Experimentações com dança em um currículo: aprender com a diferença por meio da abertura aos devires

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Comitê Temático - Apresentação Oral
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Resumo

Este trabalho traz resultados de uma pesquisa de mestrado que foi conduzida pelo eco da seguinte pergunta: o que pode a dança em um currículo que se abra para experimentações, de modo que corpo e pensamento se movimentem e provoquem o aprender com a diferença? A pesquisa foi feita em uma escola pública da região metropolitana de Belo Horizonte/MG e envolveu experimentações com diferentes possibilidades em dança contemporânea: Improvisação, Contato Improvisação, Videodança e Composição Coreográfica. As experimentações foram feitas com quatro turmas do 8º ano e seis turmas do 9º ano do Ensino Fundamental. Seguiu-se os estudos curriculares pós-críticos, que veem o campo curricular como um lugar de invenção, em que diferentes currículos podem ser criados no cotidano, e mostram a importância de criar metodologias para responder às especificidades de cada problema de pesquisa (PARAÍSO; MEYER, 2012). A metodologia criada foi dançarilhar, uma composição entre esses estudos, a cartografia, que é uma prática teórico-metodológico que acompanha processos (BARROS; KASTRUP, 2009), inspirada nos estudos de Gilles Deleuze e Felix Guattari, e o personagem andarilho de Nietsche (2005). Um dos resultados é que experimentações com dança em um currículo pode criar um currículo-dançante, uma composição entre currículo e dança. Esse currículo é construído no dia-a-dia e coloca corpo-pensamento para dançar. Argumenta que o movimentar de um currículo-dançante desencadeou um aprender com a diferença por meio de devires: devir-professora e devir-criança, que evidenciaram a importância de se conectar aos corpos dos/as estudantes para aprender com a diferença de cada um/a. Currículo é território de encontros. Um encontro se dá quando se depara com um corpo que provoca de alguma maneira e incita a pensar (SPINOZA, 2017). Dança é pensamento (KATZ, 1994), e um corpo que pode afetar e ser afetado. Devir é se agenciar com corpos de naturezas diferentes, pois dispensa a semelhança (DELEUZE; GUATTARI, 2012). Diferença é a singularidade de cada um/a, de cada corpo. O devir-professora se evidenciou quando a pesquisadora precisou assumir aulas semanalmente, mesmo estando na escola para pesquisar, o que a conduziu a uma mudança na maneira de pensar, sem pressupostos, aberta aos encontros, com foco nos processos e não em um fim. O devir-criança se evidenciou na abertura em aprender com o imprevisível, por meio da amizade e conexão com os desejos dos/as estudantes. Um currículo-dançante pode criar vínculos e fazer trilhar outros caminhos com corpos que se juntam, se implicam, e dão sentido a um currículo. Pode fazer dançar novos passos que ocorrem no próprio fazer, sem prescrições aberto ao novo.

Referências:
BARROS, Laura P.; KASTRUP, Virgínia. Cartografar é acompanhar processos. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana da. (orgs.). Pistas do método da cartografia: Pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009. Disponível em: <https://desarquivo.org/sites/default/files/virginia-kastrup-liliana-da-e... . Acesso em: 11 out. 20.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia 2, v. 4. Tradução Suely Rolnik. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2012.
JÓDAR, Francisco; GÓMEZ, Lúcia. Devir-criança: experimentar e explorar outra educação. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 27, n. 2, p. 47-57, jul.-dez. 2002.
KATZ, Helena. Um, dois, três. A dança é o pensamento do corpo. 1994. 199 f. Tese (Doutorado em Comunicação e Semiótica) – Pontifícia Universidade Católica, PUC-SP, São Paulo, 1994.
NIETZSCHE, Friedrich W. Humano, demasiado humano: um livro para espíritos livres. Tradução, notas e posfácio de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia da Letras, 2005.
PARAÍSO, Marlucy Alves; MEYER, Dagmar Estermann. Metodologias de pesquisas pós-críticas ou sobre como fazemos nossas investigações. In: MEYER; PARAÍSO (orgs). Metodologias de pesquisas pós-críticas em Educação. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2012.
SPINOZA, Benedictus de. Ética. Tradução e notas de Tomaz Tadeu. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.

Instituições
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais
Eixo Temático
  • Dança como Área de Conhecimento: Perspectivas Epistemológicas, Metodológicas e curriculares
Palavras-chave
Dança
CURRÍCULO
aprender
Diferença
Devir