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Apresento neste texto parte do resultado da pesquisa de Mestrado em Dança no Programa de Pós-Graduação em Dança (PPGDança/UFBA) sobre a inserção da ação do patriarcado em contextos educacionais e de sociabilidade das danças de salão. A proposta de realizar uma crítica-analítica acerca da ação do patriarcado nas danças de salão é, obviamente, um enfoque específico neste grande campo chamado de “danças de salão”. Assim, objetivo narrar, descrever e dissertar sobre ações e/ou atitudes machistas que emergem do pensamento patriarcal (LERNER, 2019) e são direcionadas preponderantemente contra mulheres nos ambientes das danças de salão. Gerda Lerner, professora e historiadora, define o patriarcado como um processo da dominação do homem sobre a figura feminina dentro do ambiente familiar que diante dos acontecimentos foi potencialmente expandido a favor do homem para os espaços públicos e privados da sociedade em geral. Sabidamente o patriarcado é uma ação estrutural social e a dança não está apartada da sociedade, ao contrário, dela faz parte, reciprocamente age e é agenciada por esta mesma sociedade. Essa hegemonia de superioridade masculina e inferioridade feminina apenas reafirma as fundamentações patriarcais que vivenciamos não apenas nas danças de salão, mas em uma sociedade que cristalizou o pensamento heteropatriarcal. O termo “mulheres” reconhece a gama infinita de diferentes fenótipos e privilégios entre as mulheres. Todavia, no foco deste trabalho, considera-se que todas as mulheres, muito embora em graus e dores diferentes, sofrem subalternidade em relação ao patriarcado. Para tanto, esta abordagem traz assuntos como os privilégios herdados pelo machismo patriarcal, intentando desvelar aspectos discriminatórios, violentos e impositivos em relação às mulheres, presentes nas danças de salão. O propósito aqui é analisar, a partir da perspectiva de símbolos patriarcais como heteronormatividade, heterossexualidade (MISKOLCI, 2012), machismo estrutural (LEIDA, 2020), binaridade de gênero (BENTO, 2015) e masculinidade tóxica (AMBRA, 2019), a superioridade do homem sobre a mulher dentro dos ambientes de sala de aula e eventos como competições e bailes dançantes que normalmente acontecem em consonância com as propostas mediadas pelos professores nos estúdios e escolas de danças de salão em vários Estados do Brasil. Trago o conceito de heteronormatividade para debater suas normatizações dentro dos espaços das danças de salão, nas quais a predominância das pessoas que transitam nesses lugares é fundamentada na ideia patriarcal de que as danças em estudo devem ser apenas dançadas por pessoas consideradas heterossexuais. Hegemonicamente, essa concepção reforça cada vez mais o machismo estrutural reverberado veementemente por muitos homens e professores nas escolas e estúdios de danças de salão do país. As danças de salão perpetuam em um dos seus vários símbolos patriarcais, nesse caso específico o (machismo), a concepção que a mulher deve ser silenciada, inferiorizada e subordinada às vontades e desejos dos homens, pois a principal fundamentação do patriarcado nessas danças em estudo é que o cavalheiro deve ser superior a dama em qualquer circunstância, seja nos processos de ensino/aprendizagem ou de sociabilidade fora dos contextos das salas de aula. Como algumas bases do patriarcado são a heteronormatividade, heterossexualidade e a total subordinação da mulher ao homem, fica perceptível uma espécie de violência silenciosa que tange o contexto físico, psicológico e emocional das mulheres. É importante evidenciar que essas ações acontecem de maneira abrupta dentro dos ambientes das danças de salão e em diversos lugares, os quais muitas mulheres são vítimas em potencial dos símbolos patriarcais que rodeiam as diversas camadas da sociedade. Reafirmamos, portanto, que o regime do patriarcado é encontrado hoje em vários contextos dentro dos ambientes das danças de salão e muitos lugares em nosso país. Vivenciamos hoje uma dança que explora e exclui pessoas que não se enquadram nos padrões exigidos pelas normatizações do patriarcado nos cenários das danças de salão. Buscamos ao longo deste ensaio escrito estabelecer situações vivenciadas por algumas pessoas que foram vítimas das ações do patriarcado nos ambientes de sala de aulas e de sociabilidade das danças de salão. A intenção é trazer narrativas com formato de cenas patriarcais para contextualizar esses cenários hostis que são reverberados em bailes, competições e durante as aulas das danças em estudo. Considerando este panorama, pretendemos traçar conexões entre as Epistemologias do Sul (SANTOS; MENESES, 2010) e Epistemologias do Norte (SANTOS, 2018), conceitos que contribuirão para tencionar os principais símbolos do patriarcado que muitos homens reproduzem nas suas ações contra as mulheres e pessoas que não compactuam com esse pensamento hegemônico patriarcal Assim, esta pesquisa, pretende trazer o enfoque para as ações que são conduzidas pelos diversos símbolos patriarcais replicados continuamente na sociedade, mas que tem uma atuação mais pautadas nas mulheres que desenvolvem suas dinâmicas corporais nos recintos das danças de salão.
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