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O presente artigo tem por objetivo destacar as influências físicas, psicológicas e sociais que a dança folclórica Ciranda pode desenvolver nos corpos precarizados que chegam às escolas públicas do município do Rio de Janeiro. Nesta perspectiva, aponto as principais características dos discentes donos destes corpos, assim como, as possíveis intervenções que uma dança folclórica circular pode realizar em prol da construção da cultura corporal, do resgate da autoestima e da identidade dos atores envolvidos neste contexto. Neste texto apresento reflexões sobre o papel da escola pública, dos professores e gestores diante da realidade dos alunos que são submetidos a maus tratos. Esses educandos chegam às instituições educacionais com seus corpos mutilados física e psicologicamente, e com suas vozes silenciadas. O resgate destes aprendentes torna-se urgente. Ouvir suas interrogações e seus apelos deve fazer parte do cotidiano do ambiente escolar, para isto, ações que promovam o acolhimento e o afeto são imprescindíveis. As danças circulares manifestam estas características e podem figurar como um potente instrumento para o acesso às mazelas trazidas pelos estudantes à escola. O círculo apresenta uma simbologia de união, igualdade, inclusão e harmonia, em que todos os seus integrantes estão unidos em um mesmo objetivo e respeitando as diferenças. A Ciranda, com seus giros, alegria, beleza e vivacidade me estimulou a realizar, no ano de 2019, uma produção coreográfica com uma turma que ministrava aulas de Dança e Educação Física em uma escola municipal do Rio de Janeiro, e que, em sua maioria, era composta por estudantes com marcas no corpo e na alma decorrente de suas trajetórias. Em uma perspectiva praticoteórica, busquei através de palestra e roda de conversa despertar a conscientização da importância que cada um dos alunos desenvolvia na sociedade, independente das condições em que viviam. O êxito desta proposta só foi possível a partir do momento que aliamos teoria à prática. Através da realização da Ciranda todos perceberam que os conceitos que havíamos abordado em nossos diálogos se aplicavam naquela dinâmica. Em pouco tempo percebi uma mudança no comportamento dos discentes em relação ao interesse pelos estudos, ao trato com os profissionais daquela unidade escolar e principalmente com relação ao seu corpo e a sua autoestima. Estas mudanças foram constatadas através de observações e também da aplicação de um questionário com perguntas que abordavam questões referentes ao que eles haviam vivido. Suas respostas evidenciaram que os objetivos do projeto foram alcançados com sucesso. A fundamentação teórica foi construída a partir de alguns autores que colaboraram com as minhas reflexões, a exemplo de Miguel Arroyo, Jorge Bondía, Jacques Rancière e Cáscia Frade. Diante dos bons resultados obtidos, surgiu o desejo de realizar novos projetos com as danças folclóricas circulares, porém, em meio à pandemia do vírus COVID 19, questiono: como as aulas com danças folclóricas circulares ocorreriam em ambiente remoto? Os benefícios biopsicossociais desta prática seriam alcançados? No intuito de encontrar possíveis respostas para as minhas indagações, sigo articulando as pesquisas teóricas e práticas com as limitações que a realidade pandêmica exige.
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