ESCUTAR PARA TRANSFORMAR: AS VOZES DOS ESTUDANTES E SUAS PERCEPÇÕES SOBRE A ESCOLA PÚBLICA

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Resumo Expandido - Trabalho em Andamento
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Abstract
ESCUTAR PARA TRANSFORMAR: AS VOZES DOS ESTUDANTES E SUAS PERCEPÇÕES SOBRE A ESCOLA PÚBLICA A pesquisa "A Voz dos Estudantes: Percepções sobre a Escola Pública nas Vivências da Educação Básica" constitui-se como uma rede interdisciplinar formada por professores doutores de dois programas de pós-graduação, pesquisadores pós-doutorandos, um mestrando (que atua como diretor de escola pública no Estado de Pernambuco) e uma bolsista de iniciação científica em Psicologia (CNPq) todos vinculados a uma Universidade de São Paulo. Conta também com uma diretora de Escola Técnica Federal (ETEC), professores da rede pública e 22 estudantes do Ensino Médio como bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Nessa pesquisa, eles assumem o protagonismo no processo investigativo que se alinha ao propósito da distribuição de bolsas, voltadas para a formação de futuros cientistas. O foco no Ensino Médio se justifica pela recente reorganização que atingiu o cotidiano escolar, impulsionada pela Lei nº 13.415/2017, que visa estabelecer uma mudança em sua estrutura, ampliando o tempo mínimo de permanência do estudante na escola e definindo uma nova organização curricular. Essa mudança foi motivada pela constatação de que essa fase de formação não estava atendendo aos requisitos mínimos estabelecidos por avaliações externas, como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos(Pisa) cujos resultados revelavam um desempenho abaixo da média dos estudantes dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Isso se justifica pois, segundo os estudos de Carneiro (2012) e Oliveira (2018), o Ensino Médio pode ser considerado como um cenário formativo que tem negligenciado a preparação tanto para o mercado de trabalho quanto para a continuidade dos estudos na Educação Superior OBJETIVO Este resumo expandido – trabalho em andamento, submetido à 42ª Reunião Nacional da ANPEd – tem como objetivo apresentar as ações investigativas já realizadas no âmbito da pesquisa, com ênfase especial no processo formativo dos jovens pesquisadores do envolvidos. Considerando o estágio atual de desenvolvimento do estudo, busca-se divulgar os avanços alcançados, as estratégias metodológicas adotadas e os aprendizados gerados até o momento, destacando a participação ativa dos bolsistas na construção e aplicação dos instrumentos de pesquisa. Uma delas, consiste na elaboração de uma Matriz de Especificação para estruturar o questionário (Q1) que será aplicado em 220 estudantes de seis escolas públicas participantes da pesquisa, distribuídas em três municípios: uma escola em Vitória e Santo Antão (PA), uma em Osasco (SP) e quatro na capital paulista. É importante registrar que pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa(CEP), conforme Parecer Consubstanciado nº 7.397.244, garantindo o cumprimento de todos os requisitos éticos necessários para a realização do estudo. REFERENCIAL TEÓRICO Em relação ao Ensino Médio seu histórico remonta à própria LDB. No art. 35, § 7º, atualizada em 2017 por meio da Lei nº 13.415/2017, que reorganiza a estrutura curricular do Ensino Médio, juntamente com a Resolução nº 3/2018, que atualiza as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM). Em 2018, o Conselho Nacional de Educação institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular(BNCC) por meio da Resolução CNE nº 2/2017. Além dessas alterações provocadas pelas políticas públicas as experiências da Covid-19, também provocaram alterações no cotidiano da vida escolar. A pandemia agravou ainda esses desafios ao interromper o fluxo tradicional das aulas e introduzir o ensino remoto emergencial, gerando lacunas no aprendizado e afetando as interações sociais no ambiente escolar. Nesse cenário conturbado, o que pensam os estudantes sobre a escola que frequentam? Será que eles enxergam essa instituição como um espaço acolhedor e capaz de suprir suas expectativas? METODOLOGIA Para responder a estes questionamentos essa pesquisa previu a aplicação de um questionário(Q1), constituído de 07 categorias e 22 subcategorias, que foi desenvolvido em colaboração com os estudantes bolsistas do projeto. Nesta apresentação, destacamos os resultados do processo de construção do questionário desenvolvido pelos estudantes de Vitória de Santo Antão (PB). A metodologia proposta estabelece que cada escola elabore suas questões com base no conjunto predefinido de categorias e subcategorias. Posteriormente, haverá uma consolidação das contribuições de todas as instituições, resultando na versão final do Q1 que será aplicado de forma padronizada nas seis escolas, assegurando a coesão metodológica da pesquisa. A versão final do Q1 incorporou um conjunto de assertivas sobre o tema "Preconceitos". A integração dessas assertivas buscou ampliar a coleta de dados, permitindo articular os objetivos da pesquisa principal com uma abordagem complementar sobre questões sociais relevantes no universo adolescente. Tais assertivas estão organizadas em 8 categorias temáticas (racial, de gênero, xenofobia, etarismo, sexual, gordofobia, capacitismo e aporofobia), cada uma com subcategorias específicas. Para garantir uma análise das respostas, propõe-se uma escala Lickert de 4 pontos, em que os participantes indicarão seu grau de concordância com cada assertiva: (1) Concordo 100%, faz total sentido; (2) Concordo com a ideia, mas não é perfeita; (3) Discordo, mas não me convenceu, e (4) Discordo total. RESULTADOS PARCIAIS A Matriz de Referência que sustenta a organização do Q1, está organizada o em dois eixos principais (ALUNO e ESCOLA). Cada desdobrado em categorias e subcategorias que mapeiam aspectos críticos da experiência educacional. No eixo ALUNO, as categorias incluem PERFIL(com subcategorias como Características – gênero, idade, religião – e Nível Sócio Econômico (NSE) – escolaridade dos pais e região de moradia e FAMÍLIA (composição e clima familiar). Já o eixo ESCOLA divide-se em ESPAÇOS (subcategorizados em Físicos – pátio, quadra, refeitório – e Pedagógico – sala de aula, laboratórios, biblioteca e auditório), RELAÇÕES (interação diretor-alunos, aluno-aluno, aluno-professor e professor, BEM-ESTAR (alimentação, lazer, acolhimento) e FORMAÇÃO (componentes curriculares, preparo para vestibular e mercado de trabalho). Essa estrutura hierárquica permite uma análise sistêmica, conectando características individuais dos alunos às dinâmicas escolares, com recortes específicos para detalhamento operacional. O modelo buscará correlacionar estruturas familiares (socioeconômicas) com as da escola em que ocorre o processo formativo. CONSIDERAÇÕES FINAIS A participação ativa dos bolsistas(PIBIC-EM) de Vitória de Santo Antão constituiu uma etapa necessária para a legitimação das categorias e subcategorias do Q1. Por meio de encontros presenciais com a coordenação da pesquisa, eles não apenas discutiram e validaram a estrutura do Q1, mas também colaboraram na aplicação de um pré-teste que refinou a linguagem do instrumento, tornando-o mais acessível e atrativo para o público jovem. Esse processo assegurou que o Q1 refletisse as realidades e percepções dos estudantes, reforçando sua validade metodológica. Após a finalização, o Q1 será impressos e aplicado pelos próprios bolsistas, que terão a oportunidade de vivenciar todas as etapas da pesquisa – desde a coleta de dados até a composição de um banco de dados estruturado. Para garantir a qualidade do trabalho, receberá orientações específicas dos coordenadores, incluindo protocolos de aplicação, ética em pesquisa e organização das informações. Essa abordagem participativa não apenas fortalece a credibilidade científica do estudo, mas também capacita os bolsistas em técnicas de investigação social, integrando formação acadêmica e prática investigativa. Os resultados da aplicação do Q1 vão orientar, o uso da técnica qualitativa de pesquisa denominada Grupo Focal. Conforme destaca Gatti (2005), essa metodologia permite explorar o que os participantes pensam sobre determinado tema, que no caso específico desta pesquisa, o que eles consideram positivo na escola (Que bom!), o que veem como problemático (Que pena!) e as sugestões para melhorias (Que tal!). REFERÊNCIAS BRASIL. Base Nacional Comum Curricular BNCC, Brasília, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofina…. Acesso em: 23 maio 2024. BRASIL. Lei 13415, de 16 de fevereiro de 2017. Altera as Leis n º 9.394/1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, (...) e institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. Presidência da República. Brasília-DF, 2017. BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Presidência da República. Brasília-DF, 2014. BRASIL. Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Presidência da República. Brasília-DF: Casa Civil, 1996. BRASIL. Resolução nº 3, de 21 de novembro de 2018. Atualiza as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Ministério da Educação. Brasília-DF, 2018. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 2016. BRASIL. Parâmetros de atualização do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. Ministério da Educação. Brasília-DF, 2022. BRASIL. Resolução CNE/CP nº 2, de 22 de dezembro de 2017. Institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular, a ser respeitada obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas modalidades no âmbito da Educação Básica. Ministério da Educação. Brasília-DF, 2022. CARNEIRO, M. A. O nó do ensino médio. São Paulo: Vozes, 2012. GATTI, B. A. Grupo focal na pesquisa em ciências humanas. Brasília: Liber Livro, 2005. OLIVEIRA, R. de. O ensino médio e a inserção juvenil no mercado de trabalho. Trabalho, Educação e Saúde [online]. 2018, v. 16, n. 1, pp. 79-98.

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  • 1 UNIVERSIDADE CIDADE SÃO PAULO
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  • GT20 - Psicologia da Educação