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O artigo problematiza o contexto cultural do Brasil desde 1986, propondo que os editais, inicialmente apresentados como leis de incentivo, se tornaram uma forma de comunicação amplamente hegemônica, que se oficializou como o único modo de pensar a produção cultural no Brasil. O objetivo é demonstrar o nascimento de uma lógica, 'editalização', que irriga todos os setores da cultura, nas esferas pública e privada. O que se apresenta é a tensão entre duas escalas de tempo: tempo urgente - projetos individuais - e tempo expandido - duração da lógica. Nessa perspectiva, a editalização parece se apresentar como única alternativa dentro do contexto das políticas públicas culturais, atadas à ideia acrítica de tempo histórico (MÉSZAROS, 2007). E, principalmente, se faz necessário ressaltar o impacto de tal hegemonia entre os artistas e produtores culturais, no corpo, entendido como corpomídia (KATZ & GREINER, 2005).
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