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O presente artigo levanta questionamentos sobre a (possível) ação da biopolítica nos corpos que dançam. O interesse é pensar se existem padrões impostos para um dançarino e se existem alternativas para aqueles que desobedecem às regras se desvincularem dos estigmas. Discutido muito intensamente pelos filósofos Michel Foucault e Giorgio Agamben, a biopolítica é um conceito que caracteriza normas a partir de aspectos biológicos e culturais. Para os autores não há o que o sujeito possa fazer para se desvincular de certas imposições, pois a biopolítica baseia suas ações em um discurso sobre segurança, que é altamente justificável. Considerando a biopolítica como um conceito tão potente e inflexível, a pergunta principal deste artigo é: de que maneira os trabalhos artísticos podem escapar das ações desta política? Para responder a esta questão pensamos em como alguns entendimentos são colocados na dança e se existe a possibilidade de reconfigurações. Muitos estigmas são construídos e disseminados, algumas vezes de forma silenciosa, e pouco se pode fazer para modificá-los ou extinguí-los. Entretanto, na dança, artistas buscam técnicas diferentes tentando suprir suas necessidades, assim como fazem os corpos estigmatizados ao procurar meios de garantir espaço, seja apontando suas particularidades de movimento ou reinventando técnicas. Com a integração de elementos variados, temos o conceito de "corpos híbridos", definido por Laurence Louppe. É o corpo complexo, com diversas conexões e informações, presente em centenas de espetáculos das arte. Talvez esta possibilidade de reconfiguração abra espaço para corpos que antes não eram aceitos na dança. Corpos que não se encaixavam em padrões específicos agora vislumbram caminhos de aproximação com a dança. Ainda que se percebam essas modificações no entendimento daquilo que era considerado um corpo próprio para a dança, esta pesquisa trata da complexidade envolvida em um corpo estigmatizado na dança. Aparentemente alguns posicionamentos estão muito enraizados em nossa sociedade, sendo difícil modificar relações existentes. Discute-se como a biopolítica age diretamente no entendimento dos corpos que são qualificados e desqualificados, o que pode interferir na relação entre artista e platéia.
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