ATRAKE: INSURGÊNCIAS NA DANÇA DA BAHIA

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Comitê Temático - Apresentação Oral
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Resumo

Os sujeitos da Dança têm participado e contribuído de forma relevante na organização de políticas públicas para o setor. Entender as formas de atuação política, os fenômenos de articulação desses sujeitos, seus enunciados, pautas e perspectivas social compreende um dos objetivos deus imersão. É de interesse dessa investigação problematizar os fenômenos que contribuem, interferem e dificultam no desenvolvimento contínuo desses sujeitos frente a consolidação de políticas estruturantes para o campo da dança no estado da Bahia.
O presente estudo configura-se como uma contribuição para o campo da Dança, em especial ao aperfeiçoamento da cidadania participativa, organização e mobilização cultural. Trata-se de uma pesquisa de doutorado vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Dança da UFBA sob o título: Insurgências na Dança da Bahia, com orientação da Profa. Dra. Ludmila Pimentel.
A pesquisa visa contribuir com a análise de possíveis relações de colaboração da comunidade da dança na Bahia, que têm contribuído na construção e consolidação de políticas públicas no campo da cultura, refletindo o lugar de fala desses sujeitos, as formas de interação com o Poder Público e possíveis estratégias de resistência, frente aos movimentos neoliberais que subalternizam a cultura enquanto eixo estratégico do Estado.
Escrever sobre participação social no contexto atual tem uma significância sem precedentes, afinal, as pautas de colaboração, representatividade e democracia são observadas como temas urgentes no Brasil e o no mundo. O cenário de retrocesso e descontinuidade das políticas culturais, apesar de preocupante, já faz parte da onda cíclica do campo da cultura. Torna-se estratégico para a comunidade cultural, a insistência nos diálogos entre os pares como forma de manter as bases alinhadas e conscientes sobre o papel sociopolítico dessas pautas.
Diante do panorama político atual, proponho a problematização do termo “Sociedade Civil" por “Poder Civil”, na perspectiva de atribuir efetivamente aos indivíduos, a real soberania popular sobre o Estado Democrático de Direito, reconhecendo-os enquanto potência máxima, e não apenas como um colaborador no processo de constituição de um governo que o regerá. Esse entendimento vem sendo amplamente difundido por mim, ao longo das minhas experiências profissionais e acadêmicas, justamente por transitar em espaços de participação social, e entender, a importância do protagonismo desses sujeitos no tencionamento das políticas públicas.
Atuar na vida política da sociedade para além de um ato cultural/cidadão é um direito. O papel do Estado é de ser o canal responsável pelo estímulo ao tempo em que assegura a permanência e regulação da participação efetiva da sociedade na formulação de suas políticas. Fica sob a responsabilidade da União garantir a cidadania plena e o multiprotagonismo, orientando a cidadania cultural. No âmbito da dimensão cidadã, a cultura é encarada como um direito humano essencial. Nessa perspectiva, a cidadania cultural está intimamente relacionada com o pleno e legitimo acesso aos bens e serviços culturais, para além da possibilidade de se relacionar com as criações artísticas, e sua participação na elaboração de políticas públicas. A sociedade moderna foi responsável pela consolidação de três áreas de cidadania: a política (que assegura o direito a residir e votar), a econômica (que assegura o direito de progredir e prosperar) e a por fim, e não menos importante a cultural (que assegura o direto ao conhecimento e expressões).
A investigação contemplará os conceitos de Colaboração, Dissenso, Cidadania Participativa e Poder Civil, através de referências do campo da arte, sociologia, estudos culturais e filosofia política. O dissenso comum no âmbito artístico-cultural será uma das vias de estudo da investigação. Geralmente este elemento é encarado como um ponto negativo para as ações colaborativas e emancipatórias.
Segundo Rancière (2010), esse fenômeno “dissenso”, apresenta-se como o grande elemento de fusão entre arte e política. Para o sociólogo, “se existe uma conexão entre arte e política, ela deve ser colocada em termos de dissenso – o âmago do regime estético”. Segundo Vellozo (2015), “participar politicamente passa pela percepção e pelo movimento de aproximar-se e/ou se afastar de ideias, estratégias, modos de negociar demandas.”
O caráter colaborativo, dissensual e insurgente do poder civil seria uma via eficaz para a reestruturação das políticas culturais no Brasil? Essa problemática norteará a formulação deste estudo, com vistas à observar os fatores socioculturais que moldam esses corpos, articulam os movimentos de representação e forjam as institucionalizações da cultura nos entes federativos.
A abordagem metodológica é qualitativa a partir do procedimento técnico de pesquisa descritiva, à luz dos aportes teóricos de Marila Vellozo, Albino Rubim, Jacques Rancière, Antonio Gramsci e Noberto Bobbio. O protocolo de investigação utilizado será o levantamento bibliográfico, levantamento documental e análise documental. Os procedimentos de coleta de dados serão periódicos, artigos científicos, dissertações, teses e livros. O recorte temporal contemplará o período entre 1988 e 2020, contexto de redemocratização do Brasil, a partir da promulgação da Constituição de 1988.

Instituições
  • 1 Universidade Federal da Bahia
Eixo Temático
  • Corpo e Política: implicações em modos de aglutinação e criação em dança
Palavras-chave
Dança
PODER CIVIL
INSURGÊNCIAS
Políticas públicas
Dissenso