Competências docentes para inovar na educação superior

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Abstract

O docente possui conhecimentos, habilidades e atitudes, entendidas como competências, próprias para atuar em meio a complexidade da docência no magistério superior, a qual envolve conflitos e mudanças de ordem social, política e econômica. Tais conflitos e mudanças requerem uma constante reflexão acerca dessas competências. Diante disso, indaga-se “quais as competências docentes para inovar na educação superior?”. Para responder este questionamento a pesquisa teve como objetivo desenvolver e validar uma escala para mensurar subjetivamente as competências docentes para inovar na educação superior. Concebe-se que as competências docentes para inovar são a formação continuada ? busca, atualização e reflexão sobre a prática docente; a criatividade ? criação, proposição, desenvolvimento e assunção dos riscos de novas ideias com vistas à autonomia e protagonismo e a; fluência digital ? utilização diversa de recursos tecnológicos que se enlaçam com o planejamento da prática docente para fins de melhorar o aprendizado teórico ou prático (TRILLING; FADEL, 2009; TARDIF, 2014; GARCIA, 2018; PEDRO; MATOS, 2019; VIEIRA; COIMBRA, 2020). As contribuições científicas originais foram: i) propor e validar uma escala para mensurar as competências docentes para inovar na educação superior, em um contexto em que não há instrumentos dessa natureza e ii) associar essas competências com o engajamento no trabalho docente. Com base na fundamentação teórica, a qual apontava inicialmente para três competências, foi elaborado um conjunto inicial de itens para compor a escala. A abordagem empregada foi qualitativa e quantitativa. Assim, o conjunto de itens passou pela validade de conteúdo, por meio da técnica qualitativa Delphi (YOUSUF, 2007, MARQUES; FREITAS, 2018). A técnica Delphi conta com a apreciação de especialistas da área de estudo, que neste caso foram representados por docentes atuantes no magistério superior público e privado, sendo pesquisadores que têm livros e artigos publicados na área. Esses especialistas receberam o conjunto inicial de itens para acrescentar e alterar itens de acordo com seus conhecimentos e experiências, promovendo a interlocução entre a teoria e a prática, trazendo a percepção dos atores do contexto para a pesquisa. A cada apreciação, os itens eram revistos pela autora da pesquisa e retornavam aos especialistas até haver um consenso de que o instrumento era condizente com o que se propunha. Além das dimensões formação continuada, criatividade e fluência digital, foi sugerida uma nova competência pelos especialistas, a qual foi intitulada cientificidade. A cientificidade está relacionada às competências referentes a outros aspectos da docência no magistério superior, como é o caso da pesquisa e extensão. Posteriormente, empregaram-se técnicas quantitativas de análise. A validade de face foi realizada por meio de um pré-teste que passou pela análise fatorial exploratória (HAIR et al., 2017). O pré-teste foi realizado para verificar o entendimento dos itens, com a posterior análise fatorial exploratória que excluiu itens que repetiam a essência daquilo que se desejava saber. Realizadas as validações de face e de conteúdo, a escala pode ser utilizada. Assim, foi realizado um survey que obteve uma amostra de 523 respondentes, docentes do magistério superior do Brasil, público ou privado. O conjunto de itens foi validado pela modelagem de equações estruturais (HAIR et al., 2017), de modo que a Escala de competências docentes para a inovação na educação superior (ECD-IES), a qual conta com quatro dimensões, a saber: formação continuada, criatividade, fluência digital e cientificidade, possui propriedades psicométricas para mensurar subjetivamente o que se propõe. Foi verificado que as dimensões da escala ECD-IES se relacionam significativamente com as dimensões da Escala de engajamento no trabalho docente (EED), conforme hipóteses propostas, confirmando a tese de que há relacionamento entre os fenômenos em questão. Por fim, identificou-se altos níveis de competências docentes na amostra pesquisada em todas as dimensões. Da mesma forma, percebem-se altos níveis de engajamento, seja ele cognitivo, emocional, social com colegas ou social com alunos. Frente ao exposto a pesquisa cumpriu com o objetivo de desenvolver e validar uma escala, a qual espera-se que possa ser utilizada distanciando-se de diagnósticos classificatórios, criando tempos e espaços reflexivos sobre a prática docente no magistério superior com vistas à inovação. A reflexão ora proposta é facilitada pela compilação de itens que podem ser utilizados como promotores de discussões, trazendo elementos genuínos, que se direcionam à inovação.

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Track
  • Área Temática 6: Educação Superior
Keywords
Competências, docência, educação superior, escala