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“Menina de cinco anos morre baleada após troca de tiros em Realengo” “Amigo de passageiro baleado na cabeça no RJ desabafa em profunda tristeza: ‘Ele estava dormindo e nem viu que foi alvejado” Todas essas vítimas são pessoas negras que possuem nome, sobrenome e sonhos. Não sabemos e nem podemos dizer qual era o sonho delas, mas o sonho de muitos jovens negros, sobretudo das classes mais pobres é conseguir o tão sonhado diploma. À sombra disso, esse trabalho propõe estudar a importância da resistência e da representatividade negra, no que tange a educação formal e informal. De acordo com o Atlas da Violência, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de homicídio de pessoas pretas e pardas em 2022 correspondeu a 76,5% do total de assassinatos registrados no país. Esse dado evidencia a existência de “pele alva e pele alvo”, e a pele de muitos estudantes, assim como as das vítimas mencionadas, não é alva. Portanto, eles também carregam, na pele, esse alvo. A morte é inevitável, faz parte do ciclo da vida, mas como explicar para uma criança que seu amigo não poderá brincar no final de semana, nem nunca mais? Que o trabalho da escola em dupla agora terá que ser feito sozinho? A perda de um amigo, de um vizinho ou até mesmo de uma pessoa desconhecida, deixa marcas profundas e inescapáveis, que não podem ser normalizadas, ainda mais quando se trata de crianças e adolescentes. A luta contra o racismo e suas manifestações violentas, como a necropolítica, exige o reconhecimento das vítimas e um compromisso com a transformação de uma realidade que, por muito tempo, o Estado negligenciou e continua a negligenciar. Ainda assim, mesmo combinando nossa dizimação, existe uma contraponto, uma força que existe para resistir e nos ensina não só a nos defendermos, como nos fortifica enquanto possíveis agentes de mudanças estruturais. Tanto que, mesmo com todos esses obstáculos, são muitos os estudantes que existem e resistem dentro dos espaços de formação formal O racismo além de ferir de forma física nossa carne ele provaca um apagamento do conhecimento negro. Assim, ser negro e viver no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro, é processo de resistir diariamente a um racismo que vai além das balas que encontram nossos corpos. O que pretendemos evidenciar nesse estudo, são todos os atravessamentos que estudantes negros, passam para conseguir o tão sonhada diploma, tornando assim todas as suas trajetórias acadêmicas um ato de resistência. Desse modo, a pesquisa busca analisar a resistência e a representatividade negra na educação formal e informal, considerando um grupo de pesquisa afro-referenciados, como o “Ecologias do Narrar” da UFRJ, e a Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Padre Miguel como espaços de aquilombamento e fortalecimento da identidade negra. O objetivo é além de evidenciar as dificuldades enfrentadas por estudantes negros, ressaltar a importância de ambientes que promovem a permanência acadêmica e a valorização da cultura negra. O estudo se baseia em conceitos fundamentais como necropolítica, de Achille Mbembe, para discutir e denunciar o papel do Estado na pratica de decidir quem vive e quem morre, e epistemicídio, de Sueli Carneiro, que denuncia o apagamento dos saberes negros na academia. Grada Kilomba também é referenciada para tratar do racismo cotidiano e das barreiras simbólicas impostas a estudantes negros. Milton Cunha também será utilizado como referencial, pelo seu conceito de epistemologia do ziriguidum, que valoriza os saberes construídos em manifestações culturais afro-diaspóricas. Além disso, o trabalho propõe considerar as escolas de samba como espaços legítimos de educação e formação identitária, rompendo com a marginalização dos saberes negros. A metodologia se baseará no conceito de "escrevivência" de Conceição Evaristo, aliada a um estudo da literatura sobre resistência e representatividade negra na educação. Será feita uma revisão bibliográfica, escuta de narrativas e análise dos dados. O objetivo é contribuir para o fortalecimento da educação antirracista, ressaltando como o racismo opera na estrutura acadêmica e como estudantes negros resistem a esse sistema excludente. Através da escrita e da memória, buscamos romper com a invisibilização histórica e reafirmar a importância da valorização dos saberes negros dentro e fora da universidade. CARNEIRO, Aparecida Sueli. “A construção do outro como não-ser como fundamento do ser.” 2005. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. DIAS, P. Negros foram 76,5% das vítimas de homicídio no Brasil em 2022, aponta Atlas da Violência. O Globo, 18 jun. 2024. Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2024/06/18/negros-foram-765perc…. Acesso em: 29 dez. 2024. EVARISTO, Conceição. “A escrevivência e seus subtextos.” In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (Org.). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020. Disponível em: https ://www .itausocial .org .br /wp -content /uploads /2021 /04 /Escrevivencia -A -Escrita -de -Nos -Conceicao -Evaristo .pdf . Acesso em: 13 jan. 2025. KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019. Menina de cinco anos morre baleada após troca de tiros em Realengo. Extra , Rio de Janeiro, 24 out. 2024. Disponível em: https ://extra .globo .com /casos -de -policia /menina -de -cinco -anos -morre -baleada -apos -troca -de -tiros -em -realengo -24077972 .html . Acesso em: 29 dez. 2024. OLIVEIRA, L. Nascimento, R. Passageiro de ônibus baleado durante tiroteio na Avenida Brasil. G1 Rio de Janeiro , Rio de Janeiro, 24 out. 2024. Disponível em: https ://g1 .globo .com /rj /rio -de -janeiro /noticia /2024 /10 /24 /passageiro -de -onibus -baleado -durante -tiroteio -na -avenida -brasil .ghtml . Acesso em: 29 dez. 2024.
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