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Este artigo pretende analisar o trabalho de tradução que propõe o sociólogo português Boaventura de Souza Santos (2002), como uma opção para traduzir as danças baseadas na mitologia africana dos orixás, em uma cultura colonizada pelos valores e critérios ocidentais, em busca de uma articulação recíproca e evitando uma canibalização da cultura hegemônica. O autor sugere um trabalho de tradução sustentado por dois procedimentos sociológicos: a sociologia das ausências e a sociologia das emergências, os quais visam desafiar, transgressivamente, o modelo de racionalidade imperante, que ele chama de indolente, através da dilatação do presente, que amplia as experiências sociais disponíveis e da contração do futuro, que expande o domínio das experiências sociais possíveis. Este trabalho de tradução se estabelece como alternativa diante da impossibilidade de uma teoria geral, alternativa esta que, por sua vez, assenta no modo de abordar a dança da mitologia de orixás, a qual se afasta da ideia de "reproduzir padrões de movimentos" e pressupõe que cada corpo estabelece um modo particular de traduzir os princípios de movimentos configurados a partir de valores do ambiente onde surgiu tal dança. Interessa, portanto, atender aos múltiplos processos tradutórios que ocorrem entre o universo mitológico afro-yoruba e a dança criada por um corpo colonizado, a partir daquele universo. O trabalho de tradução é capaz de fazer inteligível a multiplicidade de experiências disponíveis, buscando uma relação coerente com aquelas outras que ainda são possíveis. Com o objetivo de analisar, posteriormente, os processos de tradução experimentados nas propostas de duas professoras e dançarinas, Tânia Bispo e Isa Soares, tentaremos aqui, atravessar os contextos e condições específicas de nossos campos de tradução pelos seguintes questionamentos que sugere o sociólogo Santos: O que traduzir? Entre quê? Quem traduz? Quando traduzir? Traduzir com que objetivos?
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