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O presente texto busca analisar a formação da primeira turma de normalistas da Escola Normal Assunta Fortini, de Barão/RS, bem como a atuação desses docentes na década de 1960. Num estudo, da história da educação, sobre instituições escolares (Magalhães, 2004) Para tanto, foram realizadas entrevistas, tendo como base o referencial teórico-metodológico da História Oral e da Memória. Entre as entrevistadas constam normalistas e uma professora da primeira turma do Curso Normal em Barão/RS. Ainda, de forma complementar, apresenta os antecedentes da criação do Curso Normal, bem como um breve histórico dos demais protagonistas desta história, ou seja, a direção e demais docentes e discentes. Vale ressaltar as memórias destas normalistas que preencheram o quadro docente da primeira turma, no ano de 1962 e que, conforme constatado, aguardavam a criação do Curso Normal público na localidade para seguir a profissão almejada. Destacam-se os conceitos de representações (Chartier, 2002) e culturas escolares (Vidal (2005), Escolano Benito (2010), Vinão Frago (2000)) conferidas na formação docente do período em estudo. Barão/RS fica localizado no Vale do Caí e na divisa com a Serra Gaúcha. Uma região que conta com uma diversidade cultural, por ser região que divide territórios de colonização por descendentes de imigrantes alemães, no Vale do Caí, e italianos, na Serra Gaúcha. Nos primórdios dos anos de 1930, enquanto nos interiores da Vila Barão os descendentes de imigrantes italianos e alemães colocavam em prática iniciativas de instituir escolas étnicas, comunitárias e de confissão religiosa, católicas ou evangélicas, na Vila institui-se o Grupo Escolar. com bastante simplicidade e a precariedade. Além de ser marcado pelas práticas do nacionalismo como as horas cívicas, semanas da pátria e outros momentos cívicos que ficaram registrados na história da instituição, outra característica era a constante oscilação e troca de docentes, que vinham de outras localidades. E, é justamente nesse espaço do grupo escolar, que atende os alunos da Vila Barão, que passa a ser fomentada a necessidade de um curso de formação de professores, devido a troca constante de professores. Diante dessa necessidade, as lideranças locais buscam a escola normal. Entre movimentos e as articulações políticas para alcançar o objetivo de instalar a escola foi alcançado junto da comunidade escolar em um momento de celebração. Foi criada a Escola Normal de Grau Ginasial no dia 3 de outubro de 1962, por meio do Decreto nº 14.193, na Vila de Barão, no município de Montenegro. Após o processo e movimento de criação da escola se concretizar chegou o momento de iniciar o Curso Normal, de fato, com as turmas, aulas, professores e diretores, cada um em seu posto, ocupando seu lugar e exercendo as suas funções. Além do conjunto arquitetônico e das estratégias para o funcionamento era necessário pensar nos recursos humanos, os sujeitos escolares, sujeitos dessa história. Nesse sentido constituiu-se a primeira turma para dar início ao processo escolar. Apresento no quadro a seguir a primeira formação de turma da Escola Normal Assunta Fortini. Conhecer a história da primeira turma de normalistas da Escola Normal Assunta Fortini, de Barão/RS, nos leva a entender a construção do discurso, ou mesmo, dos muitos discursos e perceber as próprias práticas educativas que marcaram esta turma. Os sujeitos dessa história vivenciaram o início escolar do Curso Normal em Barão, certamente ainda em organização, com experimentos, testes, tentativas e muita expectativa para esse começo, que é rico em representações. Gallego (2015, p. 8) sobre as ressignificações dadas a cada demanda pelos sujeitos escolares: Conforme a relação apresentada a primeira turma do Curso Normal iniciou as suas atividades no m?s de abril do ano de 1963. Naquele ano a escola tinha o diretor Euclides Rigo, que chegou na escola como um interventor: No quadro de docentes, que conforme depoimento de Calliari “vieram professores de Garibaldi, Farroupilha, Caxias do Sul e até de Porto Alegre”, estavam no total de 14 professores, sendo destes 4 mulheres e 10 homens Já, quanto aos discentes, a primeira turma de normalistas, em seu primeiro ano teve 18 alunos, sendo 14 moças e 4 rapazes. nota-se aí a forte presença feminina na turma de alunos, enquanto que, no caso dos professores, havia mais a presença masculina. Referências Bibliográficas: CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. 2.ed. Rio de Janeiro: DIFEL, 2002. ESCOLANO BENITO, Agustín. A escola como cultura: experiência, memória e arqueologia. Tradução e revisão técnica: Heloísa Helena Pimenta Rocha, Vera Lucia Gaspar da Silva. Campinas: Editora Alínea, 2017. VIDAL, Diana Gonçalves. Culturas escolares: estudo sobre as práticas de leitura e escrita na escola primária (Brasil e França, final do século XIX). Campinas: Autores Associados, 2005 VIÑAO FRAGO, António. El espacio y el tiempo escolares como objecto histórico. Contemporaneidade e Educação. Temas de História da Educação, Rio de Janeiro, ano 5, n. 7, 2000. GALLEGO, R. C.. Relatos dos tempos de escola no processo de formação docente: aliados na reflexão sobre tradições e imperativos de mudanças presentes na cultura escolar. In: RIOS, Jane Adriana V. P.. (Org.). Docência na Educação Básica. Salvador: EDUNEB, 2015, v. 1, p. 125-157. MAGALHÃES, Justino Pereira de. Tecendo Nexos: história das instituições educativas. Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2004.
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