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Ao tratar sobre a tradição histórica que envolve o nascimento dos monstros, o filósofo português José Gil, em sua obra Monstros (2006), destaca a "devassidão" do desejo feminino como uma das causas da existência dos monstros. Tal existência é carregada de uma metáfora da "sujeira moral-matriarcal" que alimenta o embrião. Assim, a condição de monstro apresenta-se como prova da natureza culpada da mãe e, portanto, aciona uma carga de afetos àquilo que relaciona- se com o feminino. Deste modo, Nando Messias e Ricardo Marinelli têm buscado aproximação com questões relacionadas aos Estudos de Gênero e Teoria Queer, a ponto de desenvolverem um repertório que abarca uma estética/ performance trans que visibilize determinados devires minoritários no atual cenário político-cultural do Brasil. Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a presença do monstruoso na dramaturgia de Dança/ Performance e suas interferências nas lutas pelo reconhecimento das novas subjetividades de gênero na contemporaneidade.
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