DANÇAR ENTRE MANDINGAS E "SABENÇAS"

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Comitê Temático - Apresentação Oral
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Resumo

Dançar entre Mandingas e “Sabenças” é uma narrativa poética escrita a partir de vivências com os saberes tradicionais, nas giras de corpos, entre jogos e brincadeiras populares, a exemplo da capoeira, do coco e do Boi de Reis. Propõe-se uma investigação nos processos educacionais artísticos corporais, no ano de 2021, em São Gonçalo do Amarante/RN, cidade conhecida popularmente como lugar de fé, de cultura e oportunidades. Contaremos experiências junto à rede educacional municipal da cidade atravessando os chãos das 53 escolas, que atendem ao número de 14 mil estudantes, cada um com a sua singularidade e história que se pluralizam quando se encontram fora e dentro do contexto escolar.
Acreditamos em um processo educativo corporal em constante transformação. O que vale é a experiência vivida, aprender desde dentro a “mandingar” nossos saberes. A mandinga como a “...sapiência do corpo, é o saber que é lançado ao mundo a partir dos princípios e potências corporais” (RUFINO, 2019 p.59).
Assim, trazemos aqui os saberes tradicionais ou “sabenças” em diferentes experiências de mundo, entre histórias corporais das/os alunas/os, como de tantos corpos envoltos nesse processo de pesquisa. Os saberes, “o corpo como um sistema cognitivo amplo e complexo os incorpora e expressa em forma de mandinga”. (RUFINO, 2019 p.60).
Trazendo aspectos dessa educação corporal vinda desde o ventre, perpassando pelas/os mestras/es dos saberes e mestras/es acadêmicas/os, hoje o corpo amparada/o pelo Jogo da Construção Poética (MACHADO, 2017), propõe um pensar, sentir e fazer corporal desde dentro de nossas próprias histórias, das escolas/espaços onde atuamos, assim como de dentro dos terreiros de pesquisas entre “sabenças” e mandingas.
Escrevemos aqui sobre corpos que dançam memórias, que se revelam na cena e que se questionam, que vêem aprendendo e ensinando ser estar no mundo contando histórias de vida em trocas contínuas propondo uma maneira de recriar o processo educacional. Entre implicações políticas e educacionais que se apagam e se revelam nesse processo de recriação do imaginário popular surgem questões pessoais que se universalizam.
Acreditamos nas transformações de processos educacionais enrijecidos, na arte, nas histórias de vida, nas contações de histórias, nas gingas corporais, nos ritos de nossos povos e culturas, nos campos e terreiros de mandinga, nas “sabenças” e memórias vivas. Tudo isso enquanto saberes em via de encantamento. Em concordância com Rufino (2019), acreditamos ainda que:
A rotina do colonialismo tem sido a de executar milhões de corpos, construir igrejas, catequisar, velar e buscar uma salvação. Porém, aqueles milhões de corpos assassinados, torturados, seqüestrados, estuprados, mulheres, crianças e jovens compõem um complexo de sabedorias que subsidiam as práticas que disferem golpes na maquinaria colonial. Se para cada centena de mortos pelo colonialismo se constrói uma igreja, na perspectiva das encruzilhadas, cada corpo é um totem que imanta e reverbera potências que significam a vida. (RUFINO, 2019, p.145-146).
Hoje escrevemos sobre mandigas e “sabenças” de corpos em transformações contínuas, que a partir de suas poéticas e ancestralidades, na fé das relações com as/os mais velhas/os, entres avós rezadeiras, vivem um abre e fecha de amores, cuidados e benzimentos a girar o mundo, entre vivências de pertencimentos e dores impostas pela maquinaria colonial.
Nesse artigo, parte da pesquisa de doutorado em Dança da UFBA, entre os marcos teóricos estão a proposta metodológica Jogo da Construção Poética de Lara Machado (2017), dinamizando corpos em trânsitos e transformações a partir das brincadeiras do Boi, do Coco e da Capoeira. A Pedagogia das Encruzilhadas de Luiz Rufino (2019) em alento para nossas giras rodadas até aqui. As sabedorias de Antônio Bispo dos Santos (2019) em Colonização, quilombos: modos e significações. As propostas das autoras, Marie Chistine Josso (2010) em Experiências de vida e formação e Fátima Freire Dowbor (2008) em Quem educa marca o corpo do outro.
Nessa escrita, as memórias cantadas, contadas, dançadas, trocadas, “mandingadas” e encantadas no encontro com o sagrado, se elaboram e se reconstroem na tradição cultural de povos e lugares, onde corpos poéticos criam-se e recriam-se ao dançar entre mandingas e “sabenças”.

Instituições
  • 1 Universidade Federal da Bahia
  • 2 Universidade Federal do Sul da Bahia
Eixo Temático
  • Dança e diáspora negra: poéticas políticas, modos de saber e epistemes outras
Palavras-chave
Dança
MANDINGA
saberes tradicionais
“SABENÇAS”
CORPO-BRINCANTE