MEMES DE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTÓRIA PÚBLICA

- 216063
Resumo Expandido - Trabalho em Andamento
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Abstract
MEMES DE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTÓRIA PÚBLICA Pensando em como os memes históricos tem circulado na última década, nosso trabalho tem como objetivo propor o conceito de Memes de Ensino de História como uma estratégia pedagógica a partir da análise das potencialidades dos memes históricos presentes nas redes sociais e de como eles -por meio de uma operação historiográfica- podem auxiliar no processo de ensino e aprendizagem da disciplina História. Consideramos os memes presentes em diversas plataformas digitais (Instagram, Facebook, Tiktok, por exemplo) como fontes históricas relevantes, na medida em que se constituem como narrativas que contém diversas temporalidades circunscritas e horizontes de expectativa (KOSELLECK, 2006) acerca do presente, do passado e do futuro. Os estudos de Koselleck acerca de uma nova perspectiva sobre a relação entre tempo e História contribuíram para a reflexão acerca da “experiência” e a “expectativa”, apresentadas pelo autor como duas categorias históricas que “entrelaçam passado e futuro” (KOSELLECK, 2006). É interessante notar como os memes históricos operam de maneira alinhada com a ideia de um regime presentista (HARTOG, 2013), pois muitos memes possuem elementos do passado com o objetivo de gerar humor ou provocar reflexão sobre o presente. Tais conceitos servem como instrumentos para problematizar o tempo histórico, entendido como “um valor adequado à história e cuja transformação pode-se deduzir da coordenação variável entre experiência e expectativa” (KOSELLECK, 2006, p.308). Essas categorias auxiliam na compreensão desse novo regime de historicidade marcado por um tempo que, devido ao desenvolvimento tecnológico, parece estar mais acelerado promovendo transformações constantes e por uma ruptura com o passado em direção ao futuro com um horizonte de expectativa cada vez mais incerto e inseguro, onde emergem cada vez mais lugares de memória. Dessa forma, pretendemos trabalhar os memes históricos presentes nas redes sociais considerando as suas diversas temporalidades bem como a dimensão constitutiva da produção do conhecimento histórico (MONTEIRO, 2007). Em termos de pesquisa, consideramos o conceito ruseniano de Cultura Histórica, ou seja, a forma que a História é apresentada e compartilhada nos espaços públicos, sendo a expressão da consciência histórica da sociedade, por meio de memes veiculados em diversos espaços públicos na internet (JÖRN RÜSEN, 2015). Logo, a análise do conhecimento histórico em ambientes formais e não formais dialoga com a perspectiva da História Pública, pois os memes históricos que são criados e compartilhados em ambientes digitais não formais. De acordo com a professora e historiadora Sônia Wanderley, “O professor/historiador público entende o conhecimento histórico escolar como uma construção compartilhada para a qual contribuem narratividades que se entrecruzam muitas vezes em oposição” (WANDERLEY, 2020, p.136). Dessa forma, torna-se necessário estudos que auxiliem na reflexão do Ensino de História associada às novas tecnologias e formas digitais de acesso e produção de conhecimento. A pesquisa possui uma abordagem qualitativa e encontra-se em fase de levantamento de fontes e de revisão bibliográfica. Nos debruçamos na análise dos usos da História fora dos ambientes formais, coletando e analisando os memes que fazem referência às representações em torno da relação entre Brasil e Portugal no período imperial e os efeitos sociais, econômicos e políticos dessa relação que se encontram presentes em diversas páginas nas plataformas de redes sociais. Coletamos até o momento cerca de 100 memes presentes em três páginas do Instagram: a O History Memes; História no Paint e Oficial tv imperial. Na plataforma Tiktok encontramos páginas de memes, muitas delas criadas por professores como a do Professor Danilo, criador de um canal História e Tu. Encontramos também blogs, como o da Professora Daiana e diversas outras páginas no Facebook como a página Memes Históricos. Uma das páginas presentes na plataforma Instagram é conhecida pela sua proposta de “ensinar” História como, por exemplo, a página O History Memes- com 1.743 publicações visuais e audiovisuais na página e cerca de 50 mil seguidores ativos interagindo com a páginas cotidianamente- produz memes históricos e traz na descrição do seu status os seguintes dizeres: “iremos simplificar a história”. Os critérios de escolha das páginas no Instagram foram a interatividade do público e o quantitativo de seguidores. No decorrer da pesquisa pretendemos entrevistar os criadores das páginas para refletirmos acerca das causas que os levaram a criar tais ambientes. Em um outro momento também serão elaborados questionários para saber o percentual de professores que utilizam os memes presentes nas redes sociais. Os memes coletados nessas páginas serão mapeados e analisados a partir das contribuições metodológicas dos historiadores Marco Napolitano e do historiador Peter Lee. Napolitano, ao falar das fontes visuais argumenta que esses materiais não são apenas ilustrações, mas fontes históricas que carregam significados, refletindo contextos de produção, já que os memes são produtos audiovisuais digitais que circulam nas redes sociais, combinando imagens, textos e referências culturais. Usamos também os referenciais de Peter Lee com foco em seu conceito de pensamento histórico e nos "conceitos de primeira e segunda ordem". O conceito de primeira ordem refere-se aos "fatos" ou conteúdos históricos: eventos, pessoas, datas, lugares e narrativas específicas, contidos no meme. Já o conceito de segunda ordem, envolve ferramentas analíticas que permitem interpretar e organizar os fatos. O recorte temático que escolhemos dialoga com fatos históricos -como a independência (1822), a abdicação de Dom Pedro I (1831), o reinado de Dom Pedro II (1840-1889) e a abolição da escravatura (1888) - que são retomados frequentemente por meio de memes sobre personagens históricos que são relidos e usados como símbolos políticos; rememoração de eventos históricos; movimentos de resistência e anacronismos humorísticos. A análise será estruturada para mostrar como esses memes podem ser interpretados ou utilizados de forma crítica e investigativa, por meio de uma abordagem pedagógica centrada no pensamento histórico, enfatizando que aprender história não é apenas memorizar fatos, mas desenvolver habilidades analíticas. Em uma era marcada pela produção de informações falsas, torna-se imprescindível estratégias científicas que combatam as fake news históricas e que valorize a operação historiográfica no processo de construção do conhecimento histórico. E o que seria um Meme de Ensino de História? Partimos do pressuposto que um meme histórico presente nas redes sociais faz referências a um fato histórico e não possui um compromisso com um princípio de realidade histórico. Porém, quando esse mesmo meme é utilizado de forma crítica, com levantamento de questões pertinentes de segunda ordem temos uma operação historiográfica (WANDERLEY, 2020) que torna esse meme um Meme de Ensino de História. PALAVRAS-CHAVE Memes, Ensino, História. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS HARTOG, François. "Regimes de Historicidade. Presentismo e Experiências do Tempo". Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2013. KOSELLECK, Reinhardt. Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto Editora; Editora PUC Rio, 2006. LEE, Peter. Progressão da compreensão dos alunos em História. In: BARCA, Isabel (Org.) Perspectivas em Educação Histórica: Actas das Primeiras Jornadas Internacionais de Educação Histórica. Braga: UMINHO, 2001. MONTEIRO, Ana Maria Ferreira da Costa. Professores de História: entre saberes e práticas. Rio de Janeiro, Editora Mauad, 2007. NAPOLITANO, Marcos. Fontes audiovisuais: história e pesquisa. São Paulo: Contexto, 2018. RÜSEN, Jörn. Didática da história: passado, presente e perspectivas a partir do caso alemão. In: SCHMIDT, Maria Auxiliadora; BARCA, Isabel; MARTINS, Estevão de Rezende. Jörn Rüsen e o ensino de História. Curitiba: Editora da UFPR, 2010. p. 23-40. WANDERLEY, Sônia. O entrelugar do aprendizado escolar de História: uma perspectiva de História Pública. Revista História Hoje, v. 9, no 18, p. 125-144, 2020. REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS BLOG DA PROFESSORA DAIANA. 2025. Disponível em: professoradaiana.blogspot.com CANAL HISTÓRIA E TU. 2022. Disponível em: https://www.tiktok.com/@profdanilodohistoriaetu?lang=pt-BR HISTÓRIA NO PAINT. 2018. Disponível em: www.instagram.com/historinanopaint/ OFICIAL TV IMPERIAL. 2017. Disponível em: www.instagram.com/oficialtvimperial/ O HISTORY MEMES. 2018. Disponível em: www.instagram.com/ohistorymemes.com/

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