Dançando a Gaga: do presencial ao on-line

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Comitê Temático - Apresentação Oral
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Resumo
Esta pesquisa busca informar aspectos que permeiam a linguagem Gaga, a partir de uma perspectiva de observação que ocorreram durante dois anos de experiência entre aulas presenciais e on-line. A Gaga, foi idealizada no início dos anos 90 pelo coreógrafo israelense Ohad Naharin, quando atuava como diretor artístico da Batsheva Dance Company em Israel. Para a elaboração de possíveis definições e estruturas metodológicas que permeiam a Gaga, foi realizada a análise de matérias bibliográficos, vídeos, entrevistas, observação de espetáculos, participação em workshops e aulas on-line, onde este formato foi implementado diante do contexto COVID-19. Tais estudos foram experienciados presencialmente em 2019, no workshop linguagem Gaga ministrado pelo ex-integrante da companhia e professor licenciado, Shamel Pitts; e de forma on-line com início em março de 2020 a 2021, ainda sendo realizada; e em julho de 2020, no workshop on-line, com Ohad Naharin e professores convidados. Sendo assim, a partir das experiências com a linguagem foram identificadas ferramentas metodológicas que fazem parte do desenvolvimento prático e teórico que influenciam no aprimoramento das potencialidades criativas do praticante, com a pretensão de alcançar uma melhor compreensão desta abordagem. 1. Diálogos iniciais em Gaga Esta pesquisa evidência uma reflexão das principais ferramentas criativas que fazem parte da Gaga, trazendo alguns esboços que ocorreram a partir da experimentação com a linguagem durante dois anos de forma presencial em 2019 e e remota em 2020 a 2021, sendo implementado este formato devido ao contexto COVID-19. Levando em conta a observação e análise das aulas, foi possível identificar ferramentas metodológicas utilizadas de forma recorrente. Desta forma, tais elementos contribuíram no desenvolvimento de potencialidades criativas e na reflexão do movimento habitual. Ainda assim, por mais que a linguagem tenha ganhado popularidade, existem poucos registros e fontes acadêmicas que detalhem o seu funcionamento metodológico. A partir do primeiro contato em 2019, foi iniciada a busca por registros, vídeos, entrevistas, workshops, entre outros, foi possível formalizar intenções metodológicas sobre a linguagem, a fim de descrever os principais aspectos, variações e texturizas, como: shake, float e groove. Vale ressaltar que a intenção desta pesquisa é trazer uma reflexão sobre o processo prático da Gaga, trazendo um ponto de vista particular. O desenvolvimento prático e teórico da Gaga ocorreram no início dos anos 90, dentro da Batsheva Dance Company pelo coreógrafo israelense Ohad Naharin. Apesar de ser uma linguagem conhecida mundialmente, ainda existem poucos materiais bibliográficos que ponderem. O objetivo aqui, é sinalizar algumas reflexões que foram atingidas desde o primeiro contato com a prática até o momento presente, dando maior ênfase no período de quarentena a partir do contexto COVID-19, onde passamos por adaptações sociais. A linguagem Gaga explora o processo de formação e elaboração do movimento, ao invés do resultado. É possível reconhecer os limites e explorar as potencialidades corporais, o qual sua filosofia parte do íntimo, como Naharin comenta no documentário Gaga: O amor pela dança produzido por Tomer Heymann em 2017, “Romper limites é uma questão cotidiana. Eu posso sentir que rompi meus limites hoje, mas então, eu tenho novos limites. Estou em um novo lugar. Amanhã, isso não será o suficiente e vou investigar mais.” A prática Gaga requer um treinamento diário, onde busca adquirir um corpo consciente e conectado com o presente, além de ser um trabalho que procura atingir certo nível de profundidade, é possível sentir a energia e a sensação do movimento. Apesar dos 31 anos de existência, a linguagem ainda está ligada com o seu fundador. Ohad Naharin nasceu em 1952, na cidade de Kibbutz Mizra, Israel. Filho de Eliav Naharin e Tzofia Naharin, cresceu numa casa repleta de estímulos criativos e artísticos. Seu pai era ator, psicólogo e contava histórias antes de dormir, o qual despertou o interesse pela aprendizagem por meio da imaginação. Já sua mãe, estudou o método de base somática com Moshe Feldenkrais (Hogstad, 2015, p. 18). Essas influências podem ter servido como estímulo para a ideia Gaga, onde a linguagem explora a criação por meio da imaginação. Durante sua trajetória, Ohad Naharin nunca recebeu diretamente uma formação em dança. Sua aptidão para o movimento foi descoberta, quando se juntou a Tropa de Entretenimento do Exército, servindo por três anos. Nos meses que antecederam sua dispensa, Naharin (Gaga: O amor pela dança, 2017) explica que sua mãe ligou para a Batsheva agenciando sua admissão na companhia, sendo aceito e iniciando oficialmente seus estudos em 1974. Naquele período Martha Graham era consultora artística da companhia, durante o primeiro ano de Naharin a coreógrafa foi convidada para ir à Israel com a finalidade de criar um trabalho para a Batsheva. Por conseguinte, surge um convite para que ele se juntasse a sua companhia em Nova York. Como afirma Naharin: Martha Graham veio a Israel pela primeira vez fazer um novo trabalho para a Companhia de Dança Batsheva e começou a se apaixonar por mim, porque eu a fazia ela se lembrar de Bob Powell, que era um lindo dançarino. Ele era o oposto do machão. Parecia um gato e eu queria me mover daquele jeito. Seis meses depois estava em Nova York dançando com Martha Graham. (Gaga: O amor pela dança, 2017). Além de dançar na companhia de Graham também teve a oportunidade de estudar com Limón e frequentou aulas com Stanley Williams e Richard Rapp, Maggie Black e David Howard. De acordo com o site da Batsheva Dance Company durante sua estadia em Nova York, entre 1975 e 1976, Naharin estudou na School of American Ballet, The Julliard School e posteriormente no Ballet du XXe siècle XXII de Maurice Béjart. Em 1990, retorna para o Batsheva Dance Company a partir de um convite para assumir a direção artística na companhia, marca um novo período para o grupo e se torna ponto central da dança contemporânea israelense. Ele coreografou mais de 20 obras explorando sua linguagem, o qual a denominou de Gaga. Além de suas produções na companhia, fez trabalhos como coreógrafo convidado para: Nederlands Dans Theatre, Ballet Frankfurt, Lyon Opera Ballet, Compania Nacional de Danza, Culberg Ballet, Finish National Ballet, Paris Ópera Ballet, Bale da Cidade de São Paulo, Cedar Lake Contemporary Ballet, Hubbard Street Dance Chicago e Los Grand Ballets Canadiens. O coreógrafo iniciou sua pesquisa corporal após uma lesão nas costas que o deixou com danos permanentes. Durante o processo de recuperação ele teve de aprender a lidar com suas limitações, como esclarece, “Lidar com minhas limitações foi a experiência de aprendizagem mais significativa no estudo do meu corp
Instituições
  • 1 Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC
Eixo Temático
  • Dança como Área de Conhecimento: Perspectivas Epistemológicas, Metodológicas e curriculares
Palavras-chave
GAGA
OHAD NAHARIN
On-line
Dança Contemporânea