Currículo Implicado: Uma proposta afropersperctiva para o ensino em Dança

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Comitê Temático - Apresentação Oral
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Resumo

Currículo Implicado: Uma proposta afropersperctiva para o ensino em Dança

Danilo dos Santos Ferreira-UFBA/UNILAB
Lissandra Patrícia Conceição dos Santos-UFBA

Dança e diáspora negra: poéticas políticas, modos de saber e epistemes outras

O presente trabalho é fruto das experiências e vivências adquiridas ao longo das atuações enquanto professores de Dança e curriculistas. Durante um diálogo sobre a construção de currículos, percebemos o quanto é importante a participação dos professores na construção do currículo na educação básica. Sabe-se que o currículo geralmente surge de maneira hierárquica e excludente, impondo de modo antidemocrático saberes direcionados a comunidades que divergem do seu contexto.
Para Macedo (2017), o currículo é “um artefato socioeducacional que se configura nas ações de conceber/selecionar/produzir saberes, organizar, institucionalizar, implementar/dinamizar saberes [...] visando uma dada formação.” Mas essa formação do outro necessita estar atrelada ao seu desejo e ao seu contexto.
Como construir currículo para o outro sem o outro? O currículo de uma Escola no Amazonas deve ser o mesmo currículo em uma Escola no Rio Grande do Sul? A cultura local e as demandas oriundas dos alunos não devem ser levadas em consideração na eleição dos saberes eleitos como formativos?
O Referencial Curricular de São Francisco do Conde-RCF, município situado no Recôncavo Baiano, foi construído abarcando a concepção “glocal”, que se dá no trânsito entre os aspectos locais fazendo a relação com os aspectos globais, a partir da teoria etnoconstitutiva de currículo incluindo e destacando as manifestações culturais, assim como a história e geografia do Município.
O Documento Curricular Referencial da Bahia para o Ensino Médio-DCRB-EM apresenta uma concepção baseada na proposta da pedagogia histórico-crítica que concebe o aluno como um ser global propondo a sistematização e a socialização do conhecimento a partir das relações entre a teoria e a prática.
O caráter político do currículo já foi revelado por autores como Macedo (2017), como um território de disputa em Arroyo (2011) e como um documento de identidades por Silva (2010). Pensar que é um documento sem intenções é uma ingenuidade. Por entender que é um dispositivo de poder e de disputa, escolhemos nos implicar de maneira epistemológica, ética e política. Em um município com a maioria da população negra e em um estado com a maioria da população negra é imprescindível que a perspectiva curricular seja de questões negras.
As abordagens metodológicas consistem na perspectiva da pesquisa qualitativa pelo viés de uma pesquisa implicada, por esse motivo, além dos autores clássicos de currículo como Macedo (2017), Arroyo (2011) e Silva (2010), utilizamos referências sobre afroperspectiva em Noguera (2011), Oliveira (2012), e Munanga (2005), por acreditar ser uma emergência em currículos que pertencem a espaços geográficos de população majoritariamente negra.
Os procedimentos metodológicos consistem nas análises dos currículos em Dança do Município de São Francisco do Conde e do Documento Curricular Referencial da Bahia-DCRB, revisão bibliográfica de autores sobre currículo, afrorreferencialidade e relatos de experiência dos autores na construção de currículos de Dança.
É fato que o currículo nacional, em sua maioria, é de caráter Eurocêntrico, que se perpetua na educação desde a educação infantil ao ensino superior. O problema não está no ensino, nem nos conteúdos, mais sim quando outros conhecimentos acabam deslegitimados, excluindo os saberes, identidades dos povos e grupos sociais marginalizados. É necessário pensar em propostas alternativas de educação sobre a perspectiva afrorreferenciada para que seja assegurado o direito de conhecermos a historia a partir da África, reconhecendo o legado ancestral de grande importância para toda humanidade.
Falar de ancestralidade africana é falar de filosofia ancestral. Justificando essa afirmação, utilizamos como aporte teórico a compreensão apresentada por Eduardo Oliveira que considera filosofia ancestral o diálogo do pensamento negro-africano com as ciências humanas resultando numa filosofia de libertação e pensamento social negro no Brasil.
Partindo deste questionamento propomos indiretamente o despertar dessa ancestralidade através da criatividade carregada por cada indivíduo, criatividade essa que, a grosso modo, vem de berço. Segundo Renato Noguera, uma perspectiva de comunidade em África possui três dimensões: ancestrais, os vivos e os que estão por nascer. Dentro deste princípio, buscamos utilizar a dança como ferramenta despertadora da ancestralidade de alunos, estimulando a criatividade em seus corpos.
Então refletindo sobre o saber ancestral imbricado nos corpos e corpas, a dança se torna a ferramenta “perfeita” para estimular a afro-brasilidade de nossos alunes. Trabalhar a dança em afroperspectiva, termo utilizado por Noguera, onde é possível pensar em viver através de pontos de vista, estratégias, sistemas e modos de pensar nas matrizes africanas.

Palavras-chave: CURRÍCULO. AFROPERSPECTIVAS. EDUCAÇÃO. ENSINO. DANÇA

*[email protected]. Mestrando-PRODAN/UFBA; Membro do Grupo de Pesquisa Corponectivos em Danças/UFBA. Graduando em Pedagogia-UNILAB. Especialista em Ensino de Arte. Especialista em Psicomotricidade. Professor de Dança da Rede Municipal de Educação de São Francisco do Conde-Ba.
* E-mail: [email protected] do Mestrado Profissional em Dança-UFBA, PRODAN (2020), especialista em psicopedagogia Institucional, Clínica e Hospitalar pela Fundação Visconde de Cairú (2014), licenciada em dança pela UFBA (2011).

Instituições
  • 1 Universidade Federal da Bahia
Eixo Temático
  • Dança e diáspora negra: poéticas políticas, modos de saber e epistemes outras
Palavras-chave
CURRÍCULO
AFROPERSPECTIVAS
Educação
Ensino
Dança