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A pobreza urbana, como fenômeno multidimensional, não deve ser mensurada apenas a partir da dimensão socioeconômica, através da variável renda. A partir disso, este trabalho tem como objetivo contribuir para a compreensão das características do ambiente construído como uma possibilidade analítica da pobreza e segregação urbana que se manifesta nas cidades e metrópoles latino-americanas. Para tanto, beneficia-se de uma metodologia desenvolvida por Cunha e Farias (2020) que busca revelar as desigualdades da forma de acesso, classificando as áreas de ponderação segundo as características socioeconômicas da população residente e dados sobre o entorno dos domicílios. O objeto de estudo é a Região Metropolitana da Baixada Santista, uma região litorânea localizada no estado de São Paulo que é caracterizada por suas peculiaridades locacionais, geográficas e ambientais, além da desigualdade social intensificada no decorrer de seu processo de industrialização e urbanização. Foram utilizados os dados coletados no Censo Demográfico de 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as características do entorno dos domicílios como a presença de sarjeta, lixo a céu aberto e arborização, por exemplo, além de infraestruturas básicas de saneamento, como ligação dos domicílios a rede de esgoto e de água; também foram utilizados dados censitários sobre as características socioeconômicas e demográficas de 2000 e 2010. Os resultados apontam que as características do ambiente construído aliadas a outros dados sociais, econômicos e demográficos podem contribuir para a melhor apreensão das diversidades socioespaciais das metrópoles brasileiras e latino-americanas.
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