didática crítico-social à didática para o desenvolvimento humano. In: Didática crítica no Brasil. LONGAREZI, Andréa Maturano, PIMENTA, Selma Garrido, PUENTES, R. V. (orgs.). São Paulo: Cortez, 2023, p. 58 - 110. MACEDO, R. S. A pesquisa e o acontecimento compreender situações, experiências e saberes acontecimentais. Salvador: EDUFBA, 2016. MELLO, S. A. Ensinar e aprender a linguagem escrita na perspectiva histórico-cultural. Rev. psicol. polít., Dez 2010, vol.10, no.20, p.329-343. ISSN 1519-549X. NATIVIDADE, M. R.; COUTINHO, M. C.; ZANELLA, A. V. Desenho na pesquisa com crianças: análise na perspectiva histórico-cultural. Revista Contextos Clínicos, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 9-18, jan./jun. 2008. SOARES, M. Alfaletrar: toda criança pode aprender a ler e escrever. São Paulo: Contexto, 2020. VIGOTSKY, L. S. O desenvolvimento psicológico na infância. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

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Institutions
  • 1 UFSC- Universidade Federal de Santa Catarina
Track
  • GT04 - Didática