Corporalização não é o que você pensa

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Comitê Temático - Apresentação Oral
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Resumo

Esta proposta de Artigo conta com a empreita iniciada em 2004. Como estudante, buscando compreender entender o fenômeno de embodiment a partir das práticas de BMC®(COHEN,1993), apoiaram os estudos, as ciências cognitivas. Dois anos depois de formada como Educadora Somática BMC®, este foi o assunto de meu doutoramento. Percebi não caber as traduções existentes em língua portuguesa para o objeto de estudo sobre corpo na somática, então escrevi uma primeira aproximação à cerca disso, problematizando a tradução, publicada na Coleção Humus Dança. Terreno fértil, estudos culturais e antropológicos sobre o fenômeno de embodiment costumam abordar o fenômeno de forma redutora e direcionada em uma única lógica de fora para dentro, por descrições cientificistas antropocêntricas, reféns de tábula-rasa, que sustenta o sistema de crenças reducionistas sobre corpo, em que não se vê implicada a dimensão do corpo vivo ou ainda, da mente corporalizada ( THOMPSON, 1996).
Com a dimensão cognitiva corporalizada (embodied cognition) apresentada no doutoramento ( QUEIROZ, 2009) e aprofundada nos estudos de estágio pós doutoral, (UFRGS, 2008 e UNIFESP, 2017) outros aspectos se revelaram. Recentemente, Corporalização recebeu uma descrição como verbete em uma transciclopedia de quase mil páginas com edição limitada. Ali está a descrição do fenômeno para teoriação: “Corporalização se apresenta como um fenômeno dos sistemas vivos-ambientes-mundo. A Corporalização é evolutiva, no continuum de geração e construção de conhecimento produzida pelo organismo. Propomos uma descrição sistêmica, dinamicista (THELEN,1995), biosemiótica (HOFFMEYER, 1998) da ordem do complexo.” (QUEIROZ, L. apud GALEFFI&MARQUES&ROCHA-RAMOS, 2020). Em que a fantástica teoria corpomidia estabelecida nas bases do campo da comunicação e semiótica, me ajudou a chegar até aqui.
A tônica do verbete, ainda inédito e pouco acessível para a maioria de nós, é a de que, para desenredar corpo dos seus tabus de coisa, matéria, pertença, objeto e fetiche, do mesmo modo que corpo não é corpo máquina, não é um receptáculo, não é a soma do vivido. A carga de crítica embutida aqui a reducionismos de toda sorte na estrutura do pensamento ocidental empregada a corpo é direta: os tabus ligados à corpo enredam-no como subalterno aos ditames do dualismo de propriedade ou de autômato condicionado por crenças e hábitos. Boa parte da discursividade sobre corpo proveniente de vários campos de conhecimento abrigam convicções deterministas, mecanicistas, materialistas, racionalistas, logocêntricas, antropocêntricas e nela boa parte prevalesce ou perdura. Uma parte do problema resume-se em tratar do corpo, de fora dele. Uma outra acepção de corpo e mente como separados ou como corespondentes, é uma armadilha de linguagem. Corpo aqui entendido estruturalmente acoplado ao ambiente, em que, embora sem dissolução de forças assimétricas e alienadas entre si, e em conflito, por outro lado, mente e corpo co-criam-se em auto-poesis (MATURANA & VARELA, 1980), em co-emergência (THELEN, 1995) e co-evolução (RIDDLEY, 2003).
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Traçar o entendimento entre natureza e cultura e sustentar a dimensão biocentrada, é parte do esforço empreendido para compreender que embodiment não é o que se pensa.“Embodiment is not what you think” estampada em uma camiseta de BMC®, foi inspirada em outra camiseta dos anos setenta, “Enlightement is not what you think” ambos, fazem referência ao campo de conhecimento do YOGA, que abriga cosmovisão, muito presente e familiar à praxis da Educação Somática BMC®.
Com o trocadilho sobre Iluminação e Embodiment, o slogan apresenta um problema central embutido: como se entende o que se pensa e como se pensa o que se entende, não parece dar conta do que se acredita que o fenômeno seja, segundo os bem humorados criadores da brincadeira e jogo de palavras do slogan.Para além do pensamento, o contexto sensitivo. ( SEBEOK, 1991, 2001).
Com a visão de meio e organismo, serem indissociáveis, e isso trazer implicações para um entendimento de ambiente não como demarcação territorial ou distribuição geográfica e temporal das espécies, mas como espaço definido pelas atividades dos próprios organismos( LEWONTIN, 1995:137 Apud QUEIROZ, 2013), a proposta ora apresentada, é fazer-se entender uma teoria ação dinamicista, entre natureza e cultura, em que pese o equilíbrio dinâmico entre mente e corpo, ambiente, não somente como fluxo inestancável de troca de informações, mas espaço de possibilidades. Na assertiva do entendimento de cérebro como orgão especializado distribuído, e de mente, como camara de ecos reverberadora, na hipótese neuro darwinista de Gerald Edelman.(EDELMAN, 2000.
Entender a minha problematização da tradução cultural ter sido nascida de dentro e em confluência com os estudos de semiótica de corpomidia: é o movimento que faz do corpo um corpomídia ( GREINER, 2005), me levou a indagar para além da tradução cultural de embodiment, para além da programação e reprogramação do dualismo de propr; da filosofia da carne (LAKOFF, G. & JOHNSON,1999); para além da mediação inestancável, o movimento assume destaque como o primeiro dos sentidos, este artigo visa discriminar e diferenciar a especificidade que assume no seu emprego no campo da área da somática bemecista (COHEN, 2015), com mudança de estado, mudança de padrão, tornada consciente de si (EDELMAN,2000).
Nesse sentido, está implicada a poética da transformação dos sistemas de BMC®, para, desde a anatomia experiencial, a padronização, a sua premissa de conhecer o conhecimento corpo e mente em complementariedade, em auto-organização (THELEN, 1995), e a consciência (DAMÁSIO, 2003) . Sendo BMC®uma abordagem que abriga cosmosentidos, e sendo, corporalização a sua práxis, ocuparia também corporalização o lugar de metodologia ativa, sua linguagem do aprender? A descobrir. Contribuições para novas epistemologias em somática e dança.

Instituições
  • 1 Universidade Federal da Bahia
Eixo Temático
  • Dança como Área de Conhecimento: Perspectivas Epistemológicas, Metodológicas e curriculares
Palavras-chave
SENTIDOS&MOVIMENTO&CONTATO
Corporalização/Embodiment
SOMÁTICA BMC®
ANALISE COGNITIVA
Epistemologia