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Esta pesquisa de mestrado em Artes desenvolvida na linha de estudo das Artes da Cena da Escola de Belas Artes da UFMG teve como objeto de pesquisa os Sete Níveis de Jacques Lecoq, com o objetivo de apresentar a base conceitual dos Sete Níveis e também como esse trabalho pode auxiliar ou ser uma metodologia para criação e preparação corporal nas Artes da Cena.
As metodologias de pesquisa utilizadas foram a pesquisa performativa e crítica genética. Performativa se aplica a parte prática da pesquisa realizada no primeiro ano de trabalho, onde os Sete Níveis foram pesquisados como processo de criação e preparação corporal. A crítica genética foi aplicada no segundo ano e auxiliou para o desenvolvimento da parte conceitual do trabalho, reconstruindo o percurso de elaboração e aplicação dos Sete Níveis por Jacques Lecoq. A pesquisa performativa é uma metodologia que foi desenvolvida pelo professor Brad Hasseman (2015), pensada justamente para abraçar as necessidades de pesquisadores guiados-pela-prática que visam a obra artística não somente como objeto de pesquisa, mas como a pesquisa em si. A partir dessa abordagem foi abraçada a pesquisa Somático-Performativa da professora Ciane Fernandes (2019) buscando entender a partir da prática as corporeidades que perfazem esses Níveis. A crítica genética analisou as referências bibliográficas com olhar crítico e visando atualização das concepções sobre os Níveis, respeitando o olhar da época que foi escrito, mas rescrevendo de acordo com os atravessamentos de nossa contemporaneidade para assim oferecer uma abordagem remodelada dos Sete Níveis.
Os principais referenciais teóricos analisados são os escritos de Jacques Lecoq (1978, 2010). O segundo volume da coletânea História do Corpo de Georges Vigarello; Alain Corbin; Jean-Jacques Courtine (2012) para assim entendermos a concepção de corpo que Lecoq e seus mestres trabalhavam. As analises da prática lecoquiana de Maiya Murphi (2017), Mark Evans (2012) e pesquisadores brasileiros: Cláudia Sachs (2013) e Ismael Scheffler (2013). Para a discussão sobre corpo, movimentos, qualidades, dinâmicas e improvisação em dança o principal referencial teórico foram Rudolf Laban (1978), Marie Bardet (2014).
A pesquisa conseguiu alcançar seus objetivos, constatou-se que os Sete Níveis auxiliam o preparo corporal do profissional das Artes da Cena, pois trabalha o corpo em suas diferentes tensões, energias e presença através da improvisação, ocasionando em um preparo físico e criativo. Como processo de criação também alcançamos os resultados esperados através de uma performance que tinha como narrativa o corpo em suas diferentes tensões. Foi elaborada a conceitualização dos Sete Níveis e as nomenclaturas para cada um dos Níveis afim de facilitar a comunicação e orientação dessa prática e discussões acerca dessa proposta de trabalho corporal com uma atualização da mesma.
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