To cite this paper use one of the standards below:
Este estudo quali-quanti, utilizou pesquisa bibliográfica e dados quantitativos secundários para responder à questão: como e por que a educação pode ser um agente eficaz nas ações climáticas urgentes? As mudanças climáticas são um dos focos centrais da Organização das Nações Unidas (ONU) ( Arruda Filho, 2018). Em resposta, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) criou a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (DEDS) 2005-2014, com o objetivo de construir uma sociedade sustentável e justa. A DEDS visou estimular hábitos e comportamentos que integrem os valores do desenvolvimento sustentável nos sistemas de aprendizagem (UNESCO, 2025). Posteriormente, a Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) lançou a Agenda 2030, que reúne 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e metas para a sustentabilidade global (Arruda Filho, 2018). Sob essa ótica, considerar como as mudanças climáticas são exacerbadas por ações humanas e como a educação, através do ODS 4 – Educação de qualidade (ONU, 2023) e do poder de agenda da ONU, podem influenciar as atitudes humanas e as políticas públicas ao redor do mundo para mitigar esses efeitos, centrou-se no escopo desse estudo e nos objetivos das Nações Unidas. Conforme Jacobi et al. (2011) já pontuaram, é necessário discutir uma mudança cultural para lidar com as mudanças climáticas, o que envolve a conscientização sobre as conexões entre as escolhas cotidianas, a emissão de gases do efeito estufa e o impacto no planeta. Segundo os autores, a falta de consciência e algumas ações levam à degradação ambiental e a conflitos sociais. Aliado a isso, Santini e Barros (2022) dizem que há a existência de discursos contrários ao consenso científico sobre as mudanças climáticas, impulsionados por campanhas de desinformação organizadas por diversos atores, incluindo governos. Essa negação da ciência se alinha com uma visão neoconservadora que frequentemente desconsidera as evidências científicas e prioriza interesses econômicos e políticos em detrimento da proteção ambiental. Ademais, Santini e Barros (2022) apontam que essa desinformação é organizada, financiada e fabricada e que o negacionismo climático está fortemente relacionado com posicionamentos partidários, especialmente a crença nos princípios do livre mercado. Essa prática de governos neoliberais demonstra a base ideológica do negacionismo e sua relação com o neoconservadorismo. A disseminação de notícias falsas, facilitada pela internet e mídias sociais, cria um clima de incerteza e confusão sobre os fatos científicos, o que dificulta a ação efetiva contra as mudanças climáticas e perpetua a violência ambiental (Santini e Barros, 2022). Diante desse cenário, o governo brasileiro, as Nações Unidas e a UNESCO propuseram a Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudanças do Clima, no âmbito do G20, inicialmente. A Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre mudanças do clima é uma intervenção importante para impulsionar o apoio a ações climáticas urgentes, em um momento em que os cientistas alertam que o tempo do planeta está se esgotando (UNESCO, 2024). Essa iniciativa pode ter como aliada a educação. A revisão global de como as questões ambientais são integradas na educação (UNESCO, 2021) apresentou a extensão em que as questões ambientais são incorporadas nas políticas e currículos de educação básica em 46 Estados-membros da UNESCO. Os resultados dizem que em relação aos temas ambientais, 45% da educação nacional fez pouca ou nenhuma referência nos documentos estudados. Nessa linha, a revisão pontua que mais da metade das políticas e currículos educacionais não fizeram menção às mudanças climáticas. Os resultados apontam ainda que apenas 19% fizeram referência à biodiversidade. O meio ambiente foi abordado pelo menos uma vez em políticas educacionais e currículos analisados e 69% mencionaram a sustentabilidade (UNESCO, 2021). No entanto, ficou claro que mais ações precisam ser implementadas para preparar os alunos com as competências necessárias para pensar criticamente, identificar as desinformações e agir pelo nosso planeta (UNESCO, 2021). O estudo concluiu que a educação ambiental é crucial para enfrentar a crise climática e combater a desinformação global. A formação de uma consciência crítica é essencial para promover ações efetivas contra as mudanças climáticas e confrontar ideologias que legitimam a exploração ambiental. Além disso, sugere que estudos futuros possam se dedicar a verificar como a reforma educacional, com recorte temporal das 19 reuniões realizadas, se alinhou para promover políticas públicas educacionais que contemplem a educação ambiental abordando as mudanças climáticas, o combate à desinformação, e as questões relativas ao meio ambiente e a violência sofrida por ele, além de avaliar seus efeitos no âmbito local e global. Referências ARRUDA FILHO, N. P. A Agenda 2030 na Educação Executiva Responsável: Uma Metodologia Aplicada. In: Encontro Internacional sobre Gestão Ambiental e Meio Ambiente [ENGEMA], São Paulo, SP, Brasil. 2018. Disponível em: < http://engemausp.submissao.com.br/20/anais/arquivos/65.pdf>. Acesso em: 09 mar. 2023. JACOBI, Pedro Roberto et al . Mudanças climáticas globais: a resposta da educação. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro , v. 16, n. 46, p. 135-148, abr. 2011 . Disponível em <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-2478201…;. acessos em 06 fev. 2023. NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 2023. Disponível em: < https://brasil.un.org/pt-br/sdgs#:~:text=Os%20Objetivos%20de%20Desenvol…;. Acesso em: 09 mar. 2023. SANTINI, Marie; BARROS, Carlos. Negacionismo climático e desinformação online: uma revisão de escopo. Liinc em Revista, [S. l.], v. 18, n. 1, p. e5948, 2022. DOI: 10.18617/liinc.v18i1.5948. Disponível em: https://revista.ibict.br/liinc/article/view/5948. Acesso em: 6 fev. 2023. UNESCO. Década da Educação das Nações Unidas para um Desenvolvimento Sustentável, 2005-2014: documento final do esquema internacional de implementação. UNESCO, Brasília,Brasil.9-10. 2005. UNESCO. Aprenda pelo nosso planeta – Uma revisão global de como as questões ambientais são integradas na educação. Organização da Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, 7, place de Fontenoy, 75352 Paris, França. 2021. UNESCO.G20: Brasil, ONU e UNESCO lançam Iniciativa Global para Integridade da Informação sobre Mudanças do Clima. 2024. Disponível em: < https://www.unesco.org/pt/articles/g20-brasil-onu-e-unesco-lancam-inici… > Acesso em: 20 jan. 2025.
With nearly 200,000 papers published, Galoá empowers scholars to share and discover cutting-edge research through our streamlined and accessible academic publishing platform.
Learn more about our products:
This proceedings is identified by a DOI , for use in citations or bibliographic references. Attention: this is not a DOI for the paper and as such cannot be used in Lattes to identify a particular work.
Check the link "How to cite" in the paper's page, to see how to properly cite the paper