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A presente proposta tem como objetivo analisar os desafios e retrocessos enfrentados na inclusão de questões de gênero e LGBTQIAPN+ no ensino básico brasileiro, considerando o contexto histórico, político e educacional. Embora a Constituição Federal de 1988 e outros marcos legais assegurem a educação como direito universal, a resistência à abordagem dessas temáticas no ambiente escolar persiste como um obstáculo significativo. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento normativo que rege o ensino básico no Brasil, definindo o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver ao longo de sua trajetória escolar. Baseada em princípios éticos, políticos e estéticos, a BNCC tem como propósito garantir a formação integral dos alunos, promovendo a justiça social e a construção de uma sociedade democrática e inclusiva. Ao mesmo tempo, a BNCC reafirma o papel da escola como espaço de acolhimento, convivência e enfrentamento das diversas formas de violência. A escola, conforme preconizado pela BNCC, deve promover o respeito às diferenças, contribuindo para a formação de cidadãos críticos e conscientes, capazes de dialogar e atuar em prol de uma sociedade plural.Entretanto, a exclusão do termo "gênero" na versão final da BNCC, homologada em 2017, simboliza um retrocesso significativo na abordagem da diversidade nas políticas educacionais. Essa decisão reflete não apenas uma negação de demandas de uma sociedade diversa, mas também uma desconexão das políticas educacionais com os direitos humanos e a educação inclusiva. A exclusão foi resultado direto da pressão de movimentos neoconservadores, alinhados à extrema direita, que difundem discursos contrários à inclusão de questões de gênero nas escolas, frequentemente classificando-as como "ideologia de gênero". A propagação do termo "ideologia de gênero" resultou na censura e na autocensura de professores, ampliando o silêncio sobre a diversidade e perpetuando a invisibilidade de vivências LGBTQIAPN+ no ambiente escolar, sobretudo no governo de Jair Bolsonaro (2019-22), por meio da disseminação do conceito equivocado de "ideologia de gênero", dificultando ainda mais o trabalho de educadores que buscam priorizar os direitos humanos e a educação midiática como ferramentas para combater a desinformação e formar cidadãos críticos. Essa dinâmica, que ecoa movimentos semelhantes em outros países, como os Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, intensifica um cenário de resistência e retrocesso. O decreto de Trump, em 2025, que reconhece apenas dois sexos, masculino e feminino, exemplifica como governos alinhados ao neoconservadorismo promovem políticas excludentes que reverberam em outros contextos, incluindo o Brasil. Esses movimentos fortalecem discursos preconceituosos, dificultando ainda mais o papel de educadores que enfrentam represálias ao abordar questões de diversidade.A escola é um espaço privilegiado para dialogar com as juventudes, especialmente diante das complexidades identitárias e sociais que emergem em seus cotidianos. Questões relacionadas à sexualidade e ao gênero já fazem parte da vivência escolar e demandam abordagens pedagógicas que promovam a inclusão e o acolhimento, contribuindo para uma educação integral. Estudos (LOURO, 2009, 2013; JUNQUEIRA, 2009; SOUZA, 2020) indicam que a escola tende a silenciar sobre a diversidade sexual e de gênero dentro do ambiente escolar. E essa invisibilidade reforça a ausência de discussões sobre gênero e diversidade perpetuando violências simbólicas e físicas no ambiente escolar. Ignorar essas temáticas contraria o papel da escola na formação cidadã e no combate aos preconceitos e discriminações. A retomada e o fortalecimento do debate sobre gênero e diversidade nos currículos escolares são passos fundamentais para a promoção de direitos humanos e justiça social. Entretanto, educadores enfrentam inúmeros desafios, incluindo a resistência de determinados segmentos sociais, a falta de formação contínua e o medo de represálias, através do crescimento do neoconservadorismo no mundo. A escola, no entanto, deve se reafirmar como espaço de acolhimento, diálogo e aprendizagem. Valorizar e respeitar as vivências das juventudes é essencial para a construção de uma sociedade plural e inclusiva. Embora os desafios persistam, a educação para a diversidade permanece como instrumento vital para promover o respeito às diferenças e o avanço social, resgatando o compromisso ético e pedagógico de superar barreiras ideológicas e preconceitos. Referências Bibliográficas BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2017. In: http://download.basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em 20 nov. 2022. JUNQUEIRA, Rogério Diniz. Homofobia nas Escolas: um problema de todos. In: JUNQUEIRA, Rogério Diniz (Org.). Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, UNESCO, 2009, Coleção Educação para Todos, vol. 32. p. 85 – 93 LOURO, Guacira Lopes. Heteronormatividade e homofobia. In: JUNQUEIRA, Rogério Diniz (Org.). Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas. Brasília: MEC, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, UNESCO, 2009, Coleção Educação para Todos, vol. 32. p. 85 - 93 LOURO, Guacira Lopes. Pedagogias da Sexualidade. In: LOURO, Guacira Lopes(org). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013. 3 ed. p. 35 – 82 SOUZA, Helder Júnio de. Diálogos sobre Diversidade Sexual em sala de aula: decifra-me ou te devoro. In: XX ENDIPE. Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino. Anais. 1. ed. - Rio de Janeiro/Petrópolis: Faperj; CNPq; Capes; Endipe /DP et Alii, 2020. P. 826 – 836
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