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A DANÇA EM PLATAFORMAS DE REDES SOCIAIS
Atualmente, a dança encontra outros espaços para manifestação que vão além das ruas e palcos concretos, alcançando as mídias digitais que ampliam suas formas de relações em ambientes virtuais mediados pela internet (PIMENTEL, 2012), compondo, assim, a mediadance (SCHILLER, 2003 e BASTOS, 2013). Esta dança midiatizada ganha novas possibilidades de “dar-se a existir” (SANTANA, 2013), configurando mais um espaço de estímulo à participação colaborativa de seus atores, potencializando práticas e valores sociais característicos da cibercultura (LEMOS, 2003, p. 12).
Harmony Bench (2010) afirma que do mesmo modo que as telas de mídias se uniram para criar a prática híbrida da mediadance, a mediadance e as mídias sociais convergem para produzir uma outra área de experimentação artística, a qual ela chama de “Social Dance-Media”. Estas mídias sociais são entendidas como a justaposição das plataformas sociais, mais as pessoas e a apropriação e criação de conteúdo gerado a partir desta relação (RECUERO, 2011). Com isso, a união entre mídia social e mediadance configura o surgimento de novas práticas de uma dança social, desenvolvida em redes. Bench (2010) traz, então, estratégias de composição desta modalidade, que são: (1) o crowdsource (danças colaborativas que envolvem dançarinos profissionais e membros da comunidade como performances em trabalhos para serem, posteriormente, postados na internet), (2) o flash (danças previamente ensaiadas e organizadas por dançarinos que ocorrem "ao vivo" em uma localidade física com o foco de chegar às redes virtuais) e (3) as coreografias virais (danças reproduzidas, disseminadas e (re)encenadas por espectadores, fazendo com que ela alcance uma grande quantidade de pessoas através das qualidades da internet).
Entretanto, dentro destas formas de composição da Social Dance-Media proposta por Bench, é possível perceber outros formatos de dança que são coreografados e apropriados por usuários de plataformas de redes sociais de forma espontânea com o único intuito de formação e/ou manutenção de laços sociais e agregação de capital social (COLEMAN, 1988). Nesta composição, a obra é aberta (ECO, 1991), não possuindo um final e nem uma linearidade (é hipertextual). Estas danças surgem de estímulos desprendidos pela própria rede social dos participantes, onde o intuito é a participação, a continuidade e a apropriação. Este formato de dança-mídia social que ocorre através e dentro da lógica destas plataformas de redes sociais é o que chamamos aqui de Social Network Dance (SND).
METODOLOGIA
O trabalho parte de uma discussão visando a compreensão da SND. Utiliza-se da observação de danças desenvolvidas no aplicativo TikTok que configura um espaço para estas obras audiovisuais e artísticas abertas, coletivas, hipertextuais, interativas, criativas e promovidas pelas redes sociais nas próprias plataformas.
AS CARACTERÍSTICAS DA SND
A SND possuirá características peculiares, as quais busco apresentar por meio de uma análise de seu formato, seu suporte, seus artísticas-públicos e sua intenção.
- O formato: aberto, coletivo e hipertextual
A SND é organizada em rede, de forma coletiva e colaborativa baseada na "sabedoria das multidões" (SUROWIECKI, 2005) ou mesmo na "inteligência coletiva" (LEVY, 1999), fluindo na "lógica da completação" (SILVA, 2000). Ela não tem um produto final (acabado), justamente pela obra ser desenvolvida em rede. Significa que, ainda que ela tenha um começo, dificilmente terá uma linearidade absoluta ou mesmo um fim (produto final). Este ponto dá um caráter de hipertextualidade à dança, pois ela passa a incorporar possibilidades diversas de formatos e encaminhamentos.
- O suporte: plataformas de redes sociais
A SND vai ocorrer em plataformas de redes sociais situadas no ciberespaço. Logo, é um “espaço-palco” virtual, global, atemporal, ubíquo, social, permanente, replicável e buscável (BOYD, 2007). Global por atingir praticamente todas as esferas do planeta pela rapidez da internet, caracterizando a replicabilidade. Atemporal porque se perde a noção do ineditismo pelo excesso de informações circulantes, ou seja, ele é acrônico, podendo algo que foi publicado há muitos anos no aplicativo, voltar com mais intensidade ainda nas redes online. É ubíquo porque se faz em conexões permanentes e localizadas em qualquer lugar devido à mobilidade, comunicando “em qualquer lugar com aparelhos computacionais espalhados pelo meio ambiente" (SANTAELLA, 2013, p. 139).
- Os artistas-públicos: usuários das plataformas
Por meio da SND, os artistas "dançam" visando a exploração das potencialidades que o corpo assume por meio do espaço-tempo tecnológico propiciado pela plataforma. Ainda buscam incentivar a interação do público e convidam outros atores da rede para a participação. Dependendo das possibilidades oferecidas (pelas ferramentas/técnicas operantes disponíveis), podem ressignificar a obra em novas apropriações (LEMOS, 2001) a partir da original, criando novos trabalhos multi autorais no ciberespaço. O artista é também o seu próprio público (ele assiste e produz a SND). Além disso, a SND se dá para uma audiência invisível (BOYD, 2007), pois ocorre em espaços públicos mediados (PRS) e seu "público" é percebido através de visualizações, curtidas, etc.
- A intenção: interação e colaboração
A SND envolve o conjunto de interações e dinâmicas sociais decorrentes de sua existência em lugares criados por meio de conexões em rede, alcançando propósitos para o seu desenvolvimento ligados a valores preconizados e potencializados pelas plataformas de redes sociais (como a visibilidade, a popularidade, a reputação e a autoridade) (RECUERO, 2009). Do mesmo modo, percebe-se que a SND partirá de intenções que servirão como propulsoras de suas estratégias de composição como estímulos à competição ou à cooperação (PRIMO e RECUERO, 2005) visando o engajamento na rede e os demais valores sociais preconizados pelas redes sociais na internet.
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