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Coexistência sensível e integral do movimento em processo de criação em Dança
O trabalho tem como objetivo desenvolver um estudo reflexivo sobre o movimento corporal em processos de criação em Dança. A ênfase é a relação sensível, integral e orgânica do "ser movente", considerando as dimensões da corporeidade em três eixos principais: histórico cultural, singularidades/identidade e o espaço como provocação/estímulo dos movimentos. Esta reflexão emerge da pesquisa em andamento no mestrado acadêmico do PPGAC-UFU, que atualmente aponta um caminho de refexões entre as referências e os objetivos esperados. O projeto inicial Processo de criação em Dança: uma reflexão artística-educativa, foi adaptado metodológicamente devido a pandemia da covid-19. Uma das bases metodológicas que utilizo para lançar um olhar sobre o corpo é a fenomenologia, somado a escrita autoetnográfica que me permite estar concomitantemente dentro da pesquisa e da escrita, considerando minhas vivências de práticas artísticas e docentes. Este recurso, avalio, me permite estar atenta para o fazer/ser movimento de modo integral. Para isso, me alimento de referências como José Gil (2001) e Helena Katz (1994), que abordam sobre o processo de construção do movimento. E também de Lenira Rengel (2009) que me auxilia a olhar para o corpo e o movimento de maneira integral a partir da conceituação da corponectividade. Atualmente a pesquisa está em processo e aponta resultados parciais que caminham com as fontes e as referências até então trabalhadas.
Acredito que não há como falar de processo de criação sem antes buscar entender o processo do movimento, que é uma base necessária para que eu perceba e compreenda os meus processos e os processos dos artistas/estudantes em formação. De onde vem? Como começa? O que provoca o movimento? Como saber quando o movimento é um movimento dançado? Foram algumas das indagações que fiz quando estava no meio de um processo de criação em Dança.
O movimento não existe apenas no plano exterior, ele se inicia como um movimento invisível/interno, que é perceptível pelo outro a partir do momento em que ele é presentificado. Quando o resultado desse processo, o movimento presentificado/visível aparece, ele não se encerra ali, não é o ponto final do processo, é um “movimento com um fim provisório” (KATZ, 1994, p.39). A criação ou a atualização do movimento ocorre em um tempo diferente daquele em que ele é visível. O que vemos são instantes findáveis a todo momento, pois esta atualização não para, por isso o movimento não se encerra, e sim, se torna estímulo/provocador de outros movimentos em andamento de serem presentificados.
As vezes precisamos descrever as funções, as ações e elas vão parecer que atuam separadas, mas estão interligadas, coexistentes, mente e corpo (“mentecorpo” (RENGEL, 2009) indissociáveis. O pensamento é o próprio movimento enquanto é pensado (GIL, 2001, p.164) (KATZ, 1994). Logo, o movimento do pensamento assim como o pensamento do movimento ocorre no ato; sendo este, movimento corponectivo.
Podemos pensar que o movimento só ocorre quando o calculamos, elaboramos ele, mas antes de pensar “vou movimentar meus dedos”, “vou fazer uma pirueta”, eu já estou piscando, enquanto eu respiro, meu diafragma e as costelas se expandem. Estamos em constante movimento. Somos seres de movimento. Ser movimento – corpo que é movimento a todo instante, sem inércia, pois mesmo enquanto dormimos, estamos respirando, o que move nosso corpo. Eu respiro e reverbero movimento. Como o exemplo que dei, ainda que eu esteja dormindo, o que acontece é uma pausa (in)ativa - ativa internamente, é sangue que corre nas veias, ar que enche os pulmões, espasmos musculares, tudo corpóreo.
Cada ser humano é ser movente, movimento encharcado de histórias, de experiências, como também de técnica e treinamentos. Corpo é matéria de criação de formas. Dando forma ao movimento que até então estava em gestação recebendo informações de toques, de cores, de luzes, de palavras, do espaço.
A corponectividade que ocorre em meu corpo se relaciona com outros corpos corponectivos, assim como, com a corponectividade do espaço. O processo de educação corporal se da também nesse relacionamento, construindo e já constituído de três eixos que considero importante: nosso histórico cultural, singularidades e o coletivo/espaço.
Busco então um olhar sensível para produzir movimento por meio de estímulos que considerem o corpo do artista/estudante em formação, seu espaço, sua cultura, suas ideias, suas funções sensóriomotoras para o processo de criação, pois tudo o que abrange ser corpo, é movimento, é ser movimento.
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