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As reflexões deste artigo discutem a questão autoral como criação de possíveis, a partir das noções de singular e comum, na leitura de autores como Antonio Negri, Paolo Virno e Peter Pál Pelbart sobre as implicações de um coletivo na construção de singularidades. O singular seria já contaminado por um comum, em trânsito constante, entre o contato com o conjunto de pessoas que participa de um projeto e as necessárias ações individuais, que filtram este trânsito. A percepção de trânsito é relevante, quando percebemos que a idéia de comum é frequentemente sequestrada, oferecendo-nos uma falsa sensação de pertencimento. Os novos formatos de criação independente, seja em solos ou em coletivos temporários, fazem emergir uma pulverização crescente, dada pela maior circulação de informações. Este fato, contudo, produz ruídos na relação com o poder público, que tem evidentes dificuldades em dialogar com artistas não-organizados por uma liderança, tanto no campo estético quanto no político. Mas o que exatamente é comum a todos, que pode ser dito por uma voz apenas? O trânsito entre o "um" e os "muitos", multiplicando-se em muitos lugares, em trabalhos com menos integrantes e não necessariamente vinculados a nomes já consagrados, remete ao pensamento do "monstro" evocado por Negri, para falar de processos que se entranham no sistema produtivo sem serem necessariamente autorizados (o monstro pode estar em toda parte). Neste sentido a opção por pequenos formatos não parece ser apenas um "problema econômico" dos tempos em que vivemos, quando tudo deve diminuir para custar menos. A questão passa pela maior circulação de informação, que agiliza escolhas e tomadas de posição.
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