Anarquismo e Educação Nova em Portugal: a Concepção de Educação Integral de Adolfo Lima

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O objetivo deste trabalho é apresentar a concepção de educação integral defendida por Adolfo Lima, um educador português anarquista de grande renome que foi um dos principais divulgadores das metodologias ativas da Educação Nova em Portugal, ainda no início do século XX. Segundo António Nóvoa, Adolfo Lima figura na “plêiade de intelectuais e de pedagogos” dos maiores educadores portugueses do século passado. Dentre a vasta obra teórica e prática do educador português, focaremos, neste artigo, nos textos de Adolfo Lima da “Educação Social: Revista de Pedagogia e Sociologia”, periódico publicado entre os anos de 1924 e 1927, que foi interrompida abruptamente após as perseguições do regime autoritário que culminou com a prisão de Adolfo Lima, o principal editor da Revista. Usaremos como aporte teórico para análise crítica dos textos de Adolfo Lima, a tese de António Candeias sobre a Escola Oficina nº 1, uma escola que entre os anos de 1907 e 1914, teve como diretor e professor, o próprio Adolfo Lima e que, segundo Candeias, teria sido o principal responsável pela implantação de um modelo de Educação Integral Anarquista na Escola. Os redatores da Revista Educação Social buscavam repercutir as novas ideias educacionais do período, o que a consolidou como o grande meio pelo qual a educação nova adentrou o círculo da intelectualidade portuguesa. Ela teve uma periodicidade quinzenal até junho de 1924, com exceção do mês de março do mesmo ano. Depois, diante das inúmeras dificuldades de ordem econômica e do conturbado contexto político português, que culminou com o golpe de Estado de 1926, a Revista passa para uma periodicidade mensal até o seu último número em 1927, ano da prisão de Adolfo Lima, tal fato, o teria abalado muito, o que provavelmente contribuíra para o fim da publicação e o isolamento de Lima a partir de então. A editoria da Revista Educação Social foi um órgão de debates, discussões e um difusor de ideias daquilo que depois se consolidou como movimento da Escola Nova. Um de seus editores e mais frequentes colaboradores, Álvaro Viana de Lemos, era o representante do Escritório do Movimento da Educação Nova em Portugal. Além dos educadores da Europa Ocidental como Claparède, Ferrière, Montessori ligados a Escola Nova, a Revista abria espaço para artigos que divulgassem trabalhos de educadores como Tolstoi e Dewey. Nos textos publicados por Adolfo Lima e por outros educadores portugueses na Revista Educação Social, a Escola Oficina 1 de Lisboa é constantemente lembrada como a concretização de uma concepção de Educação Integral que representava uma nova forma de educação em Portugal, sendo portanto, uma alternativa, rara naqueles tempos, à educação tradicional e ao ensino autoritário então predominantes. Ao abordarmos o contexto em que se insere os artigos de Adolfo Lima, buscamos a sua própria leitura da experiência pedagógica na Escola Oficina nº 1, já com o distanciamento espacial e temporal de mais de 10 anos depois que ele saiu da escola. Procuramos, nesse aspecto, constatar se o modelo de educação alternativo, com características libertárias indicado por Candeias em sua tese, ficou caracterizado nos escritos de Adolfo Lima na Revista Educação Social. Nas análises iniciais, as experiências educacionais anarquistas não estão evidentes. Seria devido ao recrudescimento do regime político autoritário que culminou com o “Estado Novo” a partir de 1926? Ou teria sido um exagero de Candeias, um pesquisador do movimento operário português, afirmar que a Escola Oficina nº 1 foi uma experiência única de modelo educacional anarquista alternativo à educação tradicional do período? Esta hipótese segue a linha de Joaquim Pintassilgo, outro pesquisador da educação portuguesa que estuda modelos educacionais, que ao analisar a tese de Candeias, nega a existência de uma pedagogia tipicamente anarquista em Portugal. Noutra perspectiva, o próprio Candeias encontrou nas atas do Conselho da Escola Oficina nº 1 relatos de conflitos de ideias e princípios entre professores anarquistas de um lado e proprietários e diretores maçônicos de outro. Tal fato poderia significar uma estratégia dos anarquistas de impor suas ideias no currículo da escola de forma sutil, assim como nos escritos da Revista, os princípios anarquistas poderiam estar cifrados para não atrair a censura do regime autoritário. Nosso desafio, portanto, é desvelar, a partir da análise crítica dos artigos publicados por Adolfo Lima sobre a Educação Integral na Revista Educação Social, a visão do principal criador da concepção educacional da Escola Oficina nº 1, e pela sua visão retrospectiva sobre a sua própria participação como diretor e professor da escola, delinear as principais características desta concepção. Referências Bibliográficas CANDEIAS, António. Educar de outra forma – A Escola Oficina nº 1 de Lisboa (1905-1930). Lisboa: Instituto de Inovação Educacional, 1994. CANDEIAS, A; NÓVOA, A. FIGUEIRA, M. H. Sobre a Educação Nova: Cartas de Adolfo Lima a Álvaro Viana de Lemos (1923-1941). Lisboa: EDUCA, 1995. LIMA, Adolfo. Educação e Ensino - Educação Integral. Lisboa: Guimarães & Cia. Editores, 1914. LIMA, A. Educação Social. Educação Social: Revista de Pedagogia e Sociologia, ano 1, n. 1, p. 01-04, 10 janeiro 1924. LIMA, A. A Evolução da Educação. Educação Social: Revista de Pedagogia e Sociologia, ano 2, p. 14-22, 15 setembro 1926. LIMA, A. Os Trabalhos Manuais Educativos em Portugal. Educação Social: Revista de Pedagogia e Sociologia, ano 3, p. 20-25, 15 dezembro 1925. LIMA, A. A Escola Única e o Monopólio do Ensino. Educação Social: Revista de Pedagogia e Sociologia, ano 4, p. 24-26, 15 agosto 1927. PINTASSILGO, J. A. S. Anarquismo e educação nova em Portugal: o contributo de Adolfo Lima. Revista Espaço Acadêmico, v. 17, n. 196, p. 01-13, 8 set. 2017.

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  • Área Temática 5 : Historia e filosofia da educação
Keywords
Educação Integral, Adolfo Lima, Anarquismo