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Resumo

Introdução: O vírus Chikungunya (CHIKV) é um membro da família Togaviridae, gênero Alphavirus que surgiu na África e já causou surtos em vários lugares do mundo. Alguns sintomas causados pela infecção por CHIKV podem persistir por meses ou anos. Portanto, é um grave problema de saúde pública. No Brasil, o vírus foi introduzido em 2014 e 2 cepas foram identificadas: a africana e a asiática. A transmissão pela transfusão é incerta, por esse motivo há a necessidade de estudos em doadores de sangue. Objetivo: Determinar a soroprevalência de vírus Chikungunya em doadores de sangue do HEMORIO. Métodos: Utilizaram-se amostras aleatórias de soro de doadores de sangue no HEMORIO de julho, agosto e dezembro de 2016 e 2017, e maio 2018. Um total de 2317 foi testado. Para detecção de anticorpos de classe IgG foram utilizadas 1987 amostras de julho, agosto e dezembro 2017. Para CHIKV IgM 330 amostras de maio 2018 e 528 de dezembro 2017, totalizando 858. Dentre elas, 528 de dezembro 2017 foram testadas para os dois parâmetros. Foram processadas em ELISA automatizado com os kits Euroimmun® de acordo com o fabricante. Resultados: Do total de 2317 amostras analisadas, 1987 investigadas para CHIKV IgG e foram reativas 200 (10%). Destes reativos, 116 (58%) são do gênero masculino e 84 (42%) do feminino. A faixa etária de 18-39 anos teve 139 (69,5%), seguida de 40-59 com 55 (27,5%), abaixo de 18 e acima de 60 anos tivemos 3 cada, somando 6 (3%). Quanto ao local de residência dos doadores reativos, 121 (60,5%) eram da cidade do Rio de janeiro com 10 (8%) do bairro da Taquara, e nas cidades vizinhas, 79 (39,5%) com destaque Nova Iguaçu com 23 (29%). Quanto ao CHIKV IgM, foram 858 amostras com 29 (3%) reativas. Dois meses foram analisados: dezembro de 2017 com 11 (2%) reativas e maio de 2018 com 18 (5%). Desses, 10 (34,5%) eram do gênero masculino e 19 (65,5%) do feminino. A faixa etária de 18-39 com 25 (86,2%), 40-59 com 3 (10,3%) e menores de 18 anos apenas 1(3,5%) reativo. Na prevalência por local de residência do doador se destacou a cidade do Rio de janeiro com 25 (86,2%) e nas vizinhas 4 (13,8%). O grupo de 528 amostras de dezembro 2017, testado tanto para IgG quanto para IgM, apresentou reatividade de 3 (1%), todos são da capital, 2 (67%) do gênero feminino e 1(33%) do masculino, 2 (67%) são da faixa etária de 18-29 e 1(33%) de 30-49. Discussão: Os resultados demonstram uma alta soroprevalência em 2016 e 2017, mas ao comparar os dois anos não houve um aumento de IgG, e sim a manutenção. Em contrapartida, a presença de IgM quase triplicou comparando as coletas de um período menor que 6 meses. Isso sugere que a infecção pelo CHIKV entre assintomáticos possa ter aumentado ao longo dos anos, visto que os doadores de sangue passam por triagem clínica e a detecção de IgM acontece na fase aguda da doença. Conclusão: Os dados desse estudo pioneiro são de extrema importância, pois não podemos prever qual dano a infecção por CHIKV pode ocasionar ao paciente receptor.

Instituições
  • 1 Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti - HEMORIO
Eixo Temático
  • Trabalho Cientifico