CORPO/CÃO POLÍTICO EM CENA

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Resumo

Este artigo analisa o espetáculo "Cão sem plumas" (2017) da companhia brasileira de dança contemporânea Déborah Colker. O espetáculo foi concebido a partir do poema homônimo de João Cabral de Melo Neto. No transcorrer da cena, um filme feito pela Cia de dança, às margens do rio Capibaribe, é exibido em contraste com a movimentação corporal dos bailarinos. No poema, a imagem de cidade (Recife) vista pela lente desse rio, o qual é descrito metaforicamente como um cão de rua, descuidado e sem plumas. Com base nos conceitos postulados pelo filósofo Jaques Ranciere em "A partilha do sensível", busca-se problematizar o modo como os corpos dançantes, se constituem enquanto "corpos políticos" haja vista que o tema retratado é o descaso com o rio, o seu assoreamento e a condição de miserabilidade dos moradores ribeirinhos. Intenciona-se analisar o corpo enquanto modo/meio de (re)escrita da poesia, por meio da dança.

Eixo Temático
  • Corpo e Política: implicações em modos de aglutinação e criação em dança
Palavras-chave
Dança. Poesia. Corpo