Um espaço não calculado

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Resumo

A universidade é mais um dentre tantos outros contextos onde o mercado da arte cresce. O ambiente pedagógico de uma instituição de nível superior deve atender às normas e restrições de metodologias de ação, planos de trabalho, em face da inspeção da instância reguladora do ensino superior no Brasil. Porém, nem sempre tais regras estão de acordo com as urgências da criação artística em dança. Em consonância com as diferenças entre esses contextos, a ideia de que a universidade não forma artistas é tão repetida entre estes que chega a ser um clichê em ambos meios. Contudo, parece que os critérios que orientam os diálogos entre universidade e mercado de/da dança como uma linguagem artística ainda não se adéquam às especificidades de cada realidade, levando em consideração necessidades e formas de ação particulares. Por conseguinte, as discussões de estudiosos e artistas reafirmam a dicotomia entre teoria e prática ao invés de confluírem para a investigação de cada modo de criar e pensar em dança. Dessa maneira, a crítica em tese favorecida dentro da universidade se dissolve em operação ideológica, propagando discursos instituídos que denotam um corpo sistemático, ditando à realidade como conhecer e agir, como um discurso competente (CHAUÍ, 2014). Porém, por pensar que a instância universitária pode/deve ser esse espaço não calculado, livre e aberto à experimentação e à criatividade, especialmente nas artes, enquanto comumnismo (GIELEN, 2015) - organizando a polis de maneira sustentável para promover e validar o desenvolvimento – é que se faz imperioso discutir o que ela tem feito pra estreitar as vozes em dissenso.

Eixo Temático
  • Comitê Dança e(m) Política