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Maraã: reflexões sobre as artes da cena em tempos de pandemia
O ponto de partida
O título desse artigo surgiu após uma experiência docente ministrada na cidade do mesmo nome, cujo os desafios de levar arte educação passou a ser algo reptante para os locais de difícil acesso. Maraã é uma palavra indígena que tem várias expressões e significados no vocabulário amazônico. Além de nomear um dos municípios do estado do Amazonas, também batiza o igarapé afluente a margem esquerda do rio Japurá. Em tupi-guarani significa: doente, adoecer (LUIZ, 2011).
No entanto, o termo Maraã não possui uma definição plena. A expressão mais aceita pela população é a “pau onde brota a fruta mara”, fruta que existia em abundância, mas atualmente extinta na região. Outra teoria seria a junção de duas palavras: Mara=espinho e aã=porto. Logo, porto de difícil acesso (INFORMAL, 2013).
A partir desses significados da palavra Maraã foi estruturado um roteiro com tópicos metafóricos para nortear os assuntos aqui abordados. O impulso para a produção da escrita deste texto foi motivado pela seguinte questão: Qual o posicionamento dos artistas amazonenses diante da situação dos setores artísticos no enfrentamento da pandemia?
Doente ou adoecer
Iniciamos o ano de 2020 com grandes desafios em todos os setores da sociedade e o impacto no ambiente cultural não foi uma surpresa. Com esse momento sombrio, infelizmente o setor artístico foi afetado e influenciou diretamente nas produções artísticas em todo o país. Diante dessas questões a sociedade ainda teve que enfrentar outros problemas sociais que se intensificaram durante esse momento.
O fazer e o produzir foi se modificando enquanto atividade humana. Procurar meios para articular estruturalmente com a nossa atual noção de capital cosmológica da sociedade se tornou algo desafiador. A natureza transformando os designíos da cultura humana. A essência modificada desde a gestualidade até a forma corporal (CASTRO, 1979, p.41).
Gerir arte e gerar cultura, como seria possível nutrir esperança para as pessoas atualmente? Uma pergunta que a maioria das pessoas ainda não saberiam responder! Mas observamos que os problemas sociais ganhavam forças em vários aspectos aumentando todos os dias os casos trágicos sociais.
O fato é que vivemos um momento em que parece escorregar das nossas mãos o que julgávamos óbvio e inescapável. O planeta já não é mais nosso e se encontra vazio de sua complexidade. É durante essas circunstâncias que o papel transformador da arte pode ainda mais emergir e não há nada mais consagrado para isso numa sociedade enferma.
Pau onde brota a fruta mara
Alguns artistas tiveram que pensar incansavelmente em soluções para a sobrevivência do setor que, apesar dos problemas, conseguiram filtrar ideias até acharem alguma solução, contuso, outros, infelizmente, tiveram que parar. Felizmente algumas linguagens artísticas que, durante todo esse momento de propagação do vírus, se fizeram presentes constantemente no ambiente familiar através de diversas dinâmicas como: leituras, filmes, músicas, danças, jogos, brincadeiras, dentre outras possibilidades, tentando amenizar os impactos, o desgaste emocional e físico na vida das pessoas.
É de suma importância entender que a arte e a educação andam juntas completando uma à outra principalmente nesta circunstância em que estamos vivendo diante à pandemia. Não ter o devido apoio neste setor prejudica a sua essência diante desse cenário econômico, político e cultural no país na atualidade. São necessárias iniciativas culturais para demonstrar que a cultura no Brasil não se ausentou no enfrentamento de novas dificuldades e também auxiliou a evitar problemas sociais graves.
Porto de difícil acesso
Assim chegamos à constatação que nós, indivíduos, nada mais podemos fazer do que agirmos coletivamente dentro de nossas possibilidades e habilidades. Esta situação de enfrentamento de pandemia nos lembra tempos de mudanças nas artes ocorrido no final do século XX com a chegada da industrialização na Europa e Estados Unidos. Aquela época foi marcada por mudanças tecnológicas e a crise no meio artístico se instalou. Muitos artistas tiveram que repensar a arte para aquele momento (LOUPPE, 2012).
A tecnologia se instalou de uma forma, como um “vírus”, que tiraram os artistas da zona de conforto e provocaram questionamentos nos seus afazeres artísticos. Foi um momento de grande reflexão e mudanças em todos os setores da arte (LOUPPE, 2012).
A máquina fotográfica chegou enfrentando a arte da pintura, fazendo o artista questionar sobre este aparelho que podia reproduzir fotos de outras pessoas ou mesmo paisagem muito melhor que suas pinturas. A mesma situação ocorreu com o teatro com a chegada do cinema, onde os atores se sentiram impotentes com a noção de realidade que a tela de cinema construía durante uma sessão de filme (LOUPPE, 2012).
Diante da semelhança de situação, os artistas enfrentaram uma nova discussão sobre o sentido de fazer arte, de produzir cultura e sua diferença diante da tecnologia. Os artistas se viam sendo substituídos por robôs e máquinas no seu fazer artístico.
O igarapé afluente a margem esquerda
Atualmente, com a dança contemporânea, podemos ter uma visão ampla sobre a dança e discutimos muito sobre o que é arte e o que é dança, e também sobre a impossibilidade de definição dessas áreas. O interessante é buscar saber o entendimento sobre as artes e seus conceitos, onde existem várias formas e também existem diversas modalidades e técnicas de dança espalhadas por vários locais.
CASTRO, Eduardo B. Viveiros de. A fabricação do corpo na sociedade Xinguana. Museu Nacional – UFRJ. NEAI. UFT – Campus Porto: 1979.
INFORMAL, Dicionário. Significado de Maraã. Crédito: Dicionário Informal 2013
LUIZ, José. Significado de Maraã. Crédito: Dicionário Informal 2013
LOUPPE, Laurence. Poética da Dança Contemporânea. Lisboa: Orfeu Negro, 2012.
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