A Educação inclusiva é uma proposta mundial que contempla as discussões de gênero, indígenas, quilombolas, negros em sua etnicidade, e as pessoas com deficiência (Unesco, 2019). A sustentabilidade contempla o uso consciente e a preservação da terra para as gerações futuras. Permeia discussões na gestão, meio ambiente, no social e na economia. Destaca-se o social que visa promover o bem-estar da sociedade e a diminuição da desigualdade (Unesco, 2015). Então, questiona-se: como a sustentabilidade e a inclusão impactam a escola e a prática docente? A Unesco (2019) destaca que todo estudante é importante e tem igual importância e apresenta os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) que se baseiam nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e nos objetivos de Educação para Todos (EPT), que propõe que “assegurem uma educação de qualidade inclusiva e equitativa e promovam oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”. Para alcançar os ODS, criou-se o Marco de Ação de Educação 2030 que evidencia os excluídos e marginalizados “São considerados aprendizes excluídos aqueles das famílias mais pobres, minorias étnicas e linguísticas, povos indígenas, e pessoas com necessidades especiais e deficiências” (Unesco, 2019, p.12). Para a Unesco (2019), inclusão e equidade devem transitar simultaneamente na escola e na atuação docente a fim de que todos os estudantes sejam contemplados, inclusive para que se promova justiça curricular na forma de viabilizar o conhecimento e promover a aprendizagem. Sobre a inclusão e a justiça curricular, compreende-se que deve estar articulada com os princípios básicos da Didática (Libâneo, 2012) contemplando as informações sobre a escola, seu público com seus dados minuciosos sobre gênero, território (povos tradicionais) mesmo se escola urbana dada a migração necessária de estudantes pela ausência de série/ano disponível em sua comunidade, se pessoa com deficiência ou se necessita de alguma atenção especial de aprendizagem, e adiciona-se aqui a síntese de evasão e a motivação investigada. A informação sobre o público estudante da escola permite conhecer os excluídos e marginalizados e assim promover ações pedagógicas na escola a fim de reduzir as desigualdades e, além disso, possibilita planejar aulas com metodologias que contemplem a todos e se será preciso suporte do profissional da Educação Especial, por exemplo. Para Arroyo (2014), esses atores e atrizes, são sujeitos sociais, que, invisibilizados, são apenas recebedores de políticas compensatórias e educativas, mas que a partir de agora, marcam sua presença nas lutas, são visíveis e apresentam resistência. A relação com outro é necessária para que o processo formativo aconteça, entendendo o estudante como parte integrante e indissociável no processo de ensino e aprendizagem. Além disso, reforça-se que a escola é para todos e deve refletir seu público, acolher os seres humanos de forma ética, política e pedagógica (Fernandes, Santos, Albuquerque, 2023) e retomar as reflexões de Silva (2019) que enfatiza currículo é vida, e adiciona-se que a escola é espaço de vida com pessoas diferentes e diversas. As autoras Fernandes, Santos e Albuquerque (2023) destacam “As vidas que estão sendo vividas nos espaços físicos se expressam cotidianamente e são diversas do ponto de vista étnico, religioso, geracional, de gênero, de raça, de classe social, de pertencimento geográfico e de condição de saúde.” (Fernandes, Santos, Albuquerque, 2023, p. 1076). Considera-se relevante destacar que autores da Psicologia Ambiental como Arcaro e Gonçalves (2012) revelam que a escola fomenta identidades e apropriação do espaço quando nos sentimos parte e nos vinculamos ao lugar. Então, quando bem planejadas e articuladas as ações, a escola gera impactos que reduzem as desigualdades sociais e impactam a família, a comunidade e a sua região. Algumas questões são perenes e devem permear nossas práticas docentes: o que minha escola reflete? A escola tem contemplado as identidades que se fomentam em seu espaço? Tenho trabalhado com a concepção de uma escola para todos em minhas aulas e atividades propostas? Tenho valorizado a história dos povos tradicionais e das pessoas diferentes em minhas aulas e atividades? O que faço para reduzir as desigualdades? Esses questionamentos devem ser gestados dentro do fazer pedagógico, e imbricado com a comunidade na qual a escola está inserida. Ao passo que a escola propõe e aplica um ensino que vise a equidade entre os discentes, atingiremos o objetivo de escola cidadã e humana. Na proposta de educação para todos e todas, os alunos das comunidades dos campos diversos necessitam do reconhecimento de suas especificidades para a construção da identidade e do fortalecimento do sentimento de pertencimento desse espaço que é comum a todos que ali habitam. Referências: ARCARO, Rosevane; GONÇALVES, Teresinha Maria. Identidade de lugar: um estudo sobre um grupo de moradores atingidos por barragens no município de Timbé do Sul, Santa Catarina. RA ´E GA, v. 25, p. 38-63, 2012. ARROYO, Miguel Gonzáles. Outros Sujeitos, Outras Pedagogias. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. FERNANDES, Ana Paula Cunha dos; SANTOS, Marlene Oliveira dos; ALBUQUERQUE, Simone Santos de. Educação Infantil do Campo: diálogos sobre o espaço, o ambiente e a arquitetura escolar. Retratos da Escola, [S. l.], v. 17, n. 39, 2023. DOI: 10.22420/rde.v17i39.1889. Disponível em:
https://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/1889. Acesso em: 04 fev. 2025. LIBÂNEO. José Carlos. Ensinar e aprender, aprender e ensinar: o lugar da teoria e da prática em Didática. In: LIBÂNEO, José Carlos; ALVES, Nilda (Orgs). Temas de Pedagogia: diálogos entre Didática e Currículo. São Paulo: Cortez, 2012, pp. 35-60. SILVA,Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 3.ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019. UNESCO. Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: . Acesso: 03 jan. 2025. UNESCO. Manual para garantir inclusão e equidade na educação. Brasília: UNESCO, 2019.