Germaine Acogny e a sua obra “Danse Africaine”– notas de tradução e partilhas de dança

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Comitê Temático - Apresentação Oral
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Resumo

Germaine Acogny e a sua obra “Danse Africaine”– notas de tradução e partilhas de dança
Autoras: Daniela Maria Amoroso e Roberta Ferreira Roldão Macauley,
Pós Doutora em Artes Cênicas pela Paris 8/ Docente UFBA
Doutoranda em Artes Cênicas no PPGAC/UFBA
Dança e Diáspora Negra: poéticas políticas, modos de saber e epistemes outras
Resumo
Nossa proposta consiste na partilha das notas de tradução e dos comentários tecidos por nós no decorrer do processo de tradução da obra de Germaine Acogny, Danse Africaine, publicada em 1994, nos idiomas Francês, Alemão e Inglês. Ressaltamos que esta será a primeira tradução da obra para a língua portuguesa e que recebemos a autorização da autora para essa realização. Germaine Acogny escreve no prefácio do livro que “o mundo inteiro se tornou meu local de trabalho” e que seus pés tocaram o solo dos cinco continentes. Traduzir esta obra de Germaine Acogny vem possibilitando ampliar o conhecimento sobre epistemologias afro referenciadas em dança, além de mover o pensar sobre a existência de grandes mulheres africanas que movem o mundo. Entendemos a importância dessa artista da dança no combate ao cenário crítico de apagamento e racismo epistemológico, demonstrando que a dança é um campo legítimo de conhecimento e agente de mudança social. Ancoradas na complexidade do paradoxo “traduttore traditore” e de acordo com SILVEIRA (2008, p.07), na Nota do tradutor do livro Pele Negra, Máscaras brancas, a tradução trai para ser mais fiel: “Ao pé da letra, o provérbio italiano, pretende que a verdadeira natureza da tradução é a traição, mas quero crer que há uma pitada de ironia nesse jogo de palavras”. Nosso intuito nesse compartilhamento é o de ampliar o alcance de saberes não hegemônicos e visibilizar potências no contexto da dança africana. Enquanto metodologia compartilhamos partes da obra nas reuniões do Grupo de Pesquisa Umbigada (CNPq), coordenado pela Professora Daniela Maria Amoroso como ignição dos sentidos que as palavras de Germaine Acogny provocava nos corpos participantes. De acordo com a etnocenologia brasileira é no corpo (skéné) que o entendimento estético acontece (AMOROSO, 2021) e nesse sentido, pudemos dançar alguns princípios da Técnica Acogny, através da vivência “O Movimento dos Baobás” no Teatro experimental da Escola de Dança, em 2019. Além disso, temos nessa relação de orientação um processo dialógico de ensino aprendizagem a partir da leitura da obra. Entendemos que seja importante dizer que Roberta Roldão vem desenvolvendo uma pesquisa de Doutorado a partir de sua prática, na École des Sables desde 2011, no Estágio de Formação Profissional “Croisement des Chemins” (Cruzando Caminhos) e que já qualificou sua tese de doutorado, tendo o pesquisador Doutor Patrick Acogny como membro da banca. Deste modo, trazemos a etnoimplicação (MACEDO, 2013), o compartilhamento coletivo das reflexões da tradução, como diálogos transatlânticos (RATTS, 2006) e principalmente a interlocução com a própria autora da obra enquanto procedimentos metodológicos da tradução. Neste artigo, relataremos algumas passagens deste processo, prezando também pela ressignificação da obra na contemporaneidade.
Palavras-chave: GERMAINE ACOGNY.DANÇA AFRICANA.TRADUÇÃO.
Referências Bibliográficas
ACOGNY, Germaine. Danse Africaine=Afrikanischer Tanz/Germaine Acogny. [Photo: F.C.Gundlach; Wolfgang von Wangenheim].-4.Aufl.-Weingarten:Weingarten, 1994 ISBN 3-8170-4005-9
AMOROSO, Daniela. No miudinho se corre a roda: Trajetos a partir das noções do Passo, da Etno[Skènos]Logia e da Criação. In Matrizes Estéticas Na Cena Contemporânea: Diálogos Entre Culturas, Práticas, Pesquisas e Processos Cênicos. Salvador: EDUFBA, 2021.
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas/Frantz Fanon; tradução de Renato da Silveira.-Salvador:EDUFBA, 2008.
MACAULEY, Roberta Ferreira Roldão. A Flor Branca do Baobá. In: Amélia Vitória de Souza Conrado; Celina Nunes de Alcântara; Fernando Marques Camargo Ferraz; Maria de Lurdes Barros da Paixão. (Org.). Dança e Diáspora negra: poéticas políticas, modos de saber e epistemes outras. 1ed.Salvador: ANDA, 2020, v. 6, p. 525-537.
MACEDO, Roberto Sidnei. Atos de Currículos: uma incessante atividade etnometódica e fonte de análise de práticas curriculares. Currículo sem fronteiras, v.13, nº 3, p. 427-435, set/dez 2013.
RATTS, Alex. Eu sou atlântica: sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento. Instituto Kuanza: São Paulo, 2006.
Orientadora e co-autora:
Daniela Maria Amoroso
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/7502274109504758
Professora da Escola de Dança da UFBA, Pós-Doutora pela Université Paris 8-Saint Denis, Doutora em Artes Cênicas pelo Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia/ UFBA. É artista, dançarina e pesquisadora.
Roberta Ferreira Roldão Macauley
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/9990054896245493
Mestre em Artes (UFU), sendo a dissertação fruto de sua vivência com a família Mapuaba, representou a convite do Ministério das Relações Exteriores e da Embaixada do Brasil em Dakar, em uma formação profissional de danças tradicionais e contemporâneas de origem africana organizados pela École des Sables, sob a direção de Germaine Acogny e Patrick Acogny.

Instituições
  • 1 Universidade Federal da Bahia
Eixo Temático
  • Dança e diáspora negra: poéticas políticas, modos de saber e epistemes outras
Palavras-chave
GERMAINE ACOGNY
DANÇA AFRICANA
Tradução