Quem disse que a dança do ventre não é pra mim?

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Comitê Temático - Apresentação de Relato de Experiência
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Resumo

As aparições midiáticas da dança do ventre na novela “O Clone” na rede televisiva Globo me interpelaram aos oito anos de idade. Porém apenas após onze anos ao ingressar na Universidade Federal da Paraíba e residir em João Pessoa no ano de 2011, foi possível fazer aulas. A partir daí comecei a pesquisar sobre a dança e notei que os vídeos de bellydancers que assistia e as capas de revista direcionadas a dança do ventre eram de mulheres brancas, magras, da cintura fina, seios fartos, e que expressavam uma performatividade do feminino que dança para seduzir (SARAIVA,2018) que eu não me enquadrava. Sou uma mulher, negra, cis, com seios pequenos, ombros mais largos do que o quadril, com um corpo que não é visto como sinônimo de feminilidade. Me sentia o Outro na dança como se meu corpo não pertencesse a este lugar. Inclusive nos eventos que participava eu sentia ainda mais essa sensação de não pertencimento pois a maioria das bailarinas solistas senão todas tinham esse padrão de feminino. Por todas essas questões várias vezes questionei se a Dança do ventre era pra mim, e para além disso a minha sexualidade, o meu corpo e a minha feminilidade. Devido a este fator que está intrinsecamente ligado ao racismo estrutural sinto a necessidade de pesquisar e entender mais sobre raça e gênero através do feminismo negro(RIBEIRO,2018) e mulherismo africana(HUDSON-HEEMS,2020) a partir de uma perspectiva afrocentrada para buscar soluções às questões que permeiam os corpos vistos como o Outro na Dança.

 

 

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Instituições
  • 1 Universidade Federal da Paraíba
  • 2 IM/UFRJ
Eixo Temático
  • Relatos de experiência com ou sem demonstração artística
Palavras-chave
Dança do Ventre
raça
Feminino