ENTRE TEXT(O)URAS DO SOM E MOVIMENTO EM FORMAÇÃO CONTINUADA PARA PROFESSORES DE ARTE DA REDE PÚBLICA DE ENSINO DO ESTADO DO AMAZONAS

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Comitê Temático - Apresentação Oral
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Resumo

Imagine se você pudesse tatear ou ver um som... como seria, em movimento, a percepção da textura desse som? Textos e texturas de um som: leves, aguçadas, espetadas, despedaçadas, macias, pesadas, ásperas, relaxantes, enxutas, irritantes... perceptíveis, sensíveis a cada combinação de timbre, força, ritmo ou altura. Sensibilidades auditivas essas que, por se darem no corpo, se relacionam com os demais sentidos numa espécie de rede ou trama, própria de um tecido, pois as informações perceptivas de um corpo não conseguem conceber em separado (BERTHOZ, 2000). Desta forma, sempre comporão a pessoa de percepções relativas, ou seja, relacionadas com outros sentidos, dentre eles o movimento, que pode aparecer de forma dançante se conscientemente estimulado.
Essa concepção teóricametodológica do movimento norteou a proposta pedagógica de um dos encontros de formação continuada em arte a distância promovido pelo Programa de Extensão Polo Arte na Escola da Universidade do Estado do Amazonas (Polo Arte-UEA) em parceria com a Rede Colaborativa de Formação Continuada da Secretaria Municipal de Educação de Manaus (GFC/DDPM/SEMED) e com o apoio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto do Amazonas (SEDUC), durante o ano de 2020. O Polo Arte-UEA tem como premissa em suas ações promover cursos de formação continuada para professores de Arte da rede pública de ensino no Amazonas. As autoras deste texto são coordenadoras deste programa de Extensão. Nesta formação intitulada “Reinventar-se: entre texturas de movimento e videodanças na Escola”, a proposta de trabalho teve origem na continuidade da percepção da Paisagem Sonora como composição musical, abordada na formação anterior, seguindo para a composição em dança a partir das texturas sonoras que podem provocar texturas de movimento.
Neste contexto, o intento era promover um encontro consciente de percepções para estes professores e fazedores de arte, entre sons e movimento. E nessa experiência do movimento, no campo de suas qualidades (RENGEL, 2008), que a ação pudesse transcender ao campo artístico, ou seja, pudesse promover dança.
Assim, em termos metodológicos, o estudo abordou qualitativamente e exploratoriamente, em campo, como nos foi possível, enquanto autoras e propositoras, a experiência percebida pelos professores participantes da formação. O foco foi o de explorar conhecimento sobre possíveis elaborações artísticas pedagógicas do corpo em movimento que venham promover sensações/percepções outras na escola, tanto no professor, como no aluno.
Berthoz (2000) aponta para um sentido do corpo pouco explorado, o sentido do movimento. Este sentido passa pela propriocepção muscular e pelo sistema vestibular, os quais atuam no nível da inconsciência e, por isso, não é percebido da mesma maneira que os outros cinco. Ele busca não só a soma, mas a relação entre os sentidos para que o organismo conclua uma conscientização ou reação a algo. Ele é multissensorial. É a cooperação entre os vários sensores que faz com que percebamos e aprendamos, além de, na ocorrência, um sentido seja “printado” com outros ou todos em milésimos de segundo, fazendo com que nunca percebamos algo (signifiquemos para nós) com um sentido isolado. Chamamos atenção que o sentido da audição tem amplo reconhecimento; já o do movimento que ocorre ainda na inconsciência, não. Portanto, apontamos aqui o movimento como um sentido do corpo, uma forma particular de perceber o mundo, que ocorre e sofre influências na sua ocorrência com os demais sentidos. A proposta, neste momento, é sua relação com a audição.

Indeed, to the five traditional senses - touch, sight, hearing, taste, smell – we must add the sense of movement, or kinesthesia. Its characteristic feature is that it makes use of many receptors, but remarkably it has been forgotten in the count of the senses. [...] A plausible explanation is that it is not identified by consciousness, and its receptors are concealed. (BERTHOZ, 2000, p. 25)

Nessa trama, neste tecido de sentidos, buscamos entre texturas do som e texturas do movimento experenciar percepções que pudessem contribuir com fazeres artísticos e olhares sobre o contexto escolar. Ao perceber, textos são criados conforme suas significações, músicas são compostas e danças são realizadas, partindo do princípio que na dança “a ação condiciona a existência, uma vez que para ser dança, a dança precisa estar sendo feita” (KATZ, 2005, p. 87). O professor participante, por exemplo, ao perceber um som agudo, contrai os músculos, buscando organizações corporais que deem espaço para essa contração. A partir disso, o corpo se conforma. É importante ressaltar que, cognitivamente, o sentido do movimento, voltamos a dizer, é “printado” com o sentido auditivo e, portanto, inerente a ocorrência do estímulo inicial.
Ao perceber um som, entendendo que perceber nunca é isolado, pois os sentidos são ativos (Noe, 2004) e sempre congruentes, enredados com os demais, o sentido do movimento é inconscientemente “solicitado” e “vibrado” com as ondas sonoras. Porém, não só as qualidades de movimento se apresentam como ações dessa percepção, mas significações, metáforas (LAKKOFF & JONHSON, 1999) são desenvolvidas nestes princípios sensóriomotores, capazes de acionar ocorrências dançantes, ou seja, que partem da qualidade de movimento para compor textos e construir linguagem. Se texturas de som e de movimento significam para nós, composições artísticas são inerentemente geradas.

Palavras-chave: DANÇA. MOVIMENTO. SOM. TEXTURAS. TEXTO

REFERÊNCIAS
BERTHOZ, Allain. The Brain´s sense of movement. Transl. Giselle Weiss. Cambridge: Harvard University Press, 2000.
LAKOFF, George; JONHSON, Mark. Metáforas da Vida Cotidiana. Campinas: EDUC, 2002.
NOE, Alva. Action in Perception. Cambridge: MIT Press: Cambridge/MA, 2004.
RENGEL, Lenira. Os Temas do Movimento de Rudolf Laban: modos de aplicação e referêncais I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII. São Paulo: Anablume, 2008.
KATZ, Helena T. Um, dois, três. A danç

Instituições
  • 1 Universidade do Estado do Amazonas
Eixo Temático
  • Dança em Múltiplos Contextos Educacionais: práticas sensíveis de movimento
Palavras-chave
Dança
Movimento
som
textura
TEXTO