Por uma formação educacional com dança

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Comitê Temático - Apresentação Oral
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Resumo

Como traduzir em propostas
as novas maneiras de exercer a potência,
de fazer valer o desejo, de expressar a libido coletiva,
de driblar as hierarquias, de redesenhar a lógica da cidade e sua segmentação,
de causar ruptura, discenso?
Peter Pál Pelbart

Como doutorando no programa de pós-graduação em Dança da Universidade Federal da Bahia, estou imerso em um exercício de pensar possibilidades para a formação educacional de corpessoas , por meio da Dança como componente curricular, área de conhecimento, não como conteúdo de outra disciplina (Arte ou Educação Física). Enquanto conexão da pesquisa, intensifiquei as relações com minha orientadora, que de pronto aceitou mergulhar juntas e, cada vez mais, buscar elementos que possam potencializar os desejos e driblar as hierarquias, como nas palavras de Pelbart (epígrafe acima). Agora não sou mais eu, somo nós.
Este trabalho flui sobre possíveis reverberações a partir de uma proposta de referencial curricular para o ensino de Dança na Educação Básica, especificamente sobre o livro: Componente Curricular Dança – uma proposta para o Ensino Fundamental, lançado em novembro de 2020. Com uma base epistemológica alicerçada em ideias de Paulo Freire (2001), Boaventura de Sousa Santos (2018), Isabel Marques (2011) e Beth Rangel [at. al.] (2018), dentre outras estudiosas, esta publicação reflete sobre o ensino de Dança, no Ensino Fundamental, e vem pautada, também, como fruto de experimentações e diferentes práxis educativas realizadas no processo de implantação da Dança enquanto componente curricular nas Escolas de Tempo Integral (ETIs) da Rede Pública Municipal de Ensino de Teresina – Piauí, processo iniciado em 2018.
A proposta contida no livro (FREITAS, 2020) sugere caminhos para se pensar a Dança enquanto meio formativo para crianças e jovens, no intuito de proporcionar novos entendimentos de corpo, de mundo e das relações que se processam entre estes, bem como de contextualizações históricas acerca da Dança, ao longo de temporalidades e espacialidades diferentes, bem como de possibilidades para pensar processos criativos como estratégia de aprendizagem.
Ao experimentar pensamentos de várias estudiosas, acabamos por utilizar uma perspectiva rizomática (FREITAS, 2017; DELEUZE; GUATTARI, 2014) para dar conta das inúmeras conexões que foram brotando quando se aproxima, por exemplo, o conceito de autonomia em Paulo Freire com a ideia de repensar entendimentos de corpo. A obra busca estabelecer diálogos entre práxis educativas e aspectos como: ensino, aprendizagem, entendimentos das concepções trabalhadas, dentre outras possíveis.
Diferentes re/leituras instigaram questões que contextualizam-se nas necessidades da contemporaneidade: que Dança/s chega/m nas escolas? Qual/Quais o/s objetivo/s dela/s? Como esta/s Dança/s tem mediado a formação de corpessoas, para viver a contemporaneidade? Também, movidas pela situação pandêmica em que vivemos, quando nos provoca a refletir sobre o que está por vir: que Danças estão por vir e como estas Danças dialogam com as necessidades da vida nos dias de hoje?
Neste sentido, o livro em questão reflete processos que ainda estão em curso, mas que já demonstram resultados como a mudança de entendimento das famílias relativo a uma questão inicial: pra que serve o ensino de Dança na formação de crianças e jovens, no Ensino Fundamental? Dentre inúmeros outros que reverberam no próprio corpo dos/as estudantes, e que vem influenciado pela ideia de uma formação pautada em pensamentos e ações de combate a posturas: colonialistas, racistas, patriarcais, machistas e discriminatórias, dentre outras.
A/s Dança/s pode/podem contribuir, como já tem feito em muitos lugares, para a formação de novos/as cidadãos/ãs, novos pensamentos, diferentes entendimentos acerca de questões importantes para a vida na contemporaneidade, tal como as políticas do/s corpo/s, as subjetividades produzidas por este/s nas escolas, dentre inúmeras outras possíveis (FREITAS; AQUINO, 2020). Entendendo que o momento é também de ação, não só de reflexão, este trabalho segue uma trajetória provocativa para pensar e agir sobre uma possível formação educacional em/com Dança.

Referências
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à Prática educativa. 19ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001. (Coleção Leitura).
FREITAS, Roberto. Componente Curricular Dança: uma proposta para o Ensino Fundamental. Teresina: Edição do autor, 2020. Disponível em <https://issuu.com/tupynt/docs/ebook3>.
FREITAS, Roberto; AQUINO, Rita. Dança no Ensino Fundamental: notas sobre práticas educativas para uma educação integral. In: BALDI, Neila Cristina; ARAÚJO, Lauana Vilaronga Cunha de; ZANELLA, Andrisa Kemel. Orgs. Processos criativos, formativos e pedagógicos em dança. Salvador: ANDA, 2020. p. 112-128. (Coleção Quais danças estão por vir? Trânsitos, poéticas e políticas do corpo, v. 4). Disponível em <https://portalanda.org.br/wp-content/uploads/2020/12/ANDA-2020-EBOOK-4-P....
MARQUES, Isabel A. Ensino de dança hoje: textos e contextos. 6ª ed. São Paulo: Cortez, 2011.
PELBART, Peter Pál. Ensaios do assombro. São Paulo: N-1 edições, 2019.
RENGEL, Beth [at al.]. Arte/Dança como tecnologia educacional I. Salvador: Escola de Dança, Superintendência de Educação Distância 2018.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Construindo as Epistemologias do Sul: Antologia essencial: Volume II: para um pensamento alternativo de alternativas. Compilado por Maria Paula Meneses [et al.]. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO, 2018.

Instituições
  • 1 Universidade Federal da Bahia
Eixo Temático
  • Dança em Múltiplos Contextos Educacionais: práticas sensíveis de movimento
Palavras-chave
Dança
Ensino Fundamental
COMPONENTE CURRICULAR
PERSPECTIVA RIZOMÁTICA