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Este trabalho é constituído a partir da minha experiência como coordenadora, há oito anos, do Projeto de Extensão Comunidança da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O projeto é desenvolvido a partir do oferecimento de oficinas de dança para a comunidade interna e externa da UFRJ na Escola de Educação Física e Desportos, para as escolas do ensino básico do município do Rio de Janeiro e para o Centro de Referência da Mulher Suely Souza de Almeida (CRMSSA). Atende aos pressupostos da Extensão Universitária e busca caminhar na Universidade como afirma João Antônio de Pádua (2013, p.20), acreditando que “É tarefa da extensão construir a relação de compartilhamento entre o conhecimento científico e tecnológico produzido na universidade e os conhecimentos de que são titulares as comunidades tradicionais.”
Presencialmente, atendemos em torno de 800 alunos na EEFD, nas três escolas 400 alunos e no CRMSSA 20 mulheres por oficina. Utilizamos uma única metodologia, porém buscamos objetivos específicos em cada ação. Bolsistas, colaboradores, extensionistas e coordenação, planejam, produzem e executam as ações extensionistas, pedagógicas, científicas, artísticas e culturais do projeto. Anualmente produzimos um seminário, a edição de um volume da nossa Revista Tessituras e trabalhos científicos na UFRJ. Mostras de dança semestrais, wokshops com mestres e profissionais do mercado da dança e bailes mensais. Todos os produtos artísticos, científicos e culturais são catalogados e visibilizados através das mídias sociais e pelo site próprio do projeto .
Com a chegada da pandemia, em um primeiro momento o que alcançamos, mediante a falta de conhecimento, preparo para a utilização das novas tecnologias virtuais e a impossibilidade da manutenção das ações nas escolas públicas por total falta de recursos tecnológicos, foi a adaptação dessas ações. A consequência foi a redução imediata e significativa do número de bolsistas e colaboradores do projeto e uma perda de cerca de 60% do público atendido. Isolados e abalados com a tragédia anunciada, decorrente do negacionismo do governo, buscamos através da ação virtual reativar o sentimento de humanidade, de solidariedade e de troca afetuosa através da tecnologia. Surgem as dificuldades pedagógicas, tecnológicas e artísticas que suscitam um investimento para a construção de um novo conhecimento, propostas e metodologias que deem conta das questões que surgiam à medida que conseguíamos rearticular nossas ações. Seguimos Lúcia Santaella (2008, p13), e pudemos experenciar que “uma nova formação comunicativa e cultural vai se integrando na anterior, provocando nela reajustamentos e refuncionalizações”. E os indicativos de Maíra Spanghero (2003, p.42) “Menos uma ruptura, as experimentações que, de alguma forma, digitalizam o corpo ou as tecnologias que a representam e o penetram são prolongamentos evolutivos.”
Mantivemos a metodologia de tempos presenciais, constituída a partir do atravessamento das Diretrizes da Extensão, parâmetros e pressupostos da base metodológica dos Cursos de dança da UFRJ, a Proposta Triangular de Ana Mae Barbosa e perspectivas críticas e filosóficas contemporâneas e associamos novas estratégias que iam sendo criadas para driblar: a inversão da imagem do corpo na tela, o delay, as quedas de internet, o espaço indisponível, a iluminação, presença de um bolsista e um monitor na mesma sala de reunião para acompanhar os processos dos alunos, vídeos no whastApp criados pelos professores e vídeos de feedback de aprendizado enviados pelos alunos, etc. Após quatro meses nos adaptando com o ambiente virtual, e seguindo um planejamento anterior a pandemia nos deparamos com a Mostra Coreográfica Anual do projeto. E foram, as discussões e a experimentações durante o processo de criação cênica que fizeram surgir novas questões e investidas metodológicas e tecnológicas, tanto para dar conta do evento como para alavancar questões e reflexões durante a avaliação final do projeto.
E é a partir dela, produto de uma construção coletiva entre a coordenação, a equipe e o público atendido pelo projeto, é que surgem as questões deste trabalho: Como implementar a metodologia do projeto utilizando a mediação tecnológica? Como promover metodologias para o ensino digital que possibilitem a ressignificação do corpo, espaço e tempo? Como potencializar o afeto e a interação através das salas de reunião? E quais danças estão por vir no projeto Comunidança a partir da articulação e hibridização possíveis através da mediação tecnológica?
Nosso objetivo geral neste trabalho é constituir um registro histórico e metodológico sobre o processo pedagógico desenvolvido pelo projeto e assim, contribuir para o Campo da dança e pesquisas sobre o Ensino e Extensão. E especificamente, com a finalização do estudo, desejamos encontrar indicativos para potencializar os processos de ensino, pesquisa e extensão do projeto embasando ações híbridas que possam ser desenvolvidas pós momento pandêmico. Como referências teóricas utilizaremos: Ivani Santana (2006), Lúcia Santaella (2008) e Maíra Spanghero (2003).
Referências:
PADUA, João Antônio de. A extensão universitária: história, conceito e propostas. Interfaces - Revista de Extensão, v. 1, n. 1, p. 05-23, jul./nov. 2013
https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistainterfaces/article/view/18930 visitado em 09/04/2021.
SANTANA, Ivani. Dança na Cultura Digital. Salvador, Edufba, 2006.
SANTAELLA, Lúcia. Culturas e artes do pós-humano: Da cultura das mídias à cibercultura. 3ªed. São Paulo, Paulus, 2003.
SPANGHERO, Maísa. A dança dos encéfalos acesos/Apresentação Helena Katz; texto Leda Pereira. São Paulo: Itaú Cultural, 2003.
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