Saber de Corpo

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Comitê Temático - Apresentação Oral
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Resumo

O corpo escolar! Uma exclamação muito ouvida. O corpo escolar, aqui, não necessariamente é o coletivo de profissionais envolvidos na dinâmica da escola, mas sim, uma frase que tenciona e encaminha muitas indagações sobre de qual corpo falamos e como especificamente estamos abordando, corporificando o que cabe a estes corpos. Cabe a experiência dentro da sala de aula? Cabe a experiência de um corpo no processo educacional? E se for pra falar de uma experiência que não é docente? Como corporificar um saber? Como incorporar o fomento de suas próprias respostas e de sua aprendizagem? Como produzir uma prática educacional que promova a construção/mediação de conhecimento a partir do próprio corpo dos educandos, por suas próprias produções de vida, de trajetória... do seu entendimento do que é ser e estar no mundo. Convidar a experiência para compor o corpo discente, já é desviar a lógica da sala de aula, onde o professor detém o conhecimento que o educando precisa aprender, e que normalmente é conduzido pela experiência de corpo desse outro alguém. Os educandos revisitam as suas experiências pra dar respostas, isso é mais que cognitivo, é epistemológico, como você produz o seu conhecimento. Você produz o seu conhecimento a partir das suas experiências, por isso uma atenção mais epistémica do que cognitiva. Como esse mecanismo de pensar surge nos alunos? Pelo corpo, de uma maneira expansiva, movendo, dançando. Mas como produz, de onde ele vem, a partir das experiências deles. Não há intento de analisar as experiências obtidas, acreditando que experiência não tange análise, mas sim, possibilitar o uso de narrativas dos alunos para demonstrar a condução dessa possibilidade. Lembrando aqui, que a presente autora é professora, portanto, este estudo também é uma forma de confrontar o encaminhamento da sua prática docente. Objetiva-se com este estudo, trazer como tensão o corpo para o cerne dos questionamentos, e do protagonismo na hora da produção de conhecimento. Formar, saber, descobrir, desvelar a sua possibilidade de aprender pelo seu próprio corpo. Nesta aula de dança, a competência, se expande para além dos processos cognitivos. Quando o processo é impelido por sua própria experiência (aquela gerada antes mesmo de ser educando em um espaço formal), o pensar pelo/no corpo, imprime ao processo educacional dançado, uma condução epistemológica. Se fazer corpo, pensamento e movimento, tudo numa tríade fundante do que pode ser uma experiência, do experienciar. Afinal, qual é o saber do corpo? Os referenciais para o presente trabalho, são teóricos e corporais. Os teóricos percorrem pelas provocações de Jorge Larrosa (2002), que afirma que a educação precisa ser pensada a partir da experiência, para ele definida como “o que nos acontece”, logo, corpo. Luiz Rufino (2019), que propõe uma lógica educacional invertida, indo contra aos saberes educacionais coloniais e racistas. Rufino, convoca o corpo popular, da rua para uma pedagogia, reportando a educação, como caminho enquanto possibilidade de reinvenção de seres. Dar sentido ao corpo! Não necessariamente este parâmetro está definido dentro da atual Base Nacional Comum Curricular, entretanto é imprescindível que comecemos dentro de nossas salas de aula, criar arranjos e desarranjar projetos de massificação, negação e precarização dos corpos. Mais do que de forma ética, agir de forma política as possibilidades que vem sendo negadas a longas histórias: os modos de saberes que não são institucionalizados. E porque dançando? Qual a especificidade da dança? A dança não surge como ferramenta, ela é o movimento de encontro, o caminho em que se encontra corpo para poder mobilizar, adentrar, barrar e burlar a essas tantas fronteiras que nos inseriram. A dança curricular na educação básica, formando o corpo escolar, já pode ser um lugar do antagônico, e dar subsídio pra essa subversão corporal da experiência, também fortalece a inversão. Danças, jogos, gingas, performances e palavras, que movem o pensar-corpo, deslocam as viabilidades da pesquisa de si e de ser. Movimentos educativos que dialoguem com o corpo educando em questão, e neste estudo, a Educação de Jovens e Adultos. Centralizar sujeitos em seus processos educacionais, recuperar os processos de corpo, de saber do corpo. Coreografias, movimentos, danças, que promovam rupturas e fricções ao que o colonialismo construiu como educação, principalmente de corpo. Este estudo orienta-se em pressupostos metodológicos de formas de abordagens, encontra-se em processo de maturação, sendo um dos suportes de orientação investigava da dissertação de mestrado da presente autora. Em virtude da atual conjectura educacional brasileira frente à continuidade da pandemia viral, a busca é norteada pelas primeiras proximidades das ações que aconteceram em sala de aula presencial e remoto. Mais do que uma proposta, este estudo é a firmação de um relato, de um acontecimento que já existe em determinado processo educacional. Visa-se aqui, a afirmação de mais uma habilidade para a dança, a epistemológica. E principalmente um ato de educar consciente da ação política que se é e que se precisa, formando pessoas, horizontalizando e acessando os saberes corporais que não se deslocam dos intelectuais.

Eixo Temático
  • Dança como Área de Conhecimento: Perspectivas Epistemológicas, Metodológicas e curriculares
Palavras-chave
corpo
saber
Dança
Educação
EJA