A educação superior, a sustentabilidade socioambiental e o racismo: desafios e perspectivas em tempos de emergência climática

- 213037
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Abstract
As instituições de ensino superior globalmente têm prestado cada vez mais atenção às questões de sustentabilidade e clima, e uma série de alianças e iniciativas internacionais surgiram nos últimos anos (MCCOWAN 2019; 2020). No entanto, esses esforços muitas vezes permanecem em nível superficial e técnico e, na pior das hipóteses, podem cair no chamado ‘greenwashing’, dentro de uma lógica predominantemente mercadológica e esvaziada de sentido transformador. As questões climáticas estão profundamente vinculadas às injustiças globais com suas raízes no capitalismo, no colonialismo, no racismo e no patriarcado, exigindo abordagens críticas e atuação criativa das universidades (JACOBI 2003). É preciso prestar atenção não apenas às emissões de carbono e ao impacto ambiental direto do setor, mas também a sua cumplicidade em questões de injustiça epistêmica. É necessário que as universidades avancem efetivamente na maior diversidade de sua comunidade acadêmica (estudantes, docentes, quadros técnicos, parcerias) e na diversificação de suas matrizes curriculares, reconhecendo conhecimentos indígenas, afrodiaspóricos e de comunidades tradicionais; promovendo o diálogo entre saberes; incorporando a sustentabilidade nos currículos; e construindo programas de extensão que contribuam com a coprodução de conhecimentos com diversas comunidades fora da universidade (PELLEGRINI et al. 2024). O objetivo é desafiar as concepções convencionais de que as questões ambientais se separam das sociais, abordando as provocações e proposições que movimentos por justiça econômica, racial e de gênero têm feito ao combate à exploração e à destruição do meio ambiente (CARREIRA e HERINGER 2024; FERNANDES 2020). Ao refletir os desafios e as perspectivas da educação superior no contexto de aceleração das mudanças climáticas, acirramento de desigualdades e desafios da urgente transição ecológica, o evento também abordará o papel das faculdades de educação na formação de profissionais de educação. O simpósio dialogará com os resultados do projeto internacional de pesquisa “Engajamento das Faculdades de Educação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, desenvolvido pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres, Instituto de Educação da Universidade de Toronto e Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, com o apoio financeiro da International Network of Education Institutes (INEI). O professor Tristan McCowan, com base em sua reflexão sobre formas de influência que as universidades têm sobre a sociedade e o meio ambiente, realizará a exposição “As universidades e a sustentabilidade: desafios, alianças e potencialidades para a transformação”, que tratará dos resultados das pesquisas dos Institutos de Educação das Universidades de Toronto e de Londres resultantes do projeto apoiado pelo INEI e da atuação da rede Climate-U, articulação que reúne universidades de vários países, comprometidas em trabalhar conjuntamente para lidar com a crise climática e fortalecer o lugar da educação na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A professora Denise Carreira em sua fala intitulada “ODS 18, políticas de ação afirmativa e a disputa da noção de qualidade na educação superior” abordará os desafios e as perspectivas envolvidas na incorporação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 18 (Igualdade Racial) pelas universidades, chamando a atenção para o papel das políticas de ação afirmativa, de mudanças curriculares e da avaliação na disputa da noção de qualidade favorável à sustentabilidade socioambiental. Também serão abordadas análises e recomendações às Faculdades de Educação brasileiras resultantes do projeto INEI. A professora Mille Fernandes realizará a exposição intitulada “A Formação do Ser-Ecológico a partir das cosmopercepções das Comunidades Tradicionais” que refletirá a relação entre a educação ambiental e o racismo, abordando em um primeiro momento o impacto das mudanças climáticas junto às comunidades tradicionais, e num segundo momento, como os Conhecimentos e Saberes Ancestrais e contemporâneos dessas comunidades podem contribuir para a transição ecológica com justiça climática, racial, social e de gênero. Será destacado o desafio de tecer caminhos a partir de um diálogo Decolonial Crítico, atravessado pela correlação entre territorialidade, educação ambiental e justiça cognitiva e social. O professor Elie Ghanem, com base em experiências construídas com povos indígenas do Alto Rio Negro (Amazonas), abordará o tema “Educação superior de indígenas e o modo de desenvolvimento contra-hegemônico”. A sustentabilidade ambiental se beneficia dos conhecimentos e experiências dos povos indígenas no Brasil, potencializados pela sua escolarização, impulsionada pela luta dos movimentos indígenas. Para a educação superior, os movimentos demandam que os cursos viabilizem êxito acadêmico, acolhendo peculiaridades das etnias, atendendo às necessidades dos territórios e considerando variados regimes de conhecimento. Vão além e pressionam pela criação de uma universidade indígena. REFERÊNCIAS CARREIRA, Denise; HERINGER, Rosana (2024). Balanço do PNE (2014-2024): As políticas de ação afirmativa na educação superior. Estudos em Avaliação Educacional, 35, e10593. Epub 27 de diciembre de 2024.https://doi.org/10.18222/eae.v35.10593 FERNANDES, Mille Caroline Rodrigues (2020). De Angola à Nilo Peçanha: Traços da Trajetória Histórica e da Resistência Cultural dos Povos Kongo/Angola na Região do Baixo Sul. 260f. Tese (Doutorado em Educação e Contemporaneidade) – Departamento de Educação, Universidade do Estado da Bahia, Salvador, 2020. JACOBI, P. (2003). Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de pesquisa, 118, 189–206. McCOWAN, Tristan. (2019) Higher Education for and beyond the Sustainable Development Goals. London: Palgrave Macmillan. McCOWAN, Tristan (2020). The impact of universities on climate change: a theoretical framework. Transforming Universities for a Changing Climate, Working Paper Series No. 1. PELLEGRINI, Diana de Paula.; GHANEM, Elie; GÓES NETO, Antônio Fernandes (2021). O Brasil respeita o direito dos povos indígenas à educação superior? demanda, oferta e ensaios alternativos em São Gabriel da Cachoeira/AM. Educação & Realidade, v. 46, n. 4, p. e118188, 2021.

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Track
  • Higher Education Research
Keywords
conhecimentos indígenas
educação superior
emergência climática
racismo
sustentabilidade